6 de fevereiro de 2011

' How can I deal with this?



O Bruno é o namorado mais impecável que a Cláudia alguma vez teve e possivelmente irá ter. Trata-a como uma princesa, faz tudo o que ela quer (e que acha razoável), nunca a deixa na mão, dá-lhe atenção q.b., não a troca pelos amigos (been there, done that), aceita-a como ela é, com o seu passado, e os seus defeitos, e as suas ideias malucas (been there, done that), nunca se esquece dela (been there, done that)... enquanto namorado, no Bruno, a Cláudia não podia pedir absolutamente mais nada!

Só que o Bruno também é preguiçoso e falta-lhe muita ambição. Não faz nada e também não parece querer fazer. É muito "deixa andar", não tem sonhos, não quer nada out of life, não se esforça para nada. O Bruno está à procura de trabalho há 5 ou 6 meses, depois de ter chumbado o ano e ter ficado com o 12º incompleto porque "não gostava de estudar" e porque era demasiado preguiçoso para se levantar de manhã e ir às aulas. O Bruno não está em posição se ser picuinhas, mas é. Não gosta disto, não gosta daquilo, não quer fazer X, não quer fazer Y, acha que é uma diva e que as pessoas é que precisam dele para trabalhar, e não o contrário, ele não precisa de ninguém para trabalhar. O Bruno fica contente quando entrega 30 curriculos no centro comercial num dia, sente-se realizado, não percebendo que isso não vai valer de nada, e por muito que a Cláudia lhe diga que é mais provável conseguir algo respondendo ao máximo de anúncios pela net, ele ainda tem a lata de dizer "isso não é o meu género, prefiro entregar pessoalmente nas lojas", lá está, ele é demasiado importante, não vai rebaixar-se ao ponto de fazer o que não gosta, pois claro está. O Bruno quase nunca tem dinheiro para ir ter com a Cláudia, sequer. É sempre a Cláudia que paga as coisas ao Bruno, seja para ir ter com ela, seja porque ela está farta de estarem sempre em casa e querer sair, seja para ele ir entregar mais curriculos. A Cláudia inscreveu-o em 26 empresas de trabalho temporário e perdeu um dia inteiro nisto. A Cláudia - com a devida autorização, claro - vai ao email do Bruno todas as noites enviar curriculos para aqueles sites de classificados online. A Cláudia vai com o Bruno às entrevistas, preenche as fichas de inscrição por ele porque "a caligrafia dele é feia" e a dela é bonita, a Cláudia diz como é que o Bruno tem de falar e estar numa entrevista para causar boa impressão. A Cláudia é, basicamente, mãe do Bruno.

Mas a Cláudia não quer ser mãe do Bruno, quer ser apenas e só namorada dele, e sinceramente está a ficar farta dessa situação. A Cláudia não quer ter de se preocupar com o que não tem que se preocupar, melhor, a Cláudia não tem de achar que o facto de sair de casa e conquistar o mundo é mais importante do que o Bruno.

Mas o Bruno continua, na mesma. Recusa trabalhos por causa dos horários, por causa da localização, ou simplesmente porque era num armazém onde implicava ele ter de subir escadotes e ele tem medo das alturas. E, como sabe que eu vou dar-lhe na cabeça por causa disso, esconde sempre essas situaçõezinhas, eu tenho de descobrir por outros meios. E, várias noites, depois da Cláudia estar HORAS em frente ao pc a inscrever o Bruno em ofertas online, quando liga ao Bruno a esclarecer essa situação, ele diz "mas eu faço, eu faço, eu inscrevo-me", mente com todos os dentes que tem na boca. "Não pressiones", diz ele, então a Cláudia resolve então não pressionar para ver se é isso que funciona, semanas depois de não-pressionar, a Cláudia volta ao email do Bruno e vê que ele, que teve todos esses dias de todas essas semanas livres e sem nada para fazer, não se inscreveu numa única oferta, muitas vezes nem sequer abriu o mail, então a Cláudia diz "se eu não te pressionar tu não fazes nada". Ele diz "eu faço", e assim se dizem duas mentiras num espaço de 5 minutos. É tão irritante e frustrante para a Cláudia quando ele diz isso, porque é contrariar o óbvio. É como se lhe perguntassem "de que cor é esta banana", e ele dissesse "é azul".

