28 de fevereiro de 2011

' Enough is never good enough.

Detesto a palavra "suficiente".



Suficiente, mediana, "desenrascar"...

Não entendo as pessoas que vivem a vida no rés-vés-campo-de-ourique. "ter um 10 chega-me para passar", "errei 3 no exame de código mas deu para passar", "tenho uma média de merda, mas deu para passar"... really?

Com isto não quero dizer que nunca tive um 10 - já tive muitos - e sim, eu errei as 3 respostas limite no exame de código...lol. mas fiquei a bater mal por isso.

porque eu detesto ser mediana e viver no "suficiente". eu queria não ter errado nenhuma no exame de código, queria ter uma média brutal, mesmo que um 10 chegasse para passar.

nunca gosto de ser suficiente até mesmo nas coisas do dia-a-dia. não gosto de aspirar só uma divisão da casa, se começo aspiro logo tudo até não se ver um cabelinho no chão; não gosto de deixar coisas por acabar, não gosto de ir às aulas e não passar a matéria, porque é "o suficiente", não gosto não gosto não gosto! ou faço bem ou não faço, não trabalho a meio-gás e muito menos com base em "é suficiente".

digo até que prefiro, mil vezes, não fazer, desistir ou deixar para mais tarde, do que fazer e apenas fazer o suficiente para "dar". por exemplo, eu prefiro não fazer uma cadeira de propósito, do que ir fazer sabendo que vou ter um 9,5. Porque depois acomodo-me a esse 9,5 e mais tarde não penso em melhorar, "está feito". assim, se deixar para trás, vai ser sempre um assunto pendente, uma pedrinha ali a fazer confusão, e quando a fizer, faço-a bem.

e mesmo quando não me saio particularmente bem nas coisas - acontece muitas vezes, afinal, e mesmo com dedicação, não somos perfeitos, todos falhamos, e eu não sou fundamentalmente perfeccionista - gosto da sensação de saber que me esforcei mais do que o suficiente. epa, tudo bem, queria escrever um texto que ficou mais ou menos, mas enquanto estava a escrevê-lo, não escrevi bem "o suficiente": escrevi o melhor que sabia. tudo bem que, no trabalho, às vezes escrevo mal as respostas em francês para os clientes franceses, mas ao menos sei que, com os meus péssimos conhecimentos de francês, dei a volta, o melhor que podia, à coisa.

tenho estas pequenas coisas muito minhas, muito próprias, mas tenho orgulho nelas. gosto tanto de mim mesma. amo até os meus defeitos.

Muaah @

27 de fevereiro de 2011

' The four of us.



I had a really nice extended weekend, starting on Thursday.

A friend of Alex, Jan - who I just absolutely loved - was here in Portugal. We went out a lot, had quite a good time, lots of fun, lots of weed, lots of drinking. Today I feel great, after all friendship is everything when you're down, and now I'm actually remembering, I was pretty sad and down on Thursday, just had a really bad day.

Jan is a really great person, I actually already miss him (he left this morning), because it's really rare nowadays to meet such a nice person. In just 3/4 days I bounded with him in such a way I don't usually do (usually, I get some time to bound with someone like really closely), had a really great time, but most of all, learn a lot from him. The best of him is that I felt likeI could be just like myself, and he wouldn't judge me, like most of people do (yes, I get to be judged quite a lot). He is a true gentleman, a tolerant person, so sweet that me and Vera just felt like hugging him all the time (and we did!). Can't forget how a considerate person he was, how we always listened to you without interrupting (I hate when people don't know how to listen to other people, Jan was the opposite of that), how he took care of me when we got home totally drunk and I was totally in some other world, and he made me toasts with butter and a limonade, and stayed up with me until I was abe to go to sleep. I never forget, no matter how drunk I am, the good stuff people do for me.

When he left, 6 am this morning, me and Vera almost cried. I hate farewells and this one was really difficult, because I was liking him so much. He left, with Alex that took him to the airport, and me and Vera just sat down on the couch, feeling like "saudade" - a word we taugh to Jan that only exists in Portuguese and that, I believe, has more intensity to it than just an "I miss you" - talking about how we both got along so well with him, and how it is possible that there exists such a good person in the planet, and even trying to find some bad thing about him... we couldn't, we could only find good stuff (maybe we needed a little more time with him to find the bad stuff everyone has). - but why are we always, always, trying to find bad stuff about people? isn't the good enough? maybe it was better this way, I'll remember him only for the best things he had. I love, and prefer a million times, to see the good stuff about people instead of just the bad.

Well, what more can I say? I could go on and on, tell what we did - besides fun fun fun - tell how my english is close to perfect now (my accent in english was really bad, but once Jan is german, that was the only language we could comunicate, so I'm literally talking and thinking in english for 4 days now, it is actually hard now to make a switch from english to portuguese everytime I want to talk back in portuguese), how we talked about so many things, how we laughed and laughed and laughed...

...but that wouldn't be worth it.

All I can say is this was one of the best extended weekends I've ever had, I needed to relax and go out and forget about stupid things and stupid people that really bothers me in the everyday-life, and I sure got it. (tomorrow it's the same, when I have these kind of days-far-away-from-everything-and-from-routine is horrible, HORRIBLE! to get back and meet again, one more time, the same people, have the same conversations, at the same places, doing the same stuff).

Today? I'm hangover, I'm tired, I'm sick, my stomach is sick, everything about my body is sick, I've been sleeping all day and still I could sleep for like 12 more hours, I wasn't even able to get out of Vera's house yet, guess this is the way of my body telling me "Please, stop!!", but it was so worth it.

Thank you Jan, Vera and Alex.

Can't stop thinking how it would be just great to live with these three, we just get along so perfectly.

26 de fevereiro de 2011


Esta imagem traduz exactamente o que eu quis dizer quando escrevi isto. por isso é que eu não tenho ressentimentos nem rancores. felizmente. não gosto de ficar a remoer no passado. não tem utilidade absolutamente nenhuma.

23 de fevereiro de 2011

' Sou tão chorona.


Detesto esta música. Acho do mais lamechas e cliché que há. a letra está querida, mas detesto a música, não faz nada o meu género.

Mas desatei a chorar, baba e ranho, quando o Bruno pôs esta música e me convidou para dançar, só pelo olhar dele, por uns segundos que me pareceram longos minutos.

Foi um olhar tão lindo e tão intenso, um dos mais intensos que alguma vez vi, uma das formas mais apaixonadas que alguma vez me olharam... como se conseguisse ver a alma dele directamente. cheia de amor.

senti-me amada, protegida, em paz, e uma onda de felicidade e tranquilidade imensa, inexplicável...

Isto é tão lamechas, mas... só senti um aperto bom no coração, e as lágrimas a virem, e só baixei a cabeça, desatei a chorar, em silêncio, ele deu conta, levantou-me a cabeça, perguntou o que eu tinha, a música acabou, e eu desatei a rir à gargalhada da minha figura de parva... e só disse "emocionei-me!!!!!".

Foi tão comovente.

A música ideal para esse momento tinha sido Bound To You, sem dúvida. Dramática, intensa, angustiante, comovente... tudo o que senti! depois ele levou-me a dançar novamente com esta música, mas já não chorei, o primeiro momento foi daqueles mesmo espontâneos e que dificilmente se repete, muito menos se for "combinado".

Really? Eu chorei por aquilo? sou uma chorona do pior. mas, em minha defesa, foi um olhar mesmo mesmo mesmo comovente... parecia cena de filme.

22 de fevereiro de 2011

No outro dia fui dar sangue, outra vez, e pelo caminho fui a pensar "porque raio é que eu dou sangue".

Passo a explicar: eu não sou uma pessoa particularmente solidária. Não dou esmolas na rua, não envio dinheiro para instituições, não me torno "Amiga da AMI" (e a J. está sempre a chatear-me, que ela trabalha nessa instituição...lol), não sou activista, não faço voluntariado, não assino petições, não me interesso por nada dessas coisas, não sou revolucionária, não quero mudar o mundo, etc etc.

Não sou altruísta, pronto.

Mas dou sangue, e isso já é um hábito desde os meus 18 anos. Mas não sei porquê.

As minhas hipóteses são: 1 - porque desde pequena que vejo a minha mãe a fazê-lo e lembro-me de, um dia, tinha eu uns 7 anos, pensar para mim mesma "um dia também quero dar sangue"; 2 - para me sentir bem comigo mesma, ou melhor, para não me sentir mal por nunca ajudar ninguém; 3 - por força do hábito, porque não custa nada; 4 - porque sempre que vou me dão umas canetas super engraçadas e eu adoro canetas; 5 - porque ao menos sei que o meu sangue vai ser utilizado para salvar alguma vida, ao passo que o dinheiro que possa possivelmente dar em esmolas e a instituições, nunca sei ao certo para onde vai e no que vai ser utilizado; 6 - porque sou forreta e dar sangue não se paga; 7 - porque recebo sempre análises completas em casa; 8 - porque ouvi dizer que os dadores de sangue têm prioridade se alguma vez precisarem de uma transfusão; 9 - porque posso comer o que quiser antes e depois (eles dão comida).

Será alguma destas? Não sei. Só sei que o faço.

Mas não interessa. Faço a minha parte, faço a minha boa acção, mesmo que só a cada 4 meses, e se por acaso o meu sangue salvar alguma vida, essa pessoa não vai querer saber para nada as razões porque o fiz.

Fiz e pronto.
(tenho de parar de pensar tanto no porquê das coisas).

21 de fevereiro de 2011

E com dores lancinantes - sim que eu sofro tanto nestes dias - dormir pouco, acordar cedo, ir trabalhar, andar demasiado, organizar uma experiência de psicologia, resolver problemas, arranjar substitutos, aturar desistências, chegar a casa de noite, e ainda ter que trabalhar - agora estou a actualizar uma "base de dados" gigante ("só" tem 10 GB), que o homem me pediu (para o trabalho), é tanta coisa que tenho que fazer um pouco todos os dias. o stress, a pressão!! quero ir dormir. aliás, vou dormir. são 20h? who cares? vou deitar-me e antes das 21h já estou a dormir. antes dos "patinhos".

Eu disse que não era a super-mulher? Há dias que sou. Hoje foi um deles.

