30 de abril de 2011

' Coisas.

Do casamento real: adorei. eu adoro casamentos, apesar de não acreditar muito neles. adoro a cerimónia e tudo isso. e a Kate é lindíssima. fiquei emocionada ao ver o casamento. sou lamechas e adoro essas coisas.

Deste tempo horrível: tenho um bocado de medo da trovoada. conto sempre os segundos entre o relâmpago e o trovão. ontem à tarde, durante uns bons minutos, contei apenas 2 a 3 segundos entre os dois, o que significa que estava mesmo perto (200 ou 300 metros) da minha casa, tremia tudo, era ver-me a mim e aos meus cães, os 3 cheiinhos de medo (os meus cães têm tanto medo, coitadinhos). medo!

' Sentido de oportunidade é...

… eu ir à janela só porque sim e precisamente no mesmo instante aparecer um amigo meu, que vinha buscar uma mochila que tinha deixado em minha casa.

É que, juro, eu fui à janela só porque sim. Sem nenhum motivo especial. (visto que estou a deixar de fumar e a primeira medida que tomei foi mesmo deixar de fumar em casa).

29 de abril de 2011

"Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde os doze anos.


Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas.


Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.


Oferece-lhe outra chávena de café com leite.


Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entende que, se ela disser ter percebido o Ulisses de James Joyce, é só para soar inteligente. Pergunta-lhe se gosta da Alice ou se gostaria de ser a Alice.


É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua.


Ela tem de arriscar, de alguma maneira.


Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo.


Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois.


Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo.

Se encontrares uma rapariga que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo.


Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.


Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.


Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê.


Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve."



Texto de Rosemary Urquico

Encontrado aqui: O Jardim Assombrado (http://ojardimassombrado.blogspot.com//), através do Bibliotecário de Babel.


"Só" um dos melhores textos que eu já li.
E apesar de eu adorar ler, de sentir os livros, as folhas e o cheiro delas, de ter listas com livros que quero ler, de andar sempre com um na mala, de chorar agarrada ao livro quanto tem um final infeliz quando me apeguei às personagens (ainda me lembro de como me caiu uma lágrima do olho quando, no fim de "A Viagem do Elefante" de Saramago, o Elefante Salmoão morreu e eu gostava tanto dele como se fosse o meu elefante de estimação), de adorar bibliotecas e esquecer-me de tomar o café porque estou a ler, e entrar noutro mundo quando leio, gostava de ser ainda mais a rapariga desse texto...

28 de abril de 2011

' ()

(O) (que) (está) (oculto) (tende) (a ) (dar) (mais) (nas) (vistas), (precisamente) (por) (tentar) (disfarçar-se). (É) (como) (dizer) (um) (“amo-te”), (sincero), ( “(muito)” ). (O) (“muito”) (quer) (esconder-se) (por) (detrás) (do) (“amo-te”) (e), (no) (entanto), (dá) (mais) (nas) (vistas), (como) (se) (chamasse), (desesperadamente), (a) (atenção). (Mas) (quando) (o) (disfarce) (é) (excessivo), (então) (ele) (torna-se) (irremediavelmente) (vulgar). (Como) (muitos (“ (muito)” ) (e) (apenas) (um) “amo-te” (descoberto), (a) (nu). (Então), (aquilo) (que) (se) (mostra), (aquilo) (que) (não) (pretende) (de) (forma) (nenhuma) (esconder-se) (nem) (exibir-se), (aquilo) (que) (quer) (simplesmente) (ser) (igual) (a) (si) (mesmo), (cai) (acidentalmente) (na) (luz) (da) (ribalta). (Como) (muitos) (“ (muito)”) (insignificantes) (e) (um) (amo-te) (sincero), (genuíno), (real), (autêntico), (espontâneo) (e) (sem) (qualquer) (intenção) (de) (se) (esconder).




(Porque) (temos) (nós) (tanta) (necessidade) (de) (procurar) (e) (nos) (focar) (naquilo) (que) (quer) (ficar) (na) (sombra), (protegido) (do) (mundo) (real)? (E) (quando) (esta) (sombra) (protectora) (se) (transforma) (em) (algo) (vulgar), (comum), (mais) (do) (mesmo), (uma) (espécie) (de) (sol) (sem) (nada) (de) (novo) (por) (baixo), (por) (cima) (ou) (pelos) (lados), (porque) (procuramos) (o) (que), (de) (repente), (ficou) (a) (descoberto) (e) (é) (agora) (algo) (verdadeiramente) (único)?




Cláudia

26 de abril de 2011

Podia falar do que fiz para comemorar o meu aniversário. Podia falar das conversas (altamente) interessantes que tive com o meu pai este fim-de-semana, designadas por ele como "A Conversa dos 21 Anos", e que duraram horas. Podia falar de como estou numa fase da minha vida em que a minha perspectiva acerca do que me rodeia está a mudar (bastante) de dia para dia. Podia falar de como as pessoas cada vez me surpreendem mais (negativa ou positivamente) e de como aprendo tanto com elas e de como, acidentalmente ou não, já começo a fazer uma "triagem" de com quem me quero dar, de quem quero ser próxima, quem quero ter presente na minha vida. (Ainda das pessoas), podia falar de como, durante o dia, me lembro de tantas coisas, sobre pessoas e seus padrões de comportamentos e atitudes, que queria escrever no blog. Podia falar de como descobri que, afinal, a minha família não é assim tão pequena, e que tenho familiares de Moçambique em Portugal, em Lisboa, e que num só dia conheci milhentos primos em 2º e 3º graus e que afinal sempre tenho mais influências do que apenas a portuguesa/caucasiana e a africana. Podia falar que no meu dia de anos assisti a um dos ataques de pânico/ansiedade mais fortes e mais aflitivos que eu já vi acontecer à minha frente. Podia falar da piada que eu e a Vera temos em relação ao post abaixo e ao "Gandhi", sobre aquele rapaz que conhecemos que era tão burro, tão estúpido, tão limitado e tão idiota, que apelidámos de "Gandhi" por não saber quem era o Gandhi, e para querm inventámos uma categoria abaixo do 1, "o zero", e que sempre que mandamos essa piada nos rimos que nem perdidas. Podia falar de que as aulas já começaram e se há coisa que não tenho tido é paciência para aulas e trabalhos, e só de pensar que amanhã tenho aulas das 8h às 17h30 dá-me vómitos - podia falar de como hoje quase adormeci numa aula de tão seca que estava a ser. Podia falar de que estou farta do facebook, há dias que não actualizo o meu estado com nada de interessante. Podia falar da minha preparação para o Erasmus, das músicas que ando a ouvir, dos livros que ando a ler (e das obras de arte que de vez em quando descubro). Podia dar os parabéns à minha mãe, que faz anos hoje. Podia falar de como há uma semana que, por uma razão ou por outra, não durmo mais que 6 horas, e me sinto exausta, e talvez seja por isso que tenha andado sem paciência, mesmo. Mas não me apetece, sabem? Não me apetece falar de nada. Não me apetece escrever. Nem sequer me apetece pôr "etiquetas" nem título nem imagens nem nada de floreados neste post. Estou a ficar farta do meu blog.