A Cláudia resolveu não pagar nada da celebração do 1º aniversário de namoro, porque já estava farta de pagar tudo. Na verdade, a Cláudia estava a querer testar o Bruno, a ver se ele assim reagia, se caía em si de uma vez por todas, mas o Bruno não reagiu nada, porque por ele basta-lhe estar com a Cláudia, mesmo que seja uma semana seguida em casa a comer, a foder e a ver televisão, ele só quer estar com a Cláudia, mais nada. A Cláudia resolve, de vez em quando, fazer fita e chorar, até o Bruno prometer que vai mudar, mas nunca muda nada. A Cláudia já chegou ao ponto, e mesmo que lhe doesse mesmo muito, de dizer que ia acabar com o Bruno se ele não mudasse de atitude. Ele não mudou nada. Mas prometeu. Ou mentiu. E a Cláudia não tem coragem de acabar com ele, porque gosta demasiado dele, porque está demasiado apaixonada, porque a vida já não faz sentido sem ele, porque não acha que "trabalho" e "dinheiro" sejam razões válidas para acabar um namoro com todas as coisas óptimas que eles têm, se bem que essas não seriam as razões verdadeiras, mas sim, a grande razão seria "porque eu quero algo da vida que tu não queres e assim não vale a pena investir emocionalmente numa coisa que não vai dar no futuro". A Cláudia está, por assim dizer, cega pelo amor, ou pela paixão, ou o que seja que lhe queiram chamar, a Cláudia prefere continuar porque, de momento, no imediato, este namoro dá-lhe mais vantagens do que desvantagens. Mas a Cláudia também tem momentos de clarividência, como agora, por isso é que está a escrever na 3ª pessoa, a ver-se de fora, a sua figura estúpida e de idiota. Sente muitas vezes que se acomodou por achar que não vai encontrar alguém melhor para ela, e que vai ficar meses a chorar se isto acabar.

O Bruno ouve sempre tudo o que a Cláudia diz, dá-lhe sempre razão, na maioria das vezes calado, nunca contesta, só muito de vez em quando diz que eu estou a tentar mudá-lo. Mas a Cláudia não está a tentar mudá-lo. Ela está apenas preocupada com o futuro dele e, sobretudo, com o nosso, se houver um nosso.

Nesta altura do campeonato, o facto de ele trabalhar ou não não me faz grande diferença. Quero lá saber se ele está a estudar ou a trabalhar na Worten, ou num call-center merdoso. O que me faz diferença, é a atitude. Só a atitude em si. É o eu pensar no futuro e chegar à conclusão que nunca ía funcionar, que eu a uma certa altura iria querer a minha independência, iria querer viver com o meu namorado, iria querer construir a minha vida, mas em vez disso, ía ter uma espécie de filho, que não fazia nada, que ficava o dia todo a ver televisão, que eu ía bancar tudo. O Bruno acha que isto não vai acontecer, mas se ele não mudar de atitude é o que vai acontecer mesmo. E eu não quero ter um filho agora, e não quero ter um namorado que, apesar de fantástico em todos os aspectos que "namoro" implica, me faz pensar demasiadas vezes que ele não é o homem da minha vida e que, se assim é, porque estão então a alimentar uma relação assim. E eu quero estar numa relação em que penso que ele é o homem da minha vida, como muitas vezes já pensei com o Bruno (e muitas vezes ainda penso).

Porque é que eu me sujeito a isto, pergunto eu? Porque eu nunca desisto. Eu nunca desisto de nada. Lá está, uma das grandes diferenças entre nós. Eu não vou desistir enquanto ele não meter na cabeça que tem que deixar de ser mimado e picuinhas e fazer alguma coisa da vida, nem que seja vê-lo a responder a anúncios na net sem eu ter quase de o obrigar. Mas, acima de tudo, porque o amo. Porque gosto mesmo muito dele. Porque quando nos beijamos o mundo pára. Porque o abraço dele é um dos melhores sítios onde posso estar no mundo. Porque não me larga quando eu estou amuada, enquanto eu não sorrio. Porque nunca desiste de mim. Porque mais ninguém iria partir-me os ben-u-rons quando eu estou doente, ou vir para minha casa de propósito quando estou a sentir-me carente, ou acordar-me com uma torre de panquecas com chocolate e morangos, ou acordar durante a noite para me ir buscar coisas se eu pedir. Porque me sinto em segurança, em paz, quando estou com ele. Porque estou muito apaixonada. E a paixão é uma merda quando temos de parar e tentar pensar com alguma objectividade.

Porque é que eu tinha que me apaixonar por alguém que não quer o mesmo que eu da vida?

Faz-me confusão pessoas com esta atitude. "Só" isso. Faz-me confusão e sempre tentei "fugir" delas, o que acontece quando estou apaixonada por alguém assim? Been there, done that também, no passado, e não gostei.

Se há dias em que me apetece ficar com ele para sempre, outros há em que apetece-me espancá-lo, e bater com a cabeça dele contra uma parede, para ver se os parafusos vão todos ao sítio onde deviam estar.