20 de fevereiro de 2011

É o que eu penso aos domingos. Se dantes detestava domingos por não ter nada que fazer, nos dias que correm e com o tempo que (não) tenho tido, até dou graças a deus. Não ter de acordar cedo para trabalhar e depois aulas... desligar o despertador, poder ficar na ronha até tarde, aspirar o quarto, dobrar roupa, limpar o pó... (arrumar a casa para mim é uma óptima cura para o stress, enquanto arrumo a casa, arrumo a mente também)... fazer depilação, desembaraçar o cabelo, tomar um banho relaxante e bem prolongado... ver televisão, muita televisão, ver todas as gravações que deixei durante a semana, ler os blogs favoritos, pesquisar na net, sacar músicas, actualizar o mp3, tratar de coisas da "lista de assuntos pendentes"... mudar de mala, reorganizar as coisas para a semana que vem... deitar-me cedo, descansar, para começar tudo de novo na 2ª - incluindo o FDP do stress e da correria.

19 de fevereiro de 2011

' Quem é que paga 10 cêntimos para fazer xixi?

Eu, que feita parva, sei que bebo imensa água durante a noite, e de manhã saio de casa toda apressada sem fazer o xixi matinal, e vou trabalhar, e não peço "posso ir à casa-de-banho" porque tenho vergonha, e na paragem do autocarro já estou tão a arrebentar que não aguento uma hora e meia com a bexiga dessa forma, ainda por cima com os solavancos que o autocarro dá nos buracos e buracões das ruas de lisboa, e que chego mesmo a considerar ir atrás da igreja onde ninguém vê fazer xixi (shame on me) - é um sítio pacato, não costuma ter ninguém, e claro que não tem cafés, senão ia lá - e de repente vislumbro uma casa-de-banho daquelas portáteis, e que até tem um ar limpinho, mas que diz que é preciso 10 cêntimos para entrar. aqueles 10 cêntimos foram um alívio, um dos maiores alívios da minha vida, que eu estava quase a mijar-me pelas collants e leggins abaixo, mas quem é que paga 10 cêntimos para fazer xixi? Eu.

Note to self: pee before leaving home, first thing in the morning.

18 de fevereiro de 2011

' Da minha excessiva independência emocional/sou tão desligada.



Nunca precisei de muitas pessoas à minha volta. Gosto de estar sozinha. (sim, gosto de estar acompanhada também, e muito, mas não preciso disso).

Cresci sozinha. Sem irmãos. Tinha poucos amigos, era altamente gozada na escola. Tinha até amigos imaginários quando era mais pequenina (!!). E a minha mãe sempre puxou pelo meu lado mais adulto, nunca me tratou como uma bebé, deixava-me sozinha à porta do infantário de manhã porque entrava no trabalho uma hora antes das educadoras chegarem, e sim, eu ficava lá esse tempo sozinha à porta.

Não vou discutir os métodos pouco ortodoxos da minha mãe, mas sim as consequências que isso trouxe. Se, em pequena, era extremamente sozinha, hoje, de certa forma, agradeço por tal ter sido assim.

Só comecei a ter amigos mais tarde, muito mais tarde, depois de ultrapassar a sensação de estar sozinha no mundo e nos escoteiros, porque na escola só consegui ser sociável quando me dava com os nerds e com os outros miúdos que eram gozados também. Por isso, tornei-me numa pessoa desligada. Não preciso falar com pessoas todos os dias, não preciso estar com pessoas todos os dias, não me sinto mal por estar sozinha.

Atenção, não sou anti-social. Pelo contrário, sou bem sociável, sei manter conversas interessantes (com quem dá para tê-las, claro, que há pessoas que só dá para ter conversas de circunstância) e facilidade em criar laços e fazer "amigos". Tenho muitos conhecidos, tenho bons amigos e gosto de companhia, mas, lá está, não preciso dela. Não preciso de estar sempre a ligar, sempre a falar, sempre sempre sempre, como vejo algumas pessoas a fazer, sempre agarradas à porra do telemóvel. Acho que nem aguentava, fartava-me rápido. Ainda hoje, em casa da minha avó - god, finalmente tive 3 horas livres para passar por lá - ela me perguntou a tarde toda se tenho falado com X, Y, Z, com a prima e o primo e o cunhado e a tia e com o resto da família toda, e eu sempre a dizer "não", se sou desligada então, com a minha família sou ainda mais, não sou uma pessoa lá muito familiar, nunca tive uma família bem estruturada anyway. no fim, acabei por dizer "não! já sabes que eu sou desligada... as pessoas é que têm de me ligar, se não eu também não me lembro!". lol, e é bem verdade.

Esta independência emocional é excessiva, na minha opinião, porque gostava de ser mais ligada. Preocupar-me mais com as pessoas e lembrar-me delas de vez em quando (ser eu a ligar ou a mandar sms em vez de me ligarem ou mandarem a mim). Gostava que as pessoas à minha volta, pelo menos as mais próximas, sentissem que me preocupo com elas e que me lembro delas... assim, desta forma, e sem ser por mal, passo a imagem de não gostar de ninguém. Consigo ficar dias e semanas sem dar notícias a ninguém e "criticam-me" muito por isso, às vezes. E estranham que eu "Não me sinta sozinha". Mas é de mim. Pronto. Raramente me sinto sozinha, e ainda bem, mal de mim seria se dependesse da companhia das outras pessoas para me sentir bem.

Muaah @

17 de fevereiro de 2011

' So much to do, so little time.

Hoje cheguei a casa às 16h30 e pareceu-me serem 11h, por ser "cedo" e por ter tido tempo para "enjoy home" (não me ocorre expressão em pt): arrumar as coisas, pôr loiça a lavar, dobrar roupa nas calmas, pôr roupa para lavar, ver televisão, limpar o pó, estar com ele, estar na net nas calmas, escrever no blog e guardar para publicar mais tarde...

Isto porquê? Porque eu não tenho tido tempo para nada. Saio de casa ainda não vejo o sol e só volto quando ele já se pôs. Sempre exausta, geralmente encharcada da chuva e com o cérebro a implorar para descansar um pouco... Por essa altura já só tenho forças para tomar um banho quente e meter-me na cama... tenho adormecido todas as noites antes da meia-noite (shame on me, tão cedo).

Tenho tido demasiado trabalho.... sei que disse que este trabalho era fácil e simples, mas não tive outros factores em conta... mesmo que só tenha de estar lá 2 horas por dia, tem de ser 2 horas de manhã, porque tenho aulas a tarde toda, e se tenho aulas às 13h tenho de sair de lá às 11h30, porque demoro uma hora e meia a chegar, e se tenho de sair de lá às 11h30, convém chegar às 9h, e para chegar às 9h tenho de acordar às 7h. Acordar às 7h custa-me horrores, detesto manhãs. Saio das aulas por volta das 18h, mas com o trânsito, aquela 1h30 de viagem torna-se quase 2 horas... com isto chego a casa quase às 20h, que cabeça tenho para fazer o que quer que seja?

Mas tenho que ter, porque o meu chefe "promoveu-me". Agora já me passou a responsabilidade de responder aos emails dos clientes a partir de casa, sozinha, on my own, o que significa que independentemente da hora que seja convém estar atenta ao computador, para ver se recebi alguma coisa que ele me reencaminhou e responder convenientemente, ele passou-me uma grande, grande responsabilidade, e eu já percebi que ele não gosta de falhas.

Quanto às aulas, este ano o curso está a ficar mais interessante, sim, mas também está a dar mais trabalho. ainda por cima, este semestre tenho uma cadeira em atraso, Estatística, o que por si só, e só por existir, me dá cabo dos nervos... aliás, na verdade tenho duas estatísticas, a II (deste ano) e a I, do ano passado, que deixei em atraso. Odeio aquilo, odeio odeio odeio e preciso de me auto-motivar, e eu, para me auto-motivar a fazer algo que detesto, preciso de energia extra... energia psicológica. para não faltar às aulas e para não me distrair, quando vou, e para não me desleixar como no ano passado. sim, porque deste ano não pode passar, não convém, depois fico com as duas estatísticas em atraso, que duvido que consiga fazer a II sem a I. caos. caos. caos. e o horário?? 5ª feira não tinha aulas, mas perco o dia todo, todo (!) porque tenho um furo gigante entre uma aula de estatística e a outra. claro, põem os horários assim horrorosos, como querem que não falte? ter aulas de tarde já é muito mau (perde-se basicamente o dia todo), agora ter uma de manhã e depois só à tarde, mata-me. porque nesse dia, das duas uma: ou falto à primeira aula de estatística - e já sei que "perco o comboio" como no ano passado e estou fodida - ou falto ao trabalho - não é que eu tenha "faltas", porque o homem é muito benevolente, mas eu, por orgulho próprio, não gosto de faltar com ninguém, e se ele me está a pagar, para alguma coisa é...

Mas o pior, o pior de tudo mesmo, do trabalho, é quando o homem se esquece que marcou coisas comigo. saio eu toda apressada, enervada porque detesto chegar atrasada, chego lá e não está ninguém em casa. ligo, "ah, mas não tínhamos marcado para hoje", "tínhamos sim, marcámos às 16h, não se lembra", "Não, não me lembro". ou então, 10 minutos antes da hora marcada, eu já a sair na paragem do autocarro, e ele a ligar-me a dizer "oh não é preciso vir, está tão mau tempo, fique em casa a dormir, não é preciso vir". really? like, really? o homem é impecável (nota-se, "Não é preciso vir" porque está mau tempo), mas de memória, meu deus!! já é a 2ª vez que me faz isso, vou passar a ligar-lhe sempre antes de ir, para confirmar, não vá ele lembrar-se - ou, neste caso, esquecer-se - que não é para eu ir e eu vou feita parva.

Pior do que isso tudo é o tempo que eu passo nos transportes. É DEMAIS. Não dá. Já tentei percursos alternativos, e nunca, nunca, demoro menos de 1 hora a chegar de um sítio ao outro. Isso, mata-me, mesmo. Detesto autocarros. Só queria ter 500euros para comprar um daqueles carros bem podres, não interessa, desde que me leve do ponto A ao B!

E a agenda? os post-it's, as notas, as listas.. tenho tantas que às tantas começo a repeti-las.