 E isso é tão raro.

24 de abril de 2011

"Hoje sou uma Cláudia mais evoluída que ontem".

Há 4 tipos de pessoas:

1. as que não sabem que não sabem - são completamente superficiais, vivem à tona, não utilizam o seu potencial, mas também não sabem, não fazem ideia de que existe alguma coisa para além do seu mundinho, e daquilo que vêm e ouvem, dos seus sentidos; nunca se perguntaram, nem uma vez na vida, qual o sentido da vida, o significado da existência, se há algum objectivo em tudo, nunca se esforçaram por se auto-conhecerem nem nunca estiveram em introspecção, nunca "filosofaram"; são inconscientes e ignorantes, mas são felizes, porque não sabem...que não sabem.

2. as que sabem que não sabem - sabem que existe algo mais do que aquilo que os nossos olhos vêm, algo superior (não me refiro a deus em particular, mas é uma das formas de o denominar), uma conexão entre os seres humanos, um sentido mais profundo para a vida e para a existência, mas nunca se preocuparam muito em explorar esse seu lado, preferem manter-se à tona, porque sabem que aquilo que o tipo nº1 de pessoas não sabe pode ser extremamente doloroso em termos psicológicos.

3. as que sabem que não sabem, mas querem saber e procuram saber - pessoas que vão mais fundo, mergulham, por assim dizer, em águas mais profundas e, muitas vezes, também mais geladas; elas vão, no entanto, alternando, têm fases do tipo nº 2 e do tipo nº 3, isto é, sabem sempre que não sabem, mas por vezes preferem manter-se à tona, e noutras vezes são mais introspectivas; têm fases na vida, frequentes e geralmente prolongadas, onde se perguntam a si mesmas "qual o significado de tudo, qual o sentido, o objectivo, porquê, para quê", e é provável que, em cada fase, não cheguem a respostas claras, mas que tenham momentos de lucidez, de esclarecimento, e que adquiram algum conhecimento, alguma aprendizagem para a fase mais "superficial" que se segue.


4. o Gandhi (a título de exemplo, obviamente) - nunca vêm à tona, estão sempre num mundo espiritual, muito conscientes da realidade, demasiado; estas pessoas, das duas uma: ou encontram uma paz imensa dentro de si, um estado a que muito poucos seres humanos chegam, ou entram em depressões severas e por vezes até mesmo distúrbios mentais.

Eu devo dizer que estou no tipo 3 e estou muito contente com isso. Não quero ser ignorante nem aceitar apenas tudo aquilo que os meus sentidos captam (ainda que sabendo que, dessa forma, seria genuinamente feliz), não quero ter noção mas não querer explorar, mas também não quero estar demasiada e constantemente auto-consciente das coisas. Estou bem por estar onde estou porque, finalmente, encontrei uma paz e um equilíbrio. Entre a Cláudia extrovertida que todos conhecem, sempre houve uma Cláudia sombria, demasiado pensativa, filosófica, desconfiada de tudo, sem norte na vida, diria até depressiva, sem nunca ter estado verdadeiramente deprimida no verdadeiro sentido da palavra. Já tive fases neutras e fases muito negras, em que pensava e pensava e pensava e questionava coisas para as quais sabia que nunca ia encontrar resposta, mas continuava, felizmente nunca caí numa depressão por causa disso, porque ao mesmo tempo que estava nessa fase tinha consciência de que tinha de ser suficientemente forte em termos psicológicos, e tinha de ter cuidado. E tive. Hoje em dia, posso dizer que estou num estado equilíbrio e em contacto comigo mesma. Sim, muitas vezes fico-me pela tona, sou superficial, vivo no dia-a-dia e nas coisas triviais, e muitas vezes vou até demasiado fundo, no meio disso tudo consegui encontrar um balanço que me permite:

