18 de fevereiro de 2011

' Da minha excessiva independência emocional/sou tão desligada.



Nunca precisei de muitas pessoas à minha volta. Gosto de estar sozinha. (sim, gosto de estar acompanhada também, e muito, mas não preciso disso).

Cresci sozinha. Sem irmãos. Tinha poucos amigos, era altamente gozada na escola. Tinha até amigos imaginários quando era mais pequenina (!!). E a minha mãe sempre puxou pelo meu lado mais adulto, nunca me tratou como uma bebé, deixava-me sozinha à porta do infantário de manhã porque entrava no trabalho uma hora antes das educadoras chegarem, e sim, eu ficava lá esse tempo sozinha à porta.

Não vou discutir os métodos pouco ortodoxos da minha mãe, mas sim as consequências que isso trouxe. Se, em pequena, era extremamente sozinha, hoje, de certa forma, agradeço por tal ter sido assim.

Só comecei a ter amigos mais tarde, muito mais tarde, depois de ultrapassar a sensação de estar sozinha no mundo e nos escoteiros, porque na escola só consegui ser sociável quando me dava com os nerds e com os outros miúdos que eram gozados também. Por isso, tornei-me numa pessoa desligada. Não preciso falar com pessoas todos os dias, não preciso estar com pessoas todos os dias, não me sinto mal por estar sozinha.

Atenção, não sou anti-social. Pelo contrário, sou bem sociável, sei manter conversas interessantes (com quem dá para tê-las, claro, que há pessoas que só dá para ter conversas de circunstância) e facilidade em criar laços e fazer "amigos". Tenho muitos conhecidos, tenho bons amigos e gosto de companhia, mas, lá está, não preciso dela. Não preciso de estar sempre a ligar, sempre a falar, sempre sempre sempre, como vejo algumas pessoas a fazer, sempre agarradas à porra do telemóvel. Acho que nem aguentava, fartava-me rápido. Ainda hoje, em casa da minha avó - god, finalmente tive 3 horas livres para passar por lá - ela me perguntou a tarde toda se tenho falado com X, Y, Z, com a prima e o primo e o cunhado e a tia e com o resto da família toda, e eu sempre a dizer "não", se sou desligada então, com a minha família sou ainda mais, não sou uma pessoa lá muito familiar, nunca tive uma família bem estruturada anyway. no fim, acabei por dizer "não! já sabes que eu sou desligada... as pessoas é que têm de me ligar, se não eu também não me lembro!". lol, e é bem verdade.

Esta independência emocional é excessiva, na minha opinião, porque gostava de ser mais ligada. Preocupar-me mais com as pessoas e lembrar-me delas de vez em quando (ser eu a ligar ou a mandar sms em vez de me ligarem ou mandarem a mim). Gostava que as pessoas à minha volta, pelo menos as mais próximas, sentissem que me preocupo com elas e que me lembro delas... assim, desta forma, e sem ser por mal, passo a imagem de não gostar de ninguém. Consigo ficar dias e semanas sem dar notícias a ninguém e "criticam-me" muito por isso, às vezes. E estranham que eu "Não me sinta sozinha". Mas é de mim. Pronto. Raramente me sinto sozinha, e ainda bem, mal de mim seria se dependesse da companhia das outras pessoas para me sentir bem.

Muaah @

8 comentários:

ana disse...

Gostei muito deste post, sou exactamente assim (:

MartaP. disse...

revejo me mais neste texto do que sei la. vejo que podia ser eu a escrever isto. mas ao ler.. acho que acaba por ser um pouco triste ssermos assim. começo a pensar se quando formos velhinhas e vivermos com a solidao, se tb sera assim.. se nao vamos sentir falta de nada nem ninguem.

Salsa disse...

la chegara o dia em que te apegues a alguém, talvez um filho, talvez uma pessoa em quem te revejas!

→ Calipso disse...

Isso é aqela verdade universal de qe primeiro temos qe aprender a estar sozinhos e so depois com os outros. Eu tb sou assim. Alias, passei uma fase em qe nao falava cm ningem a nao ser a mh melhor amiga. E senti-me muito bem portanto. As vezes é o qe se precisa mesmo

Ana disse...

Como eu me revejo neste post!
Sou tão, tão assim...
Enfim!

Nita Pirolita disse...

Como eu me revejo neste post!
Sou tão, tão assim...
Enfim!

Nita Pirolita disse...

Como eu me revejo neste post!
Sou tão, tão assim...
Enfim!

Botas disse...

Há sempre algo ou alguém que te vai "prender".=)

<3