E é quando tudo está um caos, que o meu computador vai para arranjar. A sério. Disseram que demoraria, no máximo, 30 dias, para mim, 3 dias sem computador é demais. Ainda por cima agora, que tenho 2 ou 3 trabalhos por cadeira, no mínimo um para entregar por semana, e agora que o homem me pôs a responder aos clientes a partir de casa. A minha sorte tem sido o Bruno...sinto-me mal. Ele está aqui em casa há uma semana por causa do pc, porque eu preciso dele, e eu estou fora o dia todo, e ele fica o dia todo em casa. Ele não pode ir para casa sem o pc porque a mãe dele vai chateá-lo, obviamente, e eu não posso ficar sem pc, portanto ele tem de ficar cá...com o pc. mas claro que me sinto mal. não tenho tempo nem para falar com ele e ele está aqui este tempo todo.

Estou cheia de stress, porque tenho demasiadas coisas para fazer, demasiado complicadas, e toda a gente chama por mim, toda a gente de repente quer alguma coisa de mim, e ai de mim se não posso naquele momento (como é o caso da minha avó, que me liga a chorar a dizer que não vou visitá-la há 2 semanas e eu fico a sentir-me shit), e tenho de arranjar não-sei-quantos participantes em 2 dias para uma experiência, e tenho de mandar este e aquele mail com a minha parte do trabalho, e tenho que ter tempo para fazê-lo, para pesquisar e escrevê-lo, e tenho de ler não-sei-quantos artigos para não-sei-quando, e tenho o casting de não-sei-o-que para o Mulher XL, e depois,  e tenho horários horríveis, e perco horas e horas em autocarros - estou tão farta de autocarros, a sério - e é preciso aproveitar todas as horinhas livres para adiantar qualquer coisa, todos os furos e as horas perdidas nos autocarros (quem é que adianta trabalhos nos transportes? eu), e é preciso ter muito jogo de cintura para conciliar tudo, e muitas vezes não consigo, tenho que dar prioridade a umas coisas e deixar outras de lado, e isso chateia-me, detesto deixar coisas de lado, assuntos pendentes, e coisas por resolver.

queria ser uma super-mulher. e ainda me quero inscrever no ginásio e natação! quero ver se consigo...

16 de fevereiro de 2011

' Um dia ainda havemos de ter um pomar inteiro.


No fim de cada ano eu releio sempre as minhas agendas desse ano. (tenho muito a mania das agendas, e das listinhas, e das listinhas a relembrar que tenho uma listinha, faço tudo o que escrevo e escrevo tudo o que faço, é uma espécie de diário, com um compartimento especial para os talõezinhos sem importância daquele dia muito importante, e um código de cores para cada coisa: cor-de-rosa para coisas sociais; verde para coisas pessoais (como médicos, quando comprar a pílula, quando iniciar a pílula, etc.), vermelho para obrigações, cor-de-laranja para coisas da faculdade, amarelo (marcador) para o trabalho, etc. etc.).

Estive o tempo todo a sorrir quando, no dia 31, peguei na minha agenda de 2010 e a revi toda. Nem os maus momentos (devidamente acompanhados de um ":(" ) me fizeram ficar mais triste.

O que quase me levou às lágrimas de emoção foi algo que o Bruno fez durante todo o ano e eu nunca tinha reparado: todos os dias 16 (dia do nosso aniversário) ele fez um desenho ao lado de "X MESES COM BRUNO :)". No primeiro mês, uma semente debaixo da terra; no quarto mês, a semente a tornar-se numa planta; no 6ª mês, período de chuvas, com direito a uma nuvenzinha e tudo; no 8º mês, um sol resplandecente; no fim de tudo, a semente, que tinha crescido para uma planta, era agora uma árvore.

Eu NUNCA ao longo de todo o ano tinha reparado naquilo. Eu reconheci o desenho dele, porque ele tem uma forma muito particular de desenhar (e desenha BEM, MUITO BEM), ele confessou-me que todos os dias 16 sempre que apanhava a minha agenda "a jeitos", sem eu perceber, deixava lá a marquinha. O engraçado é que ele fazia isso porque sim, não fazia questão de me mostrar, de me dizer "olha o que fiz", ele simplesmente foi fazendo, ficou 1 ano à espera que eu descobrisse sozinha, correndo o risco até que eu nunca viesse a descobrir.

Achei lindo de uma forma simples, achei poético, achei inteligente, achei genial, mas sobretudo achei criativo, achei tudo de bom, uma das melhores coisas que já me deram numa relação e que nunca vou esquecer.

O que eu lhe posso dizer, agora, é: acredita, uma árvore vai se transformar em duas, duas árvores em três, três em quatro, até termos um pomar inteiro.

Ainda me perguntam porque é que eu o AMO?! Eu pergunto, como é que eu não hei-de amá-lo. Pode ter muitos defeitos (e tem-nos), mas depois faz estas pequenas coisas... :) aquilo do trabalho irrita-me profundamente porque detesto pessoas preguiçosas e sem ambição, mas por enquanto, enquanto isso não me afecta em termos reais, prefiro aproveitar o namorado fantástico que tenho, que me recebe em casa quando chego cansada de trabalho&escola com um jantar e um chá, e me descalça e me põe as pantufas, e me empresta o portátil porque o meu foi para arranjar, e que neste preciso momento me está a preparar outro jantar. Não podia pedir mais nada [e eu espanco-o durante a noite, lol].

(hoje fazemos) 1 ANO & 1 MÊS.

' Esta noite

estava a sonhar que estava a espancar alguém, virei-me para o Bruno dei-lhe um soco no olho. Quando acordei e me apercebi do que tinha feito (sobretudo dado os gritinhos histéricos dele) foi O RIR.

O RIR.

(é perigoso dormir comigo, reproduzo grande parte dos meus sonhos, dou socos, pontapés, empurro e falo. os meus sonhos são uma óptima forma de me vingar, mentalmente, de quem me irrita e me chateia na vida real, se soubessem a porrada que dou nos sonhos... mas calma, sou uma pessoa calma, pacífica e nada violenta! lol).

14 de fevereiro de 2011

' O nosso "segredo".



Vendo a minha própria relação "de fora", consigo ver que temos uma óptima dinâmica. Todo o mundo que nos conhece diz o mesmo. Aliás, a mim já me chegaram mesmo a dizer que somos "um casal legalize" (amei a expressão).

Porque somos tão diferentes (a sério, mesmo muito, se eu sou dia ele é noite, se eu sou jazz ele é metal, se eu sou fogo com terra ele é qualquer coisa como ar misturado com água), e porque nos damos tão bem. E, sobretudo como é que eu me estou a aguentar tão bem numa relação quando sempre me dei mal com elas no passado, e, melhor ainda, como é que o Bruno, sendo como é, com as ideias que tem, consegue adaptar-se a mim, sendo como sou e com as ideias que tenho, e vice-versa.

À partida, quem nos conhecesse separadamente, NUNCA diria que iríamos dar-nos tão bem.

Mas nós temos um segredo.

Aceitação.

Nós aceitamo-nos mutuamente de uma forma tão natural como nunca na vida eu vi em nenhuma relação, inclusivé relações em que eu já estive inserida.

Isto pode parecer simples, básico e até um lugar-comum, mas para mim é algo raro, difícil de encontrar, e por isso precioso, muito bom, alguém assim, como ele.

Porque eu sou maluca. Sim, sou. Eu tenho ideias malucas. É difícil para alguém com uma mente mais fechada não me conhecer sem me julgar. São raras as pessoas na minha vida que eu sei que não me julgam de forma alguma. Sou daquele tipo de pessoa que ou se adora ou se odeia - se me conhecerem o suficiente. Se só me conhecerem à superfície, talvez fiquem indiferentes. Mas, once you know me, you get to jugde me. Já estou habituada e, sinceramente, pouco me incomoda. sempre adorei e sempre me ri imenso ao ouvir boatos sobre mim. antes ser mal falada do que não ser falada de todo. sou extremamente egocêntrica nesse aspecto.

Quem me conhece o suficiente/há algum tempo, ou até mesmo quem lê o meu blog desde há 2 anos para cá, sabe que a minha forma de pensar no que toca a relações amorosas/passionais é completamente oposta à forma de pensar da maioria das pessoas (aliás, é basicamente no que toca a "tudo", mas nisso é ainda mais extremo). Eu sou a favor das relações abertas; de práticas como orgias e swing; eu tenho 1564866 fantasias impossíveis de realizar ou de deixar alguém com o queixo caído. Para além disso, eu sou demasiado sincera. Eu digo logo tudo frontalmente. Eu digo abertamente: eu era capaz de trair; e por isso, era perfeitamente capaz de perdoar uma traição (isto não quer dizer que vá acontecer). Eu sou capaz de apreciar o corpo de um rapaz e de uma rapariga (sim, que sou uma bi-curiosa à espera para satisfazer a minha curiosidade) à frente dele, e de dizer o que eu faria com ele/a, à frente do meu NAMORADO.

Obviously, a maioria dos namorados mandavam-me dar uma curva, e já me mandaram por estas mesmas razões. Sou demasiado liberal, sou demasiado out of the box, demais para aguentar. Não tenho quaisquer tabus nem nada que não queira experimentar e nada acerca disso é secreto. Mas os meus namorados nunca souberam lidar bem com isso. Ainda hoje um ex me diz, por exemplo, que uma das razões porque acabou comigo foi por eu ter-lhe dito que era capaz de perdoar uma traição (e daí ele inferiu que eu ía traí-lo). Basicamente, já acabaram comigo por eu ser um livro aberto. Mas não aprendi com o "erro". Só esperei que a pessoa acertada para mim aparecesse.