  • aceitar-me como sou, defeitos incluídos, e eles são muitos;
  • estar em paz comigo mesma, não ficar a remoer em atitudes menos correctas da minha parte ou da parte dos outros;
  • relativizar o "bom" e o "mau", há coisas e situações e atitudes (e por isso coloquei "menos correctas" em itálico no ponto anterior, dado o seu carácter subjectivo) que são demasiado subjectivas e que não posso catalogar, desde o início, como "bom" ou "mau";
  • estar constantemente num estado "zen", isto é, calma e pacífica, não me chatear com o que não vale a pena e, a cada situação ou contexto, pensar para mim mesma que tenho duas opções - chatear-me e ficar magoada ou deixar passar porque, no fundo, não tem assim tanta importância - o que me leva ao ponto seguinte;
  • relativizar a importância das coisas! há coisas que realmente não importam, nem merecem a pena que nos chateemos e fiquemos a pensar e a remoer no mesmo assunto over and over, que só absorvem energia sem chegar a lado absolutamente nenhum, como por exemplo, discussões parvas (por isso sou "permissiva", porque evito conflitos e raramente confronto, não porque seja medrosa ou algo assim, mas porque a maioria das coisas que chateiam a maioria das pessoas, a mim não me chateiam minimamente);
  • ver, sempre que possível, o lado positivo das coisas; ver o lado positivo das pessoas (nisto sempre fui muito boa, achava dantes que era um defeito, mas agora posso afirmar que é uma qualidade, sempre fui de ver sempre só o lado bom das pessoas, hoje vejo o bom e o mau, mas dou mais valor ao bom) e, sobretudo, aprender com elas! damo-nos sempre com pessoas diferentes, todas elas com coisas boas e coisas más (tendo sempre em conta que este "bom" e "mau" é extremamente subjectivo, claro, coisas que para mim são boas, para outra pessoa podem ser más), o importante é retirarmos delas aquilo que achamos que vale a pena para nós, que nos vai enriquecer enquanto pessoas, e tornar-nos melhor. Devo dizer que isto aprendi, sobretudo, com os meus pais, que tão diferentes (mesmo muito) me educaram de formas tão diferentes, e eu, sendo educada de duas formas antagónicas simultaneamente, tive de optar por aquilo que achava melhor para mim absorver, já desde muiiito cedo;
  • saber comunicar - e saber comunicar não é saber falar, que isso toda a gente sabe, é saber ouvir! saber escutar o outro e saber colocar no lugar dele, e pensar que, afinal, a pessoa que está à nossa frente, e apesar de todas as fachadas e papéis sociais que todos encarnamos, é apenas um ser humano, com as mesmas emoções, paixões, medos, que nós. Esta consciência permite-me aproximar-me da pessoa, deixá-la à vontade, estar menos defensiva, dar mais oportunidade e benefício da dúvida;
  • saber como se adaptar aos outros: obviamente que eu não vou falar sobre a origem do mundo e as profecias de Nostradamus nem dos livros do José Saramago com uma pessoa do tipo nº1, nem vou falar da casa dos segredos com uma pessoa do tipo nº4 ou nº3; mas isso não quer dizer que eu seja falsa, porque até nem sou, sou bastante verdadeira e fiel a mim mesma. no entanto, não deixo que isso me limite, não gosto de criar barreiras entre mim e outra pessoa só por ver que ela é muito diferente de mim e que eu estou no tipo 3 e ela está no tipo 1... não, eu vou adaptar-me a ela, vou puxar do meu tipo 1 e vou falar das músicas da publicidade do Pingo Doce e do estado do tempo;
  • saber estar sozinha sem que isso seja um incómodo - como já referi várias vezes, eu adoro estar sozinha, apreciar o silêncio, escutar-me a mim mesma. aliás, esta foi uma das coisas que me ajudou a crescer imenso, o facto de eu por vezes passar imenso tempo sozinha (também depende das fases em que estou, se estou numa fase superficial tendo a não querer estar sozinha, depende). Com o estar sozinha aprendi não a sentir-me e a ser uma pessoa solitária, mas sim a estar em contacto comigo mesma, antes de estar em contacto com os outros;
  • ter sempre em conta que é preciso actualizar-me, utilizar o meu potencial e evoluir sempre num caminho positivo, em direcção a uma existência pacífica comigo mesma, a um eu ideal, ou seja, apesar de eu estar contente e em paz com o que sou "por dentro" e com a minha personalidade, estar consciente de que posso sempre melhorar, e felizmente estou a evoluir muito neste sentido, todos os dias penso "sou uma Cláudia melhor, uma melhor pessoa, menos ignorante, com um bocadinho mais de conhecimento, mesmo que muito pouco, do que a Cláudia de ontem" - e esta sensação é mesmo óptima;
  • finalmente, aceitar o absurdo da existência, conseguir viver sem estar constantemente a pensar "porquê? para que serve isto, se um dia vou morrer?", conseguir viver aceitando que sim, vou envelhecer e morrer e no fundo no fundo não sou ninguém no mundo inteiro em todos os tempos, mas que pelo menos, enquanto estou cá, estou a ser feliz, estou a viver em paz, e estou a influenciar pelo menos as pessoas que me são mais próximas de uma forma positiva.
É por isto que eu gosto de mim. Não por me achar gira e estonteante e inteligente e sociável - lol, brincadeirinha - nem por ser convencida, que eu digo que sou na brincadeira, mas até nem sou - dado que o meu conceito de presunção é achar-se melhor que os outros, e eu não me acho melhor que ninguém. É por já ter conseguido aceitar-me a mim mesma e a tudo o que me rodeia (e que dantes me fazia extrema confusão e que tentava racionalizar sempre) de forma pacífica, equilibrada, estável, segura. Feliz.

Ainda não alcancei o meu verdadeiro potencial, mas sei que tenho pernas para andar e para chegar lá.

Hoje faço 21 anos.

' E...

parabéns a mim mesma.


Muaah @

nem acredito que já passaram 21 anos desde 1990.

22 de abril de 2011

' Da minha crise de meia-meia-idade.



Tenho a sensação que estou com uma crise de meia-meia-idade. Dois "meias" porque é a crise de meia da meia idade propriamente dita. Confusão, bem, também não interessa!

Tenho a sensação que estou a sair da adolescência, e não quero. Sinto que não a aproveitei como devia! Tive as minhas fases, saí muito, curti muito, fumei muito, bebi bastante, f*di muito, menti muito aos meus pais, brinquei muito, mas sinto que podia sempre ter feito mais.

Sempre fui responsável e nunca me consegui "livrar" disso. Por mais merda que fizesse, tinha sempre a cabeça no sítio e só me deixava fazer disparates q.b.. Gostava de ter sido completamente desmiolada por um só dia.