O que é que eu faço? Não sei. E hoje escrevo isto, porque estou muito magoada. Muito mesmo. Estou quase a chegar a um limite.

10 comentários:

MartaP. disse...

acabar nao é a soluçao. ponto. nem metas essa hipotese! o amor supera tudo, e nao é por ele nao ter objectivos de vida que vao acabar.
eu acho que ele so vai acordar, quando estiver mesmo na merda. mas se so assim é que ele acorda.. deixa que isso aconteça. e depois sim, ajuda-o a levantar. força!

Cati disse...

Cega de amor não estás, porque até estás a ver tudo muito claramente. O amor vence tudo... vencerá? Não sei. O conceito romântico de "amor e uma cabana" só funciona quando estão os dois na mesma onda, o que não me parece. Porque não vivemos só de romance, porque há contas para pagar e outras chatices, amar verdadeiramente é saber gerir as coisas menos boas da vida.

E se ele não sabe, não quer e/ou não consegue fazê-lo...

Um beijo muito muito grande e muita força.

Cati disse...

Desculpa, queria ter dito que amar verdadeiramente é TAMBÉM saber gerir as coisas menos boas da vida.

Outro beijinho*

Nita Pirolita disse...

Não estás nada cega...
Aliás é, o facto de estares bem lúcida, que te deixa com medo!
Estar de foras e dar opiniões é sempre mais fácil, por isso vou tentar controlar as minhas, e dizer-te que o tempo cura as mágoas e eu que 'acompanho' este namoro desde o primeiro beijo sem significado da passagem de ano, digo-te que acredito que vocês ultrapassam isto!

(Been there, done that!)

Arrebita, miúda! :)

Ahhhh estou msm contente com o teu
part-time novo!
Beijinhos

Menina disse...

Quando acabei com o meu último namorado foi devido a um grande conjunto de coisas acumuladas..mas, tenho de dizer que uma delas foi aquela que descreveste. Sem tirar nem pôr. Era muito complicado eu a ter a vida sempre super ocupada (demais até, admito) e ele sempre em casa, com tempo livre a mais, sem ver um único objectivo para ele próprio. Dava comigo em louca lol

Agora, como eu disse, esse não foi o único motivo, havia muito mais coisas..Apesar de compreender que é muito complicado para ti, estás a fazer o que podes para alterar a situação. O resto só depende dele..E, com o teu apoio e alguma força de vontade dele, tenho a certeza que tudo vai ficar melhor.

Vão ultrapassar mais esta dificuldade juntos =)

beijinho grande*

Anónimo disse...

estás a preocupar-te muito com ele, preocupa-te mais contigo

Anónimo disse...

O que parece para quem te lê de fora é que este teu namorado é um pau mandado, adoras o facto de ele satisfazer-te todos os teus caprichos e só a ideia de perder alguém que te faça as vontadinhas todas é terrível para ti. A forma como o descreves não é propriamente elogiosa" mas enfim tu lá saberás melhor...

A pior coisa que se pode fazer é exigir a alguém que "mude" de atitude. As pessoas só devem mudar por elas próprias e não porque foram pressionadas por outrém.
Se ele não tem objectivos de vida é porque ou não tem ponta de personalidade ou porque ainda é muito imaturo ou porque simplesmente não está ainda preparado para a vida tal como tu. Mudá-lo? É uma sentença de morte para a vossa relação, por mais que custe admitir.
Também tens um lado profundamente imaturo quando fazes "chantagens" emocionais com ele. Já és adulta, esta atitude de pita mimada já não é para a tua idade, não achas? Não penses que te esteja a ofender, simplesmente "been there, done that" também, embora fosse na minha fase parvinha da adolescência.
Não estás cega pelo amor porque este teu post é demasiado agressivo. Quando estamos cegos pelo amor, até amamos os defeitos (mais tarde podemos arrependermo-nos mas isso são outros 500).

Por outro lado e pelo que já li de ti, apesar de seres de facto mais dinâmica, tens vários surtos de personalidade. És muito confusa, se calhar uma auto-reflexão te faria bem de modo a perceber se queres perder o que tanto demoraste por encontrar. Pára um pouco, olha à tua volta e parar de pensar só no teu umbigo se calhar dava jeito. Tens que perceber se queres ficar com ele pelo que ele é no seu todo e não apenas naquilo que te pode dar. Se tens tantas dúvidas, muito provavelmente ele ainda não seja o "tal".

Boa sorte!

OMOPrjct disse...