A cena com o Bruno é que ele está ok com isso. Ele simplesmente não faz cenas. Não quer dizer que ele não se importe comigo ou que não goste de mim, porque eu sei que ele gosta muito. Quer apenas dizer que ele soube ver-me com olhos de ver e soube aceitar todo o pacote, não só metade nem só o que lhe convinha! Ele não quer aquela namorada púdica, falsa moralista que se arma em inocente. Ele quer alguém que seja assim, um livro aberto como eu. Ao ponto de eu ter recebido uma proposta indecente para uma passagem de ano a dois no Algarve e eu ter contado tudo isso ao Bruno, todos os pormenores. Se calhar a maioria das gajas ou não falava sequer no assunto, ou dizia que ia com umas amigas e enfim... mas eu não. eu apostei na comunicação e na sinceridade, aliás, defeito de fábrica meu (por vezes pode ser mau). O que é que o Bruno fez? Mostrou tristeza e reticência, claro. E, no fim, disse "se quiseres podes ir, amor. Não te quero prender a nada. Tenho medo de como me vou sentir quando voltares e eu souber que fizeste sexo com ele, provavelmente vou sentir-me muito magoado, mas prefiro que faças isso e não te perder, do que estragar a nossa relação por te proibir de algo, porque eu gosto demasiado de ti para te perder". Todo um discurso à volta disso. Eu não fui. Vou ser sincera: se ele me tivesse "proibido", talvez eu tivesse ido. Porque eu não gosto que me ponham imposições, sejam namorados ou não. Porque eu sou assim. Eu consigo separar sexo de emoções, e naquele caso seria apenas, apenas e só, sexo (para mim), com alguém por quem eu me sinto fisicamente - e só fisicamente - atraída. Mas não. Ele pôs-me tão à vontade que eu perdi a vontade de ir. Sinceramente, ele não merecia sequer que eu o magoasse assim. A aceitação pode ser muita, mas eu também não quero ser abusadora a esse ponto.

Ou seja. A nossa relação é toda ela baseada na confiança, comunicação e sinceridade. O que se torna num ciclo vicioso: eu sou tão, tão, tão sincera com ele, que ele já sabe que pode contar com isso, e já sabe que nunca lhe esconderia nada importante; por saber disso, ele confia em mim, porque sabe que não escondo nada; e eu, por sentir essa confiança da parte dele, perco a vontade de fazer algo de errado, como trair, ou de esconder coisas. O fruto proibido deixa de ser o mais apetecido, porque deixa de ser proibido.

Bottom line is... temos uma dinâmica relacional extremamente saudável. Tanto podemos falar abertamente em traições e comentar um com o outro que "temos que ir àquele bar onde fazem orgias em Melbourne" ao vermos o "69 coisas sexy's para fazer antes de morrer" na Sic Radical, como podemos imaginar-nos velhinhos com 80 anos em casa a fazer malha.

Tenho aquela sensação - e certeza - de que posso falar de absolutamente tudo com ele: ele não se vai assustar se eu falar em casamento, ele não se vai assustar se eu falar em filhos, ele não se vai assustar se eu falar que X Y ou Z me quer levar p'ra cama, ou se eu falar que quero fazer swing, por exemplo. Ele não se vai assustar com nada porque ele aceitou todo o pacote que eu trago, todos os devaneios e as ideias loucas e a imprevisibilidade. ele já está à espera que tudo saia da minha boca.

Nunca tive nada assim na vida, aliás, nunca vi nada assim na vida (só na televisão), não quero, de forma nenhuma, perdê-lo.

13 de fevereiro de 2011

' A principal diferença entre os meus pais.




É que eu enviei isto por mail ao meu pai a dizer "vê isto. lembrei-me de ti enquanto o vi pela primeira vez. sei que tens a sabedoria suficiente para entender a essência deste vídeo". E ele ficou orgulhoso de mim. E ele entendeu, eu sei que sim.

E a minha mãe disse "está giro", "são bons conselhos", "o que é que o filtro solar tem a ver com isto", "isso do filtro solar é verdade, deve pôr-se no verão".

REALLY?! há mesmo alguém que não entende o SIGNIFICADO do "filtro solar" neste vídeo??

Well... (há gente que nunca há-de entender mesmo, com o devido respeito à minha mãe e aos restantes).

eu só sei que este foi um dos melhores vídeos que vi em toda a minha vida e que não me farto dele. passei o som integral (com a voz dele) para o mp3 e tudo, para ouvir todos os dias. não me canso. porque faz tanto sentido. e o melhor? é que, mesmo antes de ver este vídeo, eu já tinha iniciado o processo de mudança.

12 de fevereiro de 2011

' "A Confiança é mais importante que a monogamia."


Acredito em poligamia. Acredito que o ser humano não foi concebido para estar só com uma pessoa. Que isso são ideias puramente construídas pela sociedade. (os gregos é que sabiam bem, eheh). Mas porque raio havemos nós de lutar contra a nossa NATUREZA e biologia???

Acredito, sim, em relações abertas. Acho saudável, acho sinal de confiança e de maturidade, e acho uma boa forma de prevenir mentiras e traições, uma forma de "pular a cerca" de forma consentida mutuamente, e assim de reacender a paixão, a chama! Para quê ficar o tempo todo com uma só pessoa, e desejar outras, e querer outras, querer muito, e não poder fazer nada porque é "traição"? Porquê não abrir logo o jogo, pôr as cartas na mesa, dizer o que se quer na realidade? Por mais que me digam que elas estão logo "condenadas desde o início", ninguém me tira a vontade de experimentar. Aliás, quanto mais me dizem que não funciona mais vontade eu tenho de tentar para ver. Se correr mal, pelo menos posso dizer que já o fiz e não porque outras pessoas dizem/acham. Sempre quis experimentar estar numa relação aberta, e sempre o partilhei com todos os meus namorados, mas sempre diziam que não ou torciam o nariz, ou não se interessavam muito - estranho, achei que "ter" 2 raparigas seria o sonho de qualquer gajo. Finalmente encontrei alguém que também quer experimentar e que acha que seria divertido e, simultaneamente, uma relação mais verdadeira e sincera do que as "convencionais".

Estou - estamos - numa fase relacional muito boa para apostar nisso. Já construímos a confiança, a cumplicidade, a sinceridade, o amor necessário, já estamos estáveis e sólidos para avançar para esse tipo de coisas: algo que desde que me lembro (desde que comecei a namorar) quis fazer!
Essa relação aberta seria a três e seria com outra rapariga.

São mais as vezes que "fantasio" (imagino, vá) com coisas que podemos fazer a três - e não me refiro só ao sexo, mas claro que isso iria ser fantástico, tenho uma exibicionista e uma voyer e uma bi-curiosa dentro de mim, ahah - do que com outras fantasias "a dois" que tenho.

No entanto, esta relação teria que ter algumas regras. 1 - não quero concorrência directa, por isso ela tinha que estar ao mesmo nível que eu em termos físicos e psicológicos; 2 - ela teria sempre de ter consciência que iríamos partilhar muito com ela, mas ela ía ser sempre a "3ª pessoa", uma pessoa "de fora", a "relação original" é minha e do Bruno; 3 - não podia haver crises de ciúmes! tentaríamos estar os três ao mesmo tempo o máximo de tempo possível, mas também podíamos estar "2 a 2" (eu e ela, eu e ele, ele e ela), sem que a 3ª pessoa fizesse cenas desnecessárias...

Ia AMAR ter uma experiência do género... o pior é que NÃO ENCONTRAMOS NINGUÉM!

Não queria nada ter de recorrer à net para encontrar alguém assim à toa que não conhecesse de lado nenhum... mas também não convinha que fosse amiga de amigos, ou alguém que conhecessemos pessoas em comum, caso as coisas dessem para o torto, ia haver falatório desnecessário. Além disso, sou muito picky, em termos físicos; como me acho gira e até "boa", é difícil achar alguém ao mesmo nível que eu (seriously,isto é muito convencido, mas é assim que penso!!)... também preferia que ela fosse loira, que não fosse muito magra, que tivesse determinados atributos físicos, e tinha de ter uma mente aberta, e ser bisexual, e ter um mínimo de inteligência e de maturidade (não quero pitas burras, lol), e isto, e aquilo... o que complica muito a coisa. tenho de cortar em alguns critérios, senão nunca mais!

I SO WANT THIS!!!!!!! O meu coração é grande mais, cabem 2 pessoas, sim, consigo gostar de 2 pessoas ao mesmo tempo... dizem que não, mas é possível.

Vou ver este vídeo todos os dias da minha vida.

11 de fevereiro de 2011

' At Last,

não "my love has come along", mas sim AT LAST, estou a ter cadeiras relacionadas com PSICOLOGIA a sério


porque no primeiro ano - e como em todas as licenciaturas - tinha demasiadas cadeiras chatérrimas, e demasiado gerais, e desinteressantes, e agora estamos finalmente a focar-nos mais no que interessa. fora Estatística, pronto, ainda por cima tenho duas para fazer, mas há sempre uma ovelha negra.

estou tão a adorar!

Aprendizagem, Motivação & Emoção? Hell yeah!

Epistemologia e Pensamento Crítico? Um trabalho sobre até que ponto os governos devem ter privacidade (por causa daquilo da Wikileaks)? Sim! Pensamento crítico é o meu forte, ora essa! e "dão-me para as mãos" um trabalho sobre um tema desses, que é a minha cara. (por causa das minhas teorias da conspiração, dos brain-washing de que somos todos vítimas, da hipnose massiva de que todos sofremos e das sociedades secretas). o último trabalho tão interessante que tive foi aquele do verdadeiro altruísmo (que para mim não existe) vs. egoísmo. O mais engraçado: a stôra com quem temos esta cadeira foi a tutora do meu grupo quando fizemos esse trabalho do altruísmo/egoísmo. Ela decorou a minha cara porque "eu gostava muito de discutir"... ou melhor, debater. quando me viu, na aula, até disse "you really do like arguments", e riu-se. Really!? claro que gosto. adoro.

Psicopatologia? FINALMENTE, vamos dar distúrbios de pesonalidade, de comportamento, e há tantos, e cada um é mais interessante que o outro... são pessoas com estes distúrbios que vamos "tratar", caso vamos para clínica.

SIM! Assim sim, até dá GOSTO ir para as aulas. A sério!

Se já adoravaaaaa o meu curso antes, mesmo com cadeiras chatas, agora ainda gosto MAIS.

E o melhor, é que o trabalho está a correr tão bem, e as aulas também, tenho conseguido conciliar tudo... trabalho, aulas, amigos, namorado, tempo para mim mesma, tenho conseguido arranjar tempo para TUDO sem me desleixar em nada, e ando super motivada!

(e quanto mais ocupada ando, menos tempo tenho para pensar em coisas que não devia e me deixam deprimida. better this way!).

Estou contente. E motivada. Até para fazer a porra da Estatística. (tenho que aproveitar esta onda de motivação).

Estou tão contente que esta noite, ainda que chuvosa, merece COMEMORAÇÃO.