Agora, sinto que não aproveitei bem. Já não gosto de discotecas tanto como dantes. Já não aguento noitadas até de manhã, como dantes. Já não tenho a mesma pedalada. Já não acho piada às mesmas coisas. O meu corpo já se ressente quando chega ao fim-de-semana. Já não gosto de beber. Estou a deixar de fumar. Já não tenho tanto apetite sexual como dantes, que parecia uma coelha, já não tenho curiosidade - pelo menos em relação ao sexo oposto, masculino - já sei como tudo se faz, já sei como tudo é, já começa a ser tudo mais do mesmo. As minhas relações amorosas estão a ficar cada vez mais longas, em vez de coisas como um mês, uma semana, uma noite. Já não acordo às 16h ao fim-de-semana, a partir das 11h quase não consigo dormir. Já tenho mais noção das coisas que me fazem mal, à minha saúde. Comecei a fazer exercício. Shit! ESTOU A FICAR ADULTA.

O pior? É que ainda não tenho a mais pequena ideia de como vai ser a minha vida, ou de como eu quero que seja a minha vida, daqui para a frente. Claro, tenho projectos e objectivos, mas na realidade não sei bem. Imagino e sonho, mas sempre sem certezas. Estou mesmo a ver-me a ficar em casa da minha mãe até tarde, e isso era tudo o que eu não queria. Mas não me quero "lançar" já ao mundo real e ao mercado de trabalho sem saber o que quero realmente da vida. Porque a verdade é essa, eu não faço a mínima ideia do que quero da vida. Tenho paixões e coisas que gosto, mas não uma única coisa que me faça querer levantar da cama e conquistar o mundo e que me faça dizer "isto é o que me move e o que eu quero fazer na vida".

O ano passado, a lenga-lenga foi a mesma. Dos 19 para os 20 e ainda não sabia bem o que queria. Agora, é pior, porque agora vou atingir a 2ª maioridade, os 21 anos. E o pior? Este ano passou tão rápido, sinto que ainda ontem tinha 19, aliás, sinto que ainda ontem tinha 17.

Nevertheless, vou aproveitar os meus ainda jovens 21 aninhos, porque quando tiver nos 25 vou desejar tê-los aproveitado agora.

Eu sei que é cedo para dizer isto, mas acho que estou a ficar com medo de envelhecer.

Não quero fazer 21 anos.

E éjá depois de amanhã. Shit!

21 de abril de 2011

' O resultado:

ANTES/DEPOIS

Hmm... gosto das duas formas. Sempre adorei o meu cabelo. Mas já estava a precisar de uma mudança. Tenho uma "regra": quando o meu cabelo cresce até ficar debaixo da linha do soutien, é hora de cortar; e o meu já ultrapassava, em muito, isso; molhado, dava quase pelo fim das costas. Eu gosto de cabelo comprido, mas tudo o que é demais enjoa. E, sinceramente, já estava a dar demasiado trabalho: 20 minutos depois de o desembaraçar (durante 40 minutos, a sério!), já estava todo cheio de nós nas pontas! Por isso, cortei uma boa parte, mas mantive o comprimento = tem de ficar debaixo dos ombros, para mim (detesto cabelo curto). Quanto à franja, só mesmo para dar um ar diferente. Ainda me estou a habituar! Pela segunda vez em muito tempo, fui a uma cabeleireira e não fiquei com traumas. Isto porque dantes elas cortavam sempre mais do que eu pedia, eu acabava por ficar sempre com o cabelo curto, o que sempre detestei!! Depois disso passei muitos anos a cortar o cabelo em casa, odiava cabeleireiras. Ficava todo irregular, que eu não sou cabeleireira, mas até nem ficava mal. O ano passado experimentei ir a uma cabeleireira e gostei do resultado. Este ano, a mesma coisa. WOW! As cabeleireiras começam a respeitar-me e a cortar apenas aquilo que eu quero.

Muaah @

20 de abril de 2011

' E as vezes que isto me acontece?

Durante o dia lembro-me de toneladas de coisas sobre as quais quero escrever no blog.

Se as anoto, óptimo, fico com material para dois meses (é por isso que este blog nunca acaba, lol).

Se não as anoto, chego aqui e já não me lembro de nada.

Este espaço vazio assusta-me um bocado e eu estou a perder o jeito para escrever.

Shit.

18 de abril de 2011

' Limpeza geral à minha roupa / Quero

mudar de estilo, mudar de penteado, mudar de maquilhagem.



Sei que tenho muitas opções: tenho um closet cheio (acho que acabo por vestir as mesmas coisas, no mesmo estilo e no mesmo tom, precisamente porque olho para toda a roupa que tenho e canso-me de ser tanta), tenho um cabelo compridérrimo e bom para moldar, e até tenho uma boa estrutura facial (cof, cof) - epa, mas estão tão surpreendidos porquê? que é essa cara de escândalo?? não sabem já que eu sou uma convencidona do pior????

Adiante.

O meu problema é ser pouco criativa.

Precisava ter uma conselheira de imagem que me ensinasse a fazer conjuntos de roupa, a fazer penteados diferentes e uma maquilhagem estonteante. (à falta de melhor, o youtube sempre me vai dando umas dicas, eu é que tenho muito pouca paciência para manter penteados, sinceramente).
estonteante já eu sou, mas pá, posso ser mais, não custa nada.

lol.

já agora, também gostava de aprender a andar de saltos-altos o dia inteiro. por enquanto, aguento os saltos com compensação e já é muito bom.

anyways, isto tudo só mesmo porque hoje apeteceu-me dar uma limpeza geral na minha roupa toda (sabem, aquilo do ver o que já não serve ou que já não queremos, ou não gostamos e pôr de lado e reorganizar a roupa que fica, etc etc), e refresquei a memória, encontrei peças de roupa fantásticas que nem me lembrava que tinha ainda... hmm... a minha estretégia foi colocar essas peças mais "à vista", para me lembrar que as tenho :)


 
e agora, tenho 3 sacos cheios de roupa sem destino. caridade? sempre achei um bocado hipócrita dar para caridade roupa que, de qualquer forma, já não usávamos ou já estava velha (para mim, definição de caridade era mesmo dar uma peça que ainda quisessemos); dar a amigos/conhecidos? nunca gostei disso, acho de mau tom; vender? não valem nem 1 euro cada uma xD well... das duas uma: ou vai para casa da minha avó, que é uma costureira de primeira e acaba sempre por dar destino a todo e qualquer tecido que apanha na mão ou... lixo!

quanto ao penteado, esta semana vou já tratar disso... adoro o meu cabelo, mas estou farta da forma como ele está, com o mesmo corte há anos. (ainda assim, tenho a sensação que vou sair do cabeleireiro a chorar, saio sempre).