A chegar a um limite? Claudia, já lá chegaste. Senão, duvido que fizesses esta "exposição" toda, funcionando como mais uma conversa que tivesses com o teu namorado.
O Amor é óptimo, mas (falando por experiência) gostar só não chega... E gostar, aqui, é o mesmo que dizer Amar. E de facto, uma jovem mulher que sonha, e diz a todo o mundo, o quanto quer ser independente, e pede por tudo e mais alguma coisa que tenha companhia nesse desejo, e se depara com o facto de apenas querer ser ela a remar esse barco REALMENTE... uma mulher que diz e faz isso, não pode estar feliz, e já chegou à conclusão que só gostar não chega.

Penso que não estás a perder razoabilidade; bem pelo contrário. Estás é a "repetir-te" e a chegar às mesmas conclusões de sempre, e a situação mantém-se a de sempre...
Pode-se estar aqui a repetir as tuas conclusões todas, e moer e moer e moer mais ainda, que por mais voltas e palavras que se escreva, vai sempre dar ao mesmo sítio: fartaste-te, embora não queiras desistir, mas já colocas essa hipótese.

E por aquilo que vejo, "passares-te para o outro lado" é uma questão de tempo. Mas é apenas e só a minha Opinião, que vale o que vale... E o pior (a meu ver) é que o futuro dessa relação não está nas tuas mãos, e isso deixa-te mesmo lixada. Mas também isso já tu assumiste como real... Penso que já não aguentas muito tempo assim, e que a mudança de atitude radical que queres que aconteça tem pouco prazo para se concretizar. Dadas as circunstâncias e planos que traçaste para ti, quer-me parecer que estás muito inclinada a fazer algo que uma pessoa que se ama a si própria quer fazer: Viver tudo, e andar com a sua vida para a frente; com ou sem companhia que ame... E isso é uma opção que se nota que tu ponderas, com mais força agora, que em qualquer outro momento da tua vida.

São decisões que ninguém toma por ti, e nem todas as opiniões do mundo te poderão influenciar... Mas a minha opinião aqui fica...

Tudo de bom! Beijinhos***

PS: nunca mais vais ter alguém, e passar meses a chorar?? Sinceramente, duvido piamente disso tudo; tens mais auto-estima que isso, Cláudia.. BEM mais auto-estima que isso...

Beijinhos***

DC disse...

Assustam-me pessoas que escrevem na terceira pessoa... mas eu também escrevo muito na terceira pessoa.. hummm... adiante.

Realmente não percebeu pessoas como o teu amor. Detesto pessoas estagnadas, pessoas felizes com o pouco que têm, pessoas felizes com o seu ordenadeco de 600€ a fazer sempre o mesmo trabalho repetitivo, das nove às 18, 22 dias por mês; percebo ainda menos pessoas que dependem de uma maneira ou de outra das outras, pessoas que não querem ser independentes.
O melhor do mundo é independência, e o guito é a maneira mais rápida de a ter.

É óptimo apetecer-me gastar 200€ em roupa, e gastar, só porque sim..com o dinheiro fruto do meu trabalho. É óptimo pagar as propinas do meu bolso, apesar de os pais até terem dinheiro para as pagar. É óptimo ter guito para uma noite extravagante, sem andar a contar tostões. É óptimo ter dinheiro para dar prendas caras, às pessoas que interessam, ou pagar um jantar num restaurante mais fino que o mcdonnalds.
A independência é uma das melhores coisas da vida, e o dinheiro é um bom caminho para a ter.

Em relação ao teu namoro... Este tipo de "diferenças" acaba por corroer as relações. Tu agora aguentas, porque gostas dele... mas mais tarde, quando por alguma razão tiverem uma zanga, virá à superfície tudo o que "engoliste", o que não gostas nele e nas suas atitudes.

Podia dizer que ao não teres coragem para acabar mostrava também falta de iniciativa da tua parte, mas estaria a ser injusto, para além de estúpido... Gerir uma relação não é fácil, e ainda mais difícil é gerir sentimentos. Só tu saberás se vale a pena lutar pela relação...

Eu penso que defeitos de feitio ou atitude são os mais difíceis de mudar, e são ainda mais difíceis de mudar quando a pessoa em questão tem falta de atitude.
Tudo o que apontas na imagem do post são aspectos que se conquistam numa relação com o passar do tempo, mas atitudes e feitios são muito mais difíceis de mudar, e muitas vezes são impossíveis de mudar.

Quem sabe se não serás mais feliz se acabares o namoro? quem sabe se ele não terá uma súbita injecção de independência e atitude? Quem sabe se o mundo não vai acabar amanhã? humm...=P

Sê feliz com o caminho que escolheres, e não deixes que outros influenciem esse caminho amoroso.

(desculpa o texto estar grande, e deve tar cheio de erros estruturais, mas nem tive cabeça para o reler)

Kiss kiss

DC

Anónimo disse...

Concordo com o amónimo/a.