Muaah @

9 de fevereiro de 2011

' O que fazer antes de morrer - Bucket List II

Esta é uma actualização da minha lista das coisas que eu quero fazer antes de morrer daqui: http://ahotclick.blogspot.com/2010/06/o-que-fazer-antes-de-morrer-bucket-list.html

Venho actualizá-la porque entretanto cumpri alguns objectivos e lembrei-me outros!

Ora então...



O QUE FAZER ANTES DE MORRER

  • Ser escoteira (esta já está, mas ficava bem na lista) 
  • Tirar a carta de condução; (esta também já está, mas escrevi a lista antes de a tirar)
  • Encontrar a minha vocação
  • Desenvolver alguma aptidão artística para expressar as minhas ideias e a minha energia criativa
  • Fazer um retiro espiritual
  • Acabar o curso de Psicologia (tirado por gosto pessoal);
  • Fazer Erasmus em Holanda escrever um livro enquanto lá estiver, com o título "De Lisboa a Amsterdão: 5 minutos".
  • Tirar outros cursos por gosto pessoal, por hobbie, ou porque me apetece;
  • O projecto Mulher XL faz parte dos hobbies, coisas que faço por interesse, porque gosto pessoal, mas gostava que ele fosse algo para investir num futuro, como um negócio, por exemplo;
  • Antes de viver sozinha, partilhar a casa com amigos. Ia ser a loucura, tenho que experimentar isso pelo menos uma vez na vida;
  • Alcançar a independência financeira (=viver sozinha, com um cão, e trabalhar em algo que goste, que me realize e ganhe bem) antes dos 28 anos; e, por essa altura, dedicar-me à vida profissional mas nunca descorar da amorosa/pessoal/social;
  • NÃO ME CASAR e, só se realmente vir que vale a pena, juntar-me com alguém, mas só depois de uma boa temporada a viver sozinha;
  • Ser hospedeira de bordo em aviões e cruzeiros só porque sempre tive curiosidade e porque se ganha bem e é uma forma de juntar dinheiro em pouco tempo;
  • Fazer um cruzeiro;
  • Fazer um interail;
  • Viajar bastante e visitar, no mínimo, estes sítios:
- Moçambique para conhecer a minha família paterna
- Brasil
- Austrália
- Países quentes e tropicais
- New York
 - Manhantan
- (antigos) Campos de concentração de Auschwitz e museu da Anne Frank
- Red Street - Holanda
  •  Aprender a dançar Tango Argentino;
  • Fazer uma tatuagem num sítio discreto;
  • Pintar o cabelo de ruivo só para ver como fica;
  • Comer sushi; (já está)
  • experimentar todas as comidas do mundo
  • Aprender a cozinhar decentemente, e, sobretudo, aprender a gostar de cozinhar… ou lose my kitchen phobia;
  • ganhar o hábito de fazer exercício físico, mesmo que moderado
  • Perder o medo das abelhas;
  • Conseguir deixar as unhas crescer o suficiente para ficarem bem pintadas;
  • Experimentar sexo com uma pessoa do mesmo sexo;
  • Experimentar sexo “a 3”;
  • Experimentar uma relação aberta a três;
  •  Escrever e publicar, no mínimo, um livro - mas já tenho ideias para mais 3 para além do que eu já compilei "Uma Janela Aberta";
  • Manter para sempre um blog pessoal;
  • Plantar uma árvore;
  • Aí com uns 34/35 anos, quando já vivi tudo o que tinha para viver sozinha e tiver dinheiro junto, quero ser mãe solteira (no sentido de não estar casada e isso de estar junto é uma coisa a ver), de duas meninas (sim, quero raparigas, não rapazes), e dedicar-me de corpo e alma a elas, totalmente, a 100%, criando duas pessoas iguais a mim, tipo mini-eu; se puder, adoptar um rapaz; os meus filhos iriam ser criados de forma a que tivessem uma mente aberta, fossem "cidadãos do mundo", terem a capacidade de se questionar acerca das coisas e não aceitar tudo como é sem perguntar porquê, e ia investir na educação artística deles;
  • Deixar de fumar quando engravidar;
  • Apoiar as minhas filhas em todas as suas escolhas, e ter netos;
  • Antes de morrer, fazer as pazes com todas as pessoas de quem guardei ressentimentos; quero morrer livre deles;
  • Morrer antes de chegar àquele ponto em que já não consigo fazer as coisas sozinha, quando estiver muito velhinha (ou se tiver alguma demência mental que implique eu ser vigiada 24h por dia por alguém);
  • Até morrer, fazer algo de marcante, deixar a minha marca no mundo - de forma positiva;
  • Rodear-me de mentes brilhantes, pessoas inteligentes, que me estimulem intelectualmente, num ambiente com elevado nível espiritual e artístico.
Claro que não vou colocar o tão cliché "ser feliz", porque feliz já sou e sempre defendi que a felicidade está no presente, no aqui e agora, e não no futuro nem no "quando...".



DEPOIS DE MORRER
  • Quero ser cremada;
  • Tudo o que eu tiver vai para as minhas filhas e filho adoptivo;
  • Se alguém tiver a password do meu blog, vir cá anunciar que eu morri. 
Muaah @ 

8 de fevereiro de 2011

' Decisões II

Hoje acordei com energia, há muito tempo que não acordava com tanta vontade de sair da cama e viver a vida, mas sobretudo conquistá-la, sei que sou capaz e tenho vontade disso. Ontem à noite chorei até adormecer, mas foi a última vez. Ninguém merece as minhas lágrimas, por muito amor, confiança, respeito e consideração que eu tenha por essa pessoa.

Hoje senti-me particularmente confiante. Senti-me mais alta, mais magra, mais sexy, mais gira. Trabalhei um pouco de manhã, fiquei nas mesas da frente em todas as aulas, estou determinada a estar com atenção, acompanhar tudo desde o início e ter boas notas.

Precisava de conduzir, é uma das coisas que me liberta para além de escrever, e hoje a minha mãe deixou-me ir a conduzir até à faculdade, e disse-me "se gostares de Holanda enquanto estiveres em Erasmus, eu mudo-me para lá e ficamos lá a viver", soube-me bem ouvir isso, estou farta de Portugal, sinto que o meu futuro está lá fora. Mesmo que volte para Portugal depois disso, um dia hei-de sair for good.

Decidi que não quero mais ficar chateada e preocupada com ele, ele que faça o que quiser da vida, as escolhas são dele. Hoje tinha muitas saudades dele, ele foi a minha casa, enquanto fazíamos as pazes só pensava, Não quero abdicar destes momentos, se tenho coisas tão boas com ele porque hei-de estar a preocupar-me com um futuro que não é meu, só me faz ficar com rugas e eu devo morrer cedo. Se ele quiser faz, senão não faz, estou farta de ser mãe do meu namorado, vou começar a pensar mais no meu futuro e não num "nosso" que nem sequer sei se existe. Gosto muito dele, mas primeiro venho eu, e porra, não vou deixar que um GAJO estrague a boa auto-estima que sempre tive. Este namoro é fantástico e tenho coisas que nunca tive, por isso, por agora, vou aproveitar, se no futuro dá ou não dá, logo se vê, "deixemos para amanhã o que ao dia de amanhã pertence", já dizia o meu génio José Saramago.

Para a semana, no máximo, vou inscrever-me na natação, estou decidida a mudar o meu estilo de vida sedentária.

Estou decidida a mudar esta merda toda, sem que nada me impeça, e muito menos, a atitude de alguém que não vê nem quer ver que só se está a prejudicar a si mesmo.

E hoje, porque precisava de me distrair, tenho cá as pessoas que sempre me apoiaram em tudo e tenho a certeza que sempre o irão fazer. Um gigante Obrigada a todos eles.

Muaah @

7 de fevereiro de 2011

' Decisões.



Devido aos últimos acontecimentos, hoje fiz mais ou menos um plano geral dos meus planos a longo-prazo para os próximos dois anos (e qualquer coisa, uns meses). Afinal, eu preciso dar um jeito na minha vida!

TRABALHAR (part-time que já arranjei) + AULAS (2º ano Licenciatura, que já começaram) - juntar dinheiro (de hoje até Julho/Agosto 2011) --> ERASMUS em HOLANDA (Setembro 2011) --> voltar a Portugal (Janeiro/Fevereiro de 2012): AULAS (3º ano Licenciatura) + TRABALHAR (o mesmo part-time, ou outro) - juntar dinheiro/repôr os estragos financeiros do Erasmus --> COMPRAR UM CARRO em 2ª mão com meu dinheiro (por volta do Verão de 2012) --> TRABALHAR MAIS + Acabar LICENCIATURA Psicologia (já decidi que vou tirar um ano extra para cadeiras que vou deixando em atraso e que de certeza que vou deixar em Erasmus, um ano a mais não me faz confusão e ainda me dá mais tempo para pensar no que quero realmente, que ainda não tenho a certeza) (portanto, até ao fim do ano lectivo de 12/13, em 2013) --> TRABALHAR + MUDAR-ME PARA CASA DA VERA (sempre quis partilhar casa com uma amiga, a Vera é a ideal (ela concorda), mas claro que isto só para daqui a coisa de ano e meio). Nessa altura já vou ter 23 anos. E eu que já me sinto velha e ainda não fiz os 21.

Mas claro que há um plano B: caso não seja colocada em Erasmus este ano, saltar essa etapa e fazer tudo o que está planeado para depois disso, e candidatar-me depois no último ano de Licenciatura.

Para além desses planos gerais, também decidi coisinhas mais pequenas, como por exemplo, vou começar a fazer exercício físico, não que queira emagrecer, porque adoro o meu corpo como ele é, mas sim por uma questão de saúde. Por isso queria inscrever-me em aulas de natação, e natação porquê? porque não me faz suar, e uma das razões por que eu detesto desporto/exercício é mesmo por isso, porque detesto sentir-me nanhosa cheia de suor.

TENHO UM MUNDO PARA CONQUISTAR!... não quero ficar para sempre na casa da mamã e a ter de pedir 15 euros todos os meses para comprar o passe do autocarro. estou muito farta disso. E também estou farta que ponham em causa e/ou contestem as minhas decisões e opções, ou que me digam o que "devia fazer". O que devia fazer só eu sei.