Muaah @

17 de abril de 2011

' O meu problema em ganhar e perder peso:

ganho-o todo na zona das ancas e rabo.

perco-o todo na zona das mamas.

MERDE!!



uma das razões por que não quero emagrecer (muito), é porque gosto demasiado das minhas mamas.

16 de abril de 2011

' 15 MESES.



Tu podes não ser o primeiro dela, nem o último, nem o único. Ela já amou antes, pode voltar a amar. Mas se ela te ama agora, que mais te importa?

Ela não é perfeita, muito menos tu, e se calhar vocês nunca serão perfeitos juntos, mas se ela te faz sorrir, se te fizer pensar duas vezes, que admita que o ser humano erra, agarra-a bem e dá-lhe tudo o que puderes.

Ela até pode não estar a pensar em ti a cada segundo, mas ela vai dar uma parte de si, mesmo sabendo que lhe podes partir o coração.

Por isso, não a magoes, não a moldes, não a julgues, não esperes mais do que aquilo que ela te poderá dar. Sorri quando ela te fizer feliz, mostra-lhe quando ela te deixar zangado… e sente a falta dela quando ela não estiver ao teu lado.

Carta do Bruno para "ele mesmo" em relação a mim.
Que mais posso eu dizer?

14 de abril de 2011

' Da Primavera


What I love about it: a temperatura; o quente, mas com uma brisa; os fins de tarde agradáveis; o poder sair de casa sem casaco; o já não sair do banho/poder despir e vestir sem tremer de frio; o vislumbre do Verão.

What I hate about it: as alergias! as flores e os seus pólens (às vezes são tantos que até se vêem no ar). o ter de tomar um anti-histamínico todos os dias; a casa encher-se com mais pó, mais rápido, basta deixar uma janela aberta; mas, sobretudo, as abelhas, que vêm logo aos pares. [tenho pavor a abelhas - e não, nunca fui picada] - é só ver-me a fugir com medo sempre que aparece uma...

Mais do que coisas boas, a Primavera trás-me coisas muito más e é o meu pesadelo. Hoje tive um mega ataque de alergia, porque normalmente deixo as janelas todas abertas, e o meu quarto estava cheio de pólen! Até nas superfícies escuras de notava um pó amarelo! ainda por cima eu vivo mesmo ao lado do monsanto. resultado: limpar todo o pó e vários anti-histamínicos ao longo do dia não fizeram absolutamente efeito nenhum. estive a noite toda quase sem dormir, a acordar de meia em meia-hora, e o dia todo confinada a casa com as janelas fechadas, super inchada e com falta de ar. sintomas de alergia são das coisas piores que eu posso sentir. para além dos sintomas da gripe, sinto a minha cabeça e cara literalmente a inchar, sinto falta de ar, toda eu tremo, sinto o meu cérebro a derreter e parece que sai tudo pelo nariz... é 5 vezes pior que uma gripe! em três palavras: HO-RRÍ-VEL.

Primavera, porque me fazes isto?

' Acontece:

há 5 horas atrás, eu tinha um ensaio de 4000 palavras para escrever, tinha 500 escritas e poucas ideias para mais; agora, eu tenho já 3754 palavras e ainda não escrevi metade do que queria. shit!

    em compensação, está a ficar fantástico, estou a adorar fazer isto, acho que depois de imprimir vou emoldurar! lol.

ando com muita energia, hoje já fiz, como se costuma dizer, "30 por uma linha", e este trabalho estava a assombrar-me há semanas mas agora estou tão entusiasmada que acho que vou acabá-lo esta noite!...

12 de abril de 2011

' Das pessoas com espírito jovem (independentemente da idade).



Gosto de pessoas assim. Sem preconceitos, sem tabus, naturais, despretensiosas.

Sempre dispostas a actualizarem-se, a aprenderem, "keep up with the times", não acham que já sabem tudo e que são donas da razão, não ficam presas ao passado, ao que um dia foi e agora já não é. Utilizam pouco a expressão "no meu tempo" porque vivem no presente. Tenham 40, 50 ou 70 anos. Não são, enfim, "velhos do restelo".

O meu boss era assim. Tem 70 anos e falava abertamente comigo sobre certos assuntos com uma naturalidade que outra pessoa com a mesma idade não falaria, tendo em conta não só a idade, mas também a relação profissional que tínhamos.

Tenho uma colega que é assim. Tem 40 anos, está a estudar e tem a mentalidade de alguém com 20. Mais jovem de espírito do que alguns dos meus colegas!... É mais refrescante estar e falar com ela do que com algumas pessoas da minha idade.

A minha mãe é assim. Na verdade, a minha mãe nunca saiu da adolescência. Talvez por isso sempre me tenha ensinado a ver as coisas com umas lentes diferentes, uma perspectiva natural e até um pouco infantil da realidade. Uma perspectiva simples e relativa.

Adoro pessoas assim. Inspiram-me. Quero ser assim quando for grande. :)

11 de abril de 2011

' O nosso mundo é ridículo / a Cláudia com as suas teorias da conspiração.



O nosso mundo é ridículo e complexamente simples de compreender.