Quanto ao assunto de baixo, estou a dar-lhe o Silent Treatment e não falo com ele, não atendo as chamadas, não respondo às sms's. Para ver se é desta que ele acorda e que eu vou fazer pela minha vida, se ele não quiser fazer pela dele... eu tenho de continuar, acompanhada ou sozinha, no fim das contas a única pessoa com quem posso contar verdadeiramente é comigo mesma. Preferia acompanhada, por ele, claro, gosto tanto dele!... Mas não acredito em "amor e uma cabana", sinceramente, o amor não chega. Hoje vi que ele se inscreveu nalgumas cenas, mas vê-se logo que nem sequer leu: inscreveu-se para coisas na Venda do Pinheiro e em sítios que nem sequer ficam em Lisboa nem perto de onde ele mora. ele fez isso por causa do meu Silent Treatment, não porque quis realmente, não porque esteja realmente interessado, nem sequer leu a oferta. Não gosto de ser a má da fita, por isso vou lavar as minhas mãos desse assunto. O que quer que aconteça agora está nas mãos dele.

Custa muito, sinto-me angustiada. Andei o dia todo com um nó na garganta e um aperto no coração, porque não me faz sentido, neste momento, acabar com ele. Provavelmente, está na altura de começar a pensar em deixar esfriar as coisas por si mesmas. Mas ainda estão muito quentes, e já estou com saudades dele. Custa-me sequer pensar nisto, porque há coisa de um mês atrás, e apesar de tudo, eu achava mesmo que ia ser para sempre. Apetece-me chorar só de pensar que é cada vez mais possível, e nunca foi tão possível na minha cabeça, acabar com ele. É o que menos quero.

Mas também me sinto com vontade de mudar a MERDA DE VIDA QUE TENHO TIDO. Ele tem sido a minha felicidade em quase tudo, mas e agora, que quero evoluir na vida? Não posso ficar presa a uma pessoa que não quer evoluir comigo. Até podia deixar andar, que é o que vou fazer por agora, e para de me preocupar com coisas que não é suposto ser EU a preocupar-me, mas estou numa fase em que não consigo deixar de pensar no meu futuro. Sinto-me triste mas com energia.

E se eu não começar a pensar na minha vida e a começar a construi-la AGORA, quando será?
Já não sou nenhuma criança e está na altura de tomar algumas decisões a sério, parar de ver a vida a passar-me ao lado e começar a vivê-la.

(mas queria vivê-la com ele... sou uma romântica incurável, não dá para mudar isso, o coração ganha sempre à razão).

6 de fevereiro de 2011

' How can I deal with this?



O Bruno é o namorado mais impecável que a Cláudia alguma vez teve e possivelmente irá ter. Trata-a como uma princesa, faz tudo o que ela quer (e que acha razoável), nunca a deixa na mão, dá-lhe atenção q.b., não a troca pelos amigos (been there, done that), aceita-a como ela é, com o seu passado, e os seus defeitos, e as suas ideias malucas (been there, done that), nunca se esquece dela (been there, done that)... enquanto namorado, no Bruno, a Cláudia não podia pedir absolutamente mais nada!

Só que o Bruno também é preguiçoso e falta-lhe muita ambição. Não faz nada e também não parece querer fazer. É muito "deixa andar", não tem sonhos, não quer nada out of life, não se esforça para nada. O Bruno está à procura de trabalho há 5 ou 6 meses, depois de ter chumbado o ano e ter ficado com o 12º incompleto porque "não gostava de estudar" e porque era demasiado preguiçoso para se levantar de manhã e ir às aulas. O Bruno não está em posição se ser picuinhas, mas é. Não gosta disto, não gosta daquilo, não quer fazer X, não quer fazer Y, acha que é uma diva e que as pessoas é que precisam dele para trabalhar, e não o contrário, ele não precisa de ninguém para trabalhar. O Bruno fica contente quando entrega 30 curriculos no centro comercial num dia, sente-se realizado, não percebendo que isso não vai valer de nada, e por muito que a Cláudia lhe diga que é mais provável conseguir algo respondendo ao máximo de anúncios pela net, ele ainda tem a lata de dizer "isso não é o meu género, prefiro entregar pessoalmente nas lojas", lá está, ele é demasiado importante, não vai rebaixar-se ao ponto de fazer o que não gosta, pois claro está. O Bruno quase nunca tem dinheiro para ir ter com a Cláudia, sequer. É sempre a Cláudia que paga as coisas ao Bruno, seja para ir ter com ela, seja porque ela está farta de estarem sempre em casa e querer sair, seja para ele ir entregar mais curriculos. A Cláudia inscreveu-o em 26 empresas de trabalho temporário e perdeu um dia inteiro nisto. A Cláudia - com a devida autorização, claro - vai ao email do Bruno todas as noites enviar curriculos para aqueles sites de classificados online. A Cláudia vai com o Bruno às entrevistas, preenche as fichas de inscrição por ele porque "a caligrafia dele é feia" e a dela é bonita, a Cláudia diz como é que o Bruno tem de falar e estar numa entrevista para causar boa impressão. A Cláudia é, basicamente, mãe do Bruno.

Mas a Cláudia não quer ser mãe do Bruno, quer ser apenas e só namorada dele, e sinceramente está a ficar farta dessa situação. A Cláudia não quer ter de se preocupar com o que não tem que se preocupar, melhor, a Cláudia não tem de achar que o facto de sair de casa e conquistar o mundo é mais importante do que o Bruno.

Mas o Bruno continua, na mesma. Recusa trabalhos por causa dos horários, por causa da localização, ou simplesmente porque era num armazém onde implicava ele ter de subir escadotes e ele tem medo das alturas. E, como sabe que eu vou dar-lhe na cabeça por causa disso, esconde sempre essas situaçõezinhas, eu tenho de descobrir por outros meios. E, várias noites, depois da Cláudia estar HORAS em frente ao pc a inscrever o Bruno em ofertas online, quando liga ao Bruno a esclarecer essa situação, ele diz "mas eu faço, eu faço, eu inscrevo-me", mente com todos os dentes que tem na boca. "Não pressiones", diz ele, então a Cláudia resolve então não pressionar para ver se é isso que funciona, semanas depois de não-pressionar, a Cláudia volta ao email do Bruno e vê que ele, que teve todos esses dias de todas essas semanas livres e sem nada para fazer, não se inscreveu numa única oferta, muitas vezes nem sequer abriu o mail, então a Cláudia diz "se eu não te pressionar tu não fazes nada". Ele diz "eu faço", e assim se dizem duas mentiras num espaço de 5 minutos. É tão irritante e frustrante para a Cláudia quando ele diz isso, porque é contrariar o óbvio. É como se lhe perguntassem "de que cor é esta banana", e ele dissesse "é azul".

A Cláudia resolveu não pagar nada da celebração do 1º aniversário de namoro, porque já estava farta de pagar tudo. Na verdade, a Cláudia estava a querer testar o Bruno, a ver se ele assim reagia, se caía em si de uma vez por todas, mas o Bruno não reagiu nada, porque por ele basta-lhe estar com a Cláudia, mesmo que seja uma semana seguida em casa a comer, a foder e a ver televisão, ele só quer estar com a Cláudia, mais nada. A Cláudia resolve, de vez em quando, fazer fita e chorar, até o Bruno prometer que vai mudar, mas nunca muda nada. A Cláudia já chegou ao ponto, e mesmo que lhe doesse mesmo muito, de dizer que ia acabar com o Bruno se ele não mudasse de atitude. Ele não mudou nada. Mas prometeu. Ou mentiu. E a Cláudia não tem coragem de acabar com ele, porque gosta demasiado dele, porque está demasiado apaixonada, porque a vida já não faz sentido sem ele, porque não acha que "trabalho" e "dinheiro" sejam razões válidas para acabar um namoro com todas as coisas óptimas que eles têm, se bem que essas não seriam as razões verdadeiras, mas sim, a grande razão seria "porque eu quero algo da vida que tu não queres e assim não vale a pena investir emocionalmente numa coisa que não vai dar no futuro". A Cláudia está, por assim dizer, cega pelo amor, ou pela paixão, ou o que seja que lhe queiram chamar, a Cláudia prefere continuar porque, de momento, no imediato, este namoro dá-lhe mais vantagens do que desvantagens. Mas a Cláudia também tem momentos de clarividência, como agora, por isso é que está a escrever na 3ª pessoa, a ver-se de fora, a sua figura estúpida e de idiota. Sente muitas vezes que se acomodou por achar que não vai encontrar alguém melhor para ela, e que vai ficar meses a chorar se isto acabar.

O Bruno ouve sempre tudo o que a Cláudia diz, dá-lhe sempre razão, na maioria das vezes calado, nunca contesta, só muito de vez em quando diz que eu estou a tentar mudá-lo. Mas a Cláudia não está a tentar mudá-lo. Ela está apenas preocupada com o futuro dele e, sobretudo, com o nosso, se houver um nosso.

Nesta altura do campeonato, o facto de ele trabalhar ou não não me faz grande diferença. Quero lá saber se ele está a estudar ou a trabalhar na Worten, ou num call-center merdoso. O que me faz diferença, é a atitude. Só a atitude em si. É o eu pensar no futuro e chegar à conclusão que nunca ía funcionar, que eu a uma certa altura iria querer a minha independência, iria querer viver com o meu namorado, iria querer construir a minha vida, mas em vez disso, ía ter uma espécie de filho, que não fazia nada, que ficava o dia todo a ver televisão, que eu ía bancar tudo. O Bruno acha que isto não vai acontecer, mas se ele não mudar de atitude é o que vai acontecer mesmo. E eu não quero ter um filho agora, e não quero ter um namorado que, apesar de fantástico em todos os aspectos que "namoro" implica, me faz pensar demasiadas vezes que ele não é o homem da minha vida e que, se assim é, porque estão então a alimentar uma relação assim. E eu quero estar numa relação em que penso que ele é o homem da minha vida, como muitas vezes já pensei com o Bruno (e muitas vezes ainda penso).

Porque é que eu me sujeito a isto, pergunto eu? Porque eu nunca desisto. Eu nunca desisto de nada. Lá está, uma das grandes diferenças entre nós. Eu não vou desistir enquanto ele não meter na cabeça que tem que deixar de ser mimado e picuinhas e fazer alguma coisa da vida, nem que seja vê-lo a responder a anúncios na net sem eu ter quase de o obrigar. Mas, acima de tudo, porque o amo. Porque gosto mesmo muito dele. Porque quando nos beijamos o mundo pára. Porque o abraço dele é um dos melhores sítios onde posso estar no mundo. Porque não me larga quando eu estou amuada, enquanto eu não sorrio. Porque nunca desiste de mim. Porque mais ninguém iria partir-me os ben-u-rons quando eu estou doente, ou vir para minha casa de propósito quando estou a sentir-me carente, ou acordar-me com uma torre de panquecas com chocolate e morangos, ou acordar durante a noite para me ir buscar coisas se eu pedir. Porque me sinto em segurança, em paz, quando estou com ele. Porque estou muito apaixonada. E a paixão é uma merda quando temos de parar e tentar pensar com alguma objectividade.

Porque é que eu tinha que me apaixonar por alguém que não quer o mesmo que eu da vida?

Faz-me confusão pessoas com esta atitude. "Só" isso. Faz-me confusão e sempre tentei "fugir" delas, o que acontece quando estou apaixonada por alguém assim? Been there, done that também, no passado, e não gostei.

Se há dias em que me apetece ficar com ele para sempre, outros há em que apetece-me espancá-lo, e bater com a cabeça dele contra uma parede, para ver se os parafusos vão todos ao sítio onde deviam estar.

O que é que eu faço? Não sei. E hoje escrevo isto, porque estou muito magoada. Muito mesmo. Estou quase a chegar a um limite.

4 de fevereiro de 2011

' Encontrei o part-time perfeito para mim.

Eu já estava mentalizada que o meu único remédio era meter-me num call-center, a aturar pessoas chatas que ligam por causa de avarias, ou a ser eu a chata e a ter de ligar para casa das pessoas a vender coisas. detesto falar ao telefone (não sei porquê), e um call-center seria o meu pior pesadelo, no entanto, na net não encontrava mais nada em part-time sem ser isso...

Fui a entrevistas e mais entrevistas, estava desanimada, sabia que me ia meter numa coisa que me ia arrepender mais tarde ou mais cedo, ficar 4 ou 5 ou às vezes 6 horas a fazer algo que detesto por uns míseros 300euros ao fim do mês... mas não estava em posição de ser esquisita nem picuinhas, estou nas lonas no que toca a dinheiro. Além disso detesto aquelas empresas de trabalho temporário... tratam as pessoas como se fosse números, ou máquinas de fazer dinheiro. Não se preocupam minimamente com as necessidades dos trabalhadores, "quem está mal que se mude", mas, pior, eles estão completamente a cagar-se para nós. Quantas vezes não me chamaram e ficavam altamente surpreendidos por eu "Não ter experiência em call-center", com o ar mais escandalizado do mundo, como quem diz "se não tens experiência em call-center porque vieste cá", quando está estampado no meu CV que NÃO tenho experiência em call-center. então mas estão parvos ou quê? enviei o meu CV para quê? para gastar papel? não podem dar pelo menos uma vista de olhos 5 minutos antes da entrevista? e o que fizeram ao Bruno? fizeram-no gastar montes de dinheiro para ir a 4 - QUATRO - entrevistas, e na última, quando era suposto dizerem-lhe se ficava ou não, disseram só "ligamos se ficar, mandamos mail se não ficar, ainda hoje". passou uma semana e ele ainda está à espera do email.

Andei em Gestão de Recursos Humanos. Foi só um ano, aliás, mal foi um ano, que eu estava a cagar-me para aquilo, mas sempre aprendi alguma coisa. E se houve coisa que aprendi é que as pessoas precisam sentir-se seguras e úteis à organização, não pessoas descartáveis e substituíveis e simples meios humanos para atingir lucros. Quando as pessoas se sentem úteis e "appreciated", elas tendem a ter uma melhor performance, o que é obviamente bom para a empresa, e isto está estudado e comprovado empiricamente. Essas empresas de trabalho temporário só fazem perder o tempo das pessoas e não respeitam ninguém.. "ah e tal não tem experiência em call-center", eu penso sempre para mim mesma, primeiro: há formação; segundo: se não tenho experiência por algum lado hei-de começar, não? já para não falar que nos fazem perder dinheiro, tempo e paciência (sim, que eu detesto dinâmicas de grupo, digo desde já, aquilo faz-me lembrar reuniões de alcoólicos anónimos, "olá eu sou a Cláudia") e muitas vezes fazem-nos ir lá váááárias vezes, e depois nem ai nem ui, nem sequer um "não" por email! god...

Mas, adiante. Andava eu nessas vidas, até que, uma bela noite, surgiu-me a ideia de colocar no "search" daqueles sites de classificados, "part-time Belém" ou "part-time Restelo", enfim, part-times que ficassem perto de minha casa. Encontrei um anúncio que dizia "part-time na área do turismo, pode ser jovem universitário, 1 a 4 horas por dia". Confesso, ao início pensei que fosse daquelas tretas que aparecem aí, "trabalhe a partir de casa e fique rico!", "fique rico só de clicar em anúncios, é só uma hora por dia!", e outras tretas do género, por estar escrito "1 a 4 horas por dia". Mesmo assim, dei o benefício da dúvida e enviei o meu CV. No dia a seguir recebi mail deles a perguntar a minha disponibilidade para marcar reunião, eu disse o dia e a hora a que me dava mais jeito - isto é um bom presságio, eles deram-me a opção de ir à entrevista quando me desse jeito, e não fixaram uma hora, como nos outros sítios. Presságio porquê? Veremos mais adiante.

O dia e a hora chegaram, saí de casa 20 minutos antes e cheguei lá 5 minutos mais cedo, há algo melhor do que um trabalho a 15 minutos de casa? Ouro sobre azul, pensei. Primeira entrevista, era um velhote (nos seus 70 anos) mas todo para "a frentex" com uma genica que só ele, e a filha dele, falaram, falaram, falaram, a entrevista durou (só) 2 horas. Gostaram de mim. Disseram que de todas as respostas só me tinham chamado a mim porque "deduziam pelo CV que eu era responsável e matura" (o meu CV está brutal, modéstia à parte). Marcaram para o dia seguinte. Dia seguinte, que foi hoje, eu estava lá.

FIQUEI COM O TRABALHO. Quando, ao fim de apenas 2 horas, alguém diz que eu fui "excepcional" é muito bom.

Em que consiste, perguntam vocês? Ou não, porque isto não tem interesse nenhum para as vossas vidas. Aquilo é uma "empresa" familiar, tudo entre família, só têm uma rapariga que como eu é "de fora". Têm ar de ser ricos, têm apartamentos na zona da Baixa e alugam-nos a turistas. O que eu faço é basicamente gerir a carteira de clientes. Ir ao email, responder aos mails, fazer reservas, arquivar emails importantes, manter o contacto, etc etc.

O que isto tem de bom é que: é simples (aprendi a mecânica da coisa em 2 horas, hoje, por isso é que ele achou "excepcional", porque achava que eu ainda ia demorar mais tempo, mas felizmente sou uma pessoa de rápida e fácil aprendizagem), é de certa forma interessante, é uma coisa que eu até nem desgosto, já para não dizer que gosto (adoro organizar, arquivar, reservar e tudo o que tem a ver com tarefas de secretariado!), pagam-me o mesmo que me pagariam num call-center.... mas o melhor, o melhor de tudo? NÃO TENHO HORÁRIOS. Ou seja, o trabalho tem que aparecer feito, mas eu não tenho de "picar o ponto" a nenhuma hora específica. O que o senhor quer é, basicamente, uma assistente pessoal que trata das tarefas mais burocráticas porque, segundo ele, "já está a ficar demasiado velho para isso e atrapalha-se com os computadores". Obviamente que não ando ai ao deus-dará. Há um local de trabalho e de vez em quando eu tenho de passar por lá. Mas, pelo que vi hoje, não é mais do que duas horas por dia, se numa hora (no máximo) eu respondo aos emails desse dia, arquivo os mais importantes, envio informações, preços, disponibilidade... Ele próprio disse, "isto é muito simples, não é nada do outro mundo, não há um horário específico a cumprir, umas vezes mais horas, umas vezes menos, conforme o que aparece, o tempo não interessa, o que interessa é que o trabalho seja feito, mesmo que, por exemplo, um dia não possas ou não queiras vir e o faças a partir de casa, pelo email" (REALLY?! há melhor que isto?), às horas que eu quiser, nos dias que me der mais jeito. Por exemplo, ontem fui sair e sabia que ia chegar super tarde a casa, por isso liguei a ele para adiar a nossa "2ª reunião" para as 12h em vez de para as 11h como tinha ficado combinado, e ele para além de levar na boa, ainda me perguntou se eu não queria ir só mais tarde, era como me desse mais jeito! Isto acontecia em mais algum lado? Nunca! Entrava àquela hora e ponto final. Se quisesse dormir, que não tivesse ido para a rambóia. (e eu a achar que teria de abdicar da minha vida social quando começasse a trabalhar).

Isto parece demasiado perfeito, claro. Eu até já tentei encontrar defeitos, mas não consigo. Se calhar estou iludida, mas até agora parece-me óptimo.

Além disso, aquilo é muito boa gente. Hoje tive de ir trabalhar para o escritório de casa do senhor, porque ele não tinha internet no escritório. Nunca vi tal preocupação na minha vida: se estava confortável, se me ajeitava com o computador, se queria almoçar (quando chegou a hora do almoço), se tinha frio, se tinha calor, para "não fazer cerimónia, porque estamos em família", enfim... O senhor - e a filha - pessoas super descontraídas, mas educadas ao mesmo tempo, com classe mas não de "nariz empinado", enfim, a expressão certa para o que eu vi ali é: SUPER BOA GENTE! Senti-me, literalmente, em família... alguma vez eu iria sentir isso num call-center?