Nós, seres humanos, damos demasiada importância às desgraças sem nos apercebermos que fomos nós que as criámos.

Fomos nós que criámos a moeda, o dinheiro, na minha opinião, fonte de todos os males que conhecemos. Éramos mais felizes quando trocávamos um quilo de feijões por um quilo de espinafres. Sobrevivíamos e vivíamos felizes durante 30 anos, esperança média de vida para a altura, sem conflitos, sem guerras e sem ninguém ser considerado superior a ninguém ou a ter mais poder que ninguém por ter um número mais elevado na conta bancária e/ou em bens. Fomos nós que criámos os governos, a política, de que tanto nos queixamos. Sim, os governos são, na sua grande maioria, corruptos e manipuladores, e por muito que achemos que somos nós que escolhemos quem nos governa (democracias), isso é tão mentira, é uma falácia tão grande, é preciso ter dois dedos de testa e pensar, nós nunca escolhemos absolutamente nada. Porque é que inventámos que precisávamos de alguém que nos governasse, afinal? Porque precisávamos de leis para não nos matarmos uns aos outros? Sim. Claro. Porque somos egoístas, gananciosos e competitivos. Porque precisávamos de economia, por termos de lidar e gerir a moeda? Fomos nós que criámos instituições religiosas por uma qualquer necessidade humana de crer em algo que não vê, uma entidade superior que tudo pode, e nos julga pelas nossas acções, e sabe para onde vamos depois da morte com base na nossa conduta em vida. É ridídulo. Para mim, a igreja é ainda mais ridícula e falsa e corrupta do que todos os governos juntos. Temos tanta pena de quem não tem condições para sobreviver e rezamos por elas quando vamos à missa todos os domingos, mas esquecemo-nos de que a Igreja Católica tem dinheiro e bens que davam para salvar todas as crianças que morrem de fome diariamente na África. Vindo um pouco mais para a era moderna, fomos nós que inventámos máquinas que fazem tudo, e agora queixamo-nos que não há emprego, fomos substituidos por máquinas, que não adoecem, não comem, não precisam de dormir, não têm família e trabalham mais de 8 horas por dia. Fomos nós que destruímos o planeta terra com toda a nossa ganância, queremos ter carros, queremos andar mais rápido, queremos chegar mais rápido para todos os sítios, temos sempre pressa para chegar a lado nenhum. Somos uns consumistas ridículos, nunca temos o suficiente, uma televisão na sala não é suficiente, é preciso uma em cada divisão da casa, um carro não chega, é preciso um para cada membro da família, não podemos lavar o prato depois do jantar, temos de ter uma máquina de lavar a loiça. Chegámos a um ponto em que já não podemos comprar mais nada, não só porque não precisamos e estamos cheios de coisas que nunca precisámos, mas também porque as comprámos, em primeiro lugar, com dinheiro que não tinhamos. Dinheiro, lá está, dinheiro. Dinheiro e poder.

Nós, seres humanos, somos mesmo ridículos. Destruímos e choramos depois, por cima. Até dá vontade de rir.

Acredito profundamente que o planeta terra, de tempos a tempos, se realinha no universo. Há um período com fortes catástrofes naturais, que matam grande parte da população mundial, se não toda, porções de terra ficam submersas, outras sobremergem, a terra fica em repouso durante mais uns bons milhares de anos, até que tudo reaparece de novo, pelo menos até agora, que temos tido condições físicas propícias ao aparecimento de vida. Aquilo que aconteceu com os dinossauros acontece várias vezes ao fim de um determinado tempo (milhares e milhões de anos). Há eras do gelo, há eras de aquecimento global, há eras estáveis, há eras de prosperidade e desenvolvimento, crescimento, evolução, há eras apocalípticas e de "fim" e de catástrofes. Aquilo a que chamam de "fim do mundo" e do qual temos tanto medo, não é mais do que aquilo que já aconteceu muitas vezes ao longo de milhares e milhões de anos. Afinal, não há nada de novo debaixo do sol. Já todos existimos, já todos morremos, desaparecemos e reaparecemos, desde ao primeiro protozoário ao maior elefante da savana africana.

É que tudo se reinventa, tudo se realinha. As espécies animais, o ser humano, as populações, o desenvolvimento, as depressões económicas, os governos, as igrejas/instituições religiosas, as guerras, as fomes, as epidemias. Achamos que, lá por sermos o mais racional de todo o reino animal, somos únicos e previlegiados, temos um lugar especial, e temos o direito de destruir o que não nos pertence nem nunca pertenceu, a sensação do falso poder. Lá está, o poder. Somos, isso mesmo, e não me canso de repetir, ridículos.

Não tenho medo de morrer, é ridículo. As pessoas agarram-se demasiado à vida, têm medo do fim, de um fim. Não percebem que tudo tem um fim, tudo sempre terá. E nós, eu, tu, não somos absolutamente nada.

80 anos de uma vida humana no background da existência - não falo somente da terra, mas sim do sistema solar, da via láctea, de todas as galáxias, do universo - é o mesmo que colocar um milisegundo em 200 anos.

Já deixei de ter medo. Já deixei de ser revoltada.

10 de abril de 2011

' Frases Claudjinha: Um dia

hei-de passar o dia inteiro com os telemóveis desligados, laptop desligado, telefone de casa desligado, porta de casa trancada, desligada para o mundo.

não me interessa quem liga, quem deixou de ligar, quem mandou sms, se o mundo está a acabar, se alguém caiu das escadas abaixo, se o namorado de alguém acabou com alguém, se precisam desesperadamente de mim porque dói o dedo mindinho do pé, seja A B ou C, o Bruno, a Vera, o Alex, a minha mãe, a minha avó, o meu pai, ou uma chamada a avisarem-me que ganhei xxx milhões de euros, seja da sic, seja da tvi, seja da rtp, até pode ser a Oprah a ligar, o telemóvel vai estar desligado.

esse dia não vai ser hoje, porque já vim à net. mas está para breve. senão tenho um esgotamento nervoso. preciso de tempo de qualidade para estar com a pessoa mais importante do meu mundo: eu. um dia, apenas um dia, para pensar na minha vida, para ouvir e organizar os meus próprios pensamentos, para conversar comigo própria. por vezes, sinto que perco o contacto com o meu eu interior, e isso não pode acontecer. eu tenho de estar em contacto comigo mesma, para poder estar em contacto com os outros.

se há dias que me sinto que ninguém tem disponibilidade para mim, outros há em que não me apetece ter disponibilidade para ninguém.