Eu não sei como me caiu do céu algo assim, juro. Um part-time em que eu não recebo assim tão mal, tendo em conta que é part-time, que não tem horário fixo - ele simplesmente me pergunta "a que horas dá jeito amanhã à Cláudia", e tanto pode ser às 8h como às 12h como às 16h, e tanto posso ficar lá 3 horas como só meia-hora, lá está, conforme me dê mais jeito - com muitas coisas que posso fazer em casa ou onde quer que esteja com um computador e ligação à net, em meia-hora... é, portanto, perfeitamente conciliável com aulas e com tudo o mais que eu queira fazer no dia-a-dia, até já pensei que com isto era possível eu ter um outro part-time fixo, dava tempo para os dois, mas também não quero abusar, um chega. e também adoro o facto de não ser pago por horas de trabalho, porque normalmente nestas cenas é "recebes as horas que trabalhas", mas não, ele estabeleceu um valor fixo, quer eu trabalhe 20 horas por semana, 30, 40, ou 7 (1h por dia). o trabalho só tem de aparecer feito, de preferência sem falhas (como por exemplo reservar dois clientes para o mesmo sítio e mesma data - eles dizem que é a pior falha que eu posso cometer). Mas como eu sou responsável e altamente organizada (e quem me conhece, sabe disso), é muito difícil que eu deixasse escapar uma coisa dessas. Estou confiante em mim mesma e eles também pareceram estar.

Resumindo e concluindo: não é o trabalho ideal para mim, porque obviamente não vejo o meu futuro nisso. Mas, tendo em conta as circunstâncias e o contexto em que me encontro agora, um part-time com horário (mais que) flexível, um ambiente de trabalho que eu nunca vi na vida e a questão do próprio trabalho ser simples e fácil e rápido de realizar, é quase perfeito. É mesmo perfeito. "Aliciante e motivador". Foi como se eu tivesse escrito um texto a dizer aquilo que eu queria exactamente nesta altura, sendo estudante universitária e querendo investir no meu futuro, no meu erasmus, nos meus projectos, nas minhas coisas, mas ao mesmo tempo querer ter tempo para mim, e fazer aquilo que, dentro do possível, gosto e me é fácil realizar, e alguém tivesse pegado nisso e tivesse fabricado um trabalho feito à medida.

Muaah @

A Vera diz que eu "Nasci com o cu virado para a lua" e que tenho uma sorte que só ela, eu acho que tenho sorte porque as oportunidades aparecem-me sim, mas eu também vou atrás delas, há ai muito mérito e trabalhinho meu.

2 de fevereiro de 2011

Estava na paragem à espera do autocarro, a ler Caim, de José Saramago, esse grande senhor, não o senhor de que o autor fala com uma ironia, uma crítica e um sarcasmo subtilmente geniais, mas sim esse grande senhor que era Saramago, e a preparar-me para tirar o cigarro-de-espera-do-autocarro, uma senhora com um ar simpático aparece e diz, Menina, posso falar um pouco consigo, enquanto espera pelo autocarro, ela tinha um ar simpático, eu acho as senhoras idosas extremamente fofinhas, apesar de saber que era uma testemunha de jeová não disse que não, e aí se deu o momento do dia que me vai servir de reflexão para o resto da semana. Ela diz, Menina, acredita em deus, Não, Mas acredita nalgum deus, Acredito no meu deus, sou espiritual, Acha que há um ser superior, portanto, mas não sabe qual é, Sim, Mas sabe que essa entidade superior tem um nome, Sim, Sabe qual é, Deus, Não minha querida, deus é um título, nomes só há um, Qual, Jeová, Hm, Quero dar-lhe a ler algumas passagens da bíblia, Está bem, e ela desfolha a bíblia, parece que sabe as páginas de cor, de trás para a frente e de frente para trás, não leva mais do que 2 segundos para chegar onde quer, dá-me a ler as passagens exactamente que descrevem o que ela me queria transmitir. Ela falou durante o tempo todo, sempre muito preocupada, Olhe o 745, não é este o seu autocarro, Não não, digo eu, com ar de quem não está muito preocupada, de 3 em 3 minutos ela diz, Olhe, não é este o seu autocarro, estava ela mais preocupada do que eu, eu que não tenho pressa para apanhar autocarro para lado nenhum, ela que acredita que eu tenho, no fundo, um destino, eu que não sei para onde vá, ela que acha que eu vou a algum lado. Claro que isto tem um sentido metafórico. Eu olhava para ela e pensava para comigo mesma, Ela tem um ar tão feliz, eu tenho um ar tão perdido, se calhar ela um dia já esteve como eu, revê-se em mim, não sabia em que acreditar, não sabia se havia de acreditar em algo ou se realmente havia algo para acreditar, não tinha nenhum autocarro para apanhar, encontrou a sua resposta na bíblia, a cara dela cheia de rugas dizem-me que muita experiência tem já, mas uns olhos brilhantes e resplandecentes de uma criança dizem-me que acabou de ver o mundo pela primeira vez e o acha maravilhoso, não consegue ver o mal, uma inocência de quem acredita profundamente naquilo que diz, numa ingenuidade profunda, feliz, uma alma completa foi o que vi naqueles olhos. Desafiei-a, Então diga-me lá, adão e eva foi quem deu origem ao mundo e ao que somos e conhecemos hoje, Sim querida, Eles reproduziram-se e tiveram dois filhos, Sim querida, E depois como é que os filhos deles se reproduziram para dar continuidade, tiveram de copular entre si, Sim, Então mas o incesto é um pecado, Sim querida mas naquela altura não era, não havia mais ninguém na terra, o senhor permitiu que assim sucedesse, como ele disse, crescei e multiplicai-vos. Não a contestei mais, apesar de achar esta uma das questões mais controversas da religião cristã, um pecado deu origem a tudo e agora é completamente condenado. Não quis destruir a ilusão nos olhos dela, mas resolvi desafiá-la novamente uns minutos mais tarde, enquanto ela falava no dia do juízo final, em que todos os maus iam morrer mas os fiéis iam ser salvos pelo senhor, e falando em todas as catástrofes mundiais, Então acha que a história do mundo se divide em fases, há pessoas, e depois há uma catástrofe, como a torre de babel que destruiu uma cidade inteira ou a inundação mundial que levou a que noé construisse a arca, e só um número limitado de pessoas merecedoras sobrevive, Sim, Também acho. Este também acho não foi de total concordância, devo dizer. Acredito que a terra tem destas fases, durante milhares de anos existem civilizações, intercaladas por grandes catástrofes a nível mundial a que ninguém, nem os bons nem os maus, sobrevivem, depois destas surgem novas civilizações. Mas não quis entrar por esses caminhos. Esse pensamento levou-me instantaneamente à teoria do eterno retorno de nietzsche, tudo retorna, tudo se repete, todos os elementos, todas as explicações, todos os acontecimentos, todas as existências. Fiquei existencialista, senti-me tentada a perguntar, Então, se tudo um dia vai acabar, porque estamos aqui, qual o sentido da existência, qual o propósito de tanto sofrimento, tanta emoção, tanta exaltação por que passamos, porquê este absurdo imenso de tudo, mas contive-me, sabia qual seria a resposta dela, Um reino de paz e amor e vida eterna, que jeová nos vai trazer de novo, onde não haverá pecado. O meu autocarro chegou. Agradeci-lhe por aquele momento, ela agradeceu-me a mim, disse, Gostei de falar consigo, é uma boa menina, talvez não acredite ainda mas deus está a olhar para si, tenha um bom dia, felicidades, Obrigada, para si também. No autocarro não ouvi música, não li, vim simplesmente a pensar, Gostei da senhora, não tentou impingir-me nada, ao contrário das outras que por aí tenho apanhado, apenas me explicou, com a maior inocência que eu já vi na vida, aquilo em que ela acredita profundamente, e foi por isso que não lhe disse, Desculpe, não tenho tempo, na maior mentira do mundo, porque, convenhamos, não tenho pressa para ir a lado nenhum, mesmo que ache que estou sempre atrasada para tudo. Pensei, novamente, E eu, ando perdida, talvez fosse melhor ser assim, crente, cega, ignorante, mas feliz de uma maneira pura, apenas por saber que tenho algum destino, algo que me espera, algo verdadeiramente superior, senti qualquer coisa no limiar da inveja, e pergunto-me, Como posso invejar alguém cujas crenças são contraditórias às minhas, se é que tenho algumas. É mais que certo e sabido que a consciência é quase sinónimo de infelicidade e angústia, quanto mais conscientes estamos mais questionamos, e quanto mais questionamos menos respostas obtemos, e esta consciência, esta exagerada consciência da transitoriedade da vida, passa pelo fenómeno do conhecimento, afinal, e se queremos ir à essência da questão, foi o conhecimento do bem e do mal que, segundo a religião cristã, trouxe o pecado e o sofrimento ao mundo, e neste ponto não posso deixar de me questionar, mais uma vez, e o que é isso do bem e do mal, o que define o bem e o mal, quais os critérios, quem decidiu, como, porquê, as mesmas questões que se aplicam a tudo o que me rodeia. Por outro lado, a ignorância, ou ignorantia em latim, de sua definição estado da mente em que não se formula qualquer juízo acerca de um objecto, é quase sinónimo de felicidade no seu estado mais puro, não conhecemos o bem mas também não conhecemos o mal, logo, não o praticamos. Ao contrário do que seria de esperar, já que quem ouvia a forma como a senhora falava de um mundo tão perfeito de uma forma tão convincente por ela mesma acreditar no que dizia, pelo menos pelos mais crentes, ainda fiquei mais céptica, pensei e repensei, Ainda estou à procura da minha resposta, uma resposta que nunca mais vem, não a encontro, com certeza, na religião, mas oh, o que eu dava na vida para ter cedido à vontade de fraquejar que senti enquanto a ouvia, se isso significasse uma vida cheia de significado e felicidade, o que eu não dava para ser ignorante, crente, e livre de angústias existencialistas. Mas o conhecimento é daquelas coisas, é como o vício, uma vez experimentado, já não se sabe o que é viver sem o objecto de vício, nem se imagina como o resto das pessoas que não têm esse vício conseguem viver. Resolvi entregar-me de novo às coisas triviais da vida, aos pensamentos mundanos, ao próximo cigarro, à procura de part-time, à ganância por dinheiro, a entregar a minha candidatura para erasmus, ao desejo de diversão e evasão, ao prazer da satisfação dos prazeres imediatos.

É que isto, de pensar demais, dói. Não vivo, vou sobrevivendo, tapando buracos aqui e ali com cimento de 5ª categoria, tapam uns, abrem outros.

Já agora, e porque nunca é demais relembrar: http://almaemestadopuro.blogspot.com/