9 de abril de 2011

' Para as pessoas que nunca acreditaram em mim

e que, em vez de me encorajarem por saberem que essa decisão me custava, me disseram "aposto que não aguentas nem 3 semanas na natação": há mais de um mês que lá vou, numa média de 3x por semana (umas semanas uma, umas semanas duas, umas semanas 3, umas semanas 4, conforme o tempo, na semana de carnaval, e agora na páscoa deve ser igual, fui todos os dias)!


para a próxima vez que me disserem que não acreditam que eu consiga fazer alguma coisa, pensem duas vezes. aliás, continuem a dizê-lo. é isso que me dá mais força. provar aos outros e a mim mesma que sou capaz de fazer tudo aquilo a que me proponho, mesmo que nada tenha a ver comigo (como desporto).

nunca fui do género de desistir, de morrer da praia, de falar e não fazer.

parece que não me conhecem bem e que não sabem que eu vou sempre até ao fim.

8 de abril de 2011

' Mais saudável, mas menos prazer.

No seguimento do post anterior, estou a mudar o meu estilo de vida. Não sei se é de ver The Biggest Loser ou Dr. Oz, bem, whatever, estou a melhorar.

Comecei a praticar exercício físico regularmente, reduzi o bastante consumo de tabaco, e deixei de comer massa com massa ao jantar.

Já não fumo nos intervalos das aulas, nem quando estou à espera do autocarro, nem em ocasiões que não pedem. só fumo basicamente os cigarros essenciais - a seguir ao sexo e a seguir a uma grande refeição, tipo jantar, e a seguir ao café. a minha roupa cheira melhor, o quarto não cheira a tabaco, e tudo isso.

Já não fico ofegante quando subo uma rua inclinada - fico só ligeiramente cansada - e tenho incluido vegetais nas minhas refeições. (também não é grande sacrifício, adoro saladas, adoro adoro! o problema é que não satisfaz, fico com fome à mesma, mas pronto...).

mas, porra, não me sinto mais feliz. há ocasiões em que me apetece meeeesmo um cigarro, meeeesmo um prato de massa, meeesmo um chocolate, meeesmo ficar a dormir em vez de ir para a piscina nadar uma hora. mas não faço, escolho sempre a opção mais saudável - comer algo que faça bem ou que não faça mal, não fumar o cigarro, ir fazer exercício. às vezes sinto-me miserável por colocar a saúde à frente do prazer.

"ah e tal tem de haver um equilíbrio, vida saudável com pequenos excessos de vez em quando", mas o meu problema são os excessos, se como um rebuçado, como outro a seguir. não como só um.

Sinto-me responsável, saudável e tudo isso, mas não me sinto mais feliz. gosto de seguir regras, mas não gosto de ser assim tão certinha.

porque tudo o que sabe bem engorda, faz mal ou engravida!!!! shit...

felizmente que em relação à última parte estou safa, um comprimido por dia durante 21 dias faz milagres...

' AMESTERDÃO.

Eu vou!


Sim! Eu VOU!

Em Setembro. Candidatei-me para Leiden - uma cidade muitooo pequenina na Holanda - mas fiquei colocada em Amesterdão... AINDA BEM!

EU VOU!

Ainda nem acredito: EU VOU.

Sim, metam a Cláudia na cidade onde as drogas leves são legais.

Acho que fazem muito bem! =P

Amo a pessoa que inventou o programa de mobilidade Erasmus.

Pronto.

Eu vou. Eu tenho de ir.

Entretanto, descobri esta relíquia:



WOW. É mesmo o meu tipo de música.

7 de abril de 2011

' 7 dias.

Há 7 dias que quase não fumo.

Se bem que agora há pouco fumei um cigarro desnecessário, mas foi a minha forma de comemorar - sozinha - a muito boa notícia que recebi e que amanhã comunico.

Anyways, estou a mudar o meu estilo de vida, e defini 3 passos para mim:

1. começar a praticar exercício físico regularmente - checked! inscrevi-me na piscina municipal mais próxima da minha casa e tenho ido lá na ordem das 2/3 vezes por semana. até me sinto melhor e com mais energia!

2. reduzir gradualmente o fumar, até deixar - meio checked! se dantes fumava uns 8 ou 9 por dia, agora raramente fumo. logo para entrar a matar, fiquei 3 dias seguidos sem tocar num cigarro. depois acabei por comprar, mas controlei-me e fumei só os 3 por dia, os necessários/essenciais. ah, as ocasiões sociais também não contam, aí sim fumo sempre mais. o importante, para mim, não é o deixar de fumar em si. é o conseguir deixar de pensar sempre que quero fumar. sim, porque o meu vício não é físico - ao contrário do que toda a gente me dizia, eu não tive "ressaca" física... não notei consequências físicas, não comi mais doces, não engordei, não roí as unhas, nem nada disso. o meu vício era (e ainda é) psicológico. o estar sempre a pensar que quero fumar. agora estou na ordem dos 3 por dia, mas depende dos dias. se for um dia muito stressante, "permito-me" fumar até 5. se for um dia sem nada de especial, "proibo-me", de preferência, de fumar. basicamente, criei regras para mim própria e até tenho sido bem-sucedida a segui-las!

 
3. alimentação mais equilibrada - meio checked. continuo a saltar refeições - sobretudo o almoço - e a comer demasiado açúcar (ponho açúcar em absolutamente tudo, até nos corn flakes com iogurte). em compensação do almoço, tomo sempre um pequeno-almoço altamente reforçado, inclui iogurte (porque detesto leite, entretanto), cereais, chá e fruta. e já estou a melhorar consideravelmente em algumas coisas. por exemplo, em vez de saltar o almoço, vou sempre (bem, sempre é relativo, mas pronto, está a melhorar) comprar uma sopa num pequeno restaurante que há numa rua em que tenho de trocar de autocarro para ir para a faculdade. eliminei as massas ao jantar ao máximo, acompanho carne e peixe com salada. e a salada ENCHE o prato, dá a sensação que estou a comer imenso. claro que é só para enganar a visão, uma hora depois já estou com fome e a comer cereais. cereais, adoro!

é que não tenho medo de morrer e até sou mais pelo "viver pouco mas com qualidade" do que "viver muito mas sem qualidade", isto é, prefiro viver até aos 50 e ter feito toda a merda que podia, do que até aos 80 sem nunca ter feito nada. mas, epa, eu quero estar cá para ver os meus filhos... e netos. sei que é contraditório, mas assim sou eu.

Muaah @

6 de abril de 2011

' ... e no seguimento do post anterior:

não sei se isto acontece com todos os bloggers, ou com a grande maioria, mas comigo acontece: como, no meu caso, o blog não é anónimo (tenho o meu nome e foto de perfil verdadeiros), muitas vezes, enquanto escrevo, estou a pensar, "in the back of my mind" quem é que eu conheço que sei que lê o blog e que "vai ler isto".

não é algo muito consciente, ou seja, eu não estou a pensar "vou escrever X e Y porque fulano Z e W lê isto", mas há sempre aquele conjuntinho de pessoas que eu conheço pessoalmente, e das quais sou ou fui até (muito) próxima (algumas), que estão sempre na minha cabeça enquanto escrevo, sei que elas vão ler, e chego até a pensar "o que vão achar disto".

porque, por mais incrível que pareça - e parece-me mesmo incrível! - preocupo-me mais com o que as pessoas que me conhecem vão pensar, do que as que não me conhecem de lado nenhum. não que me preocupe com a opinião delas ou que mude a minha opinião ou que deixe de escrever algo que queria escrever, mas tenho sempre, sempre, sempre essa noção. e esse conjuntinho de pessoas, que ao início era pequenino, vai sempre aumentando, porque pelo menos uma vez de 3 em 3 meses conheço um/a amigo/a de um amigo de uma amiga de um amigo de um amigo que me diz "ah! eu leio o teu blog" xD [o mundo é muitooo pequeno!]. neste preciso momento ocorre-me até um conjunto relativamente alargado de pessoas que eu conheço e que sei que lêem este blog. agora que penso nisso, é assustador!

ainda no outro dia estava a falar com uma amiga minha que costuma ler o blogue, e disse-lhe precisamente isto: "pois, eu sei que tu lês o meu blog", depois dela ter dito qualquer coisa em relação a isso.

chega a ser estranho, inclusivamente quando as pessoas que eu conheço mas que não falo - de longe - todos os dias, me falam, quando nos encontramos ocasionalmente, dos últimos acontecimentos da minha vida (os que eu publiquei, claro, também não publico todos) sem eu ainda ter falado nisso :D

lol. não que eu me importe, claro, sou pessoa de me importar ou chatear com poucas coisas.

enfim. ossos de ofício de ter um blog público, e não anónimo. até já pensei em torná-lo anónimo, mas 4 anos de blog é muita fruta. e ainda não aconteceu nada assim de tão grave que me levasse a abandonar este e a começar do zero, de forma anónima.

e, já agora, que eu também ajudo pouco à festa, para além de poderem seguir o blogue pelo twitter e facebook, também podem seguir por email. algures na barra lateral, há-de estar uma dessas coisas, "follow me by email", no meio das mariquices todas que eu um dia lembrei-me de pôr no blog e que não tenho tido paciência para tirar =P

5 de abril de 2011

' Esta é só para os bloggers:

"ESTA TEM DE IR PARA O BLOG!!!!!!!!!!!"...



esta frase é familiar a alguém?? alguém se acusa?! deixem-me adivinhar... todos os bloggers? não há nada que se passe no dia-a-dia... seja alegre, triste, hilariante, de chorar a rir, de rir a chorar, humilhante, embaraçoso... que não queiramos escrever aqui? é, não é? :D eu passo a vida a pensar nessa frase... mas depois a maioria das coisas passa-me ao lado! ou então lembro-me de tudo de uma vez e faço um post enormérrimo que ninguém lê até ao fim :P ou então vou escrevendo e guardando nos rascunhos, e depois... esqueço-me de publicar e depois a certa altura agendo-os todos pra publicarem de dois em dois dias xD mas já alguém dizia... o que conta é a intenção! o meu blog nunca há-de acabar, com as toneladas de ideias que tenho todos os dias para escrever e que guardo sempre assim que chego ao portátil.

aliás, até mesmo este próprio post, estava aqui há um ano, mais coisa menos coisa, à espera de ser publicado.
Muaah @

4 de abril de 2011

' E aquelas pessoas que

confundem o ser "sincero/a", "verdadeiro/a" e "dizer as verdades na cara" com ser malcriado, rude, agressivo?

hein hein?

em vez de serem simplesmente frontais e directos, são bestas.

e só era preciso terem mais cuidadinho com o tom, não gritar, não falar sem olhar nos olhos, e não ser condescendente. assim, em vez de passarem a mensagem que querem, que é "eu tenho razão, eu penso desta forma, eu acho isto", o que é aceitável, passam a imagem de serem pessoas com a mania que têm o rei na barriga e que têm que ter razão à força toda.

pronto. disse.

' Precisam-se


sugestões para festa de 21º aniversário.

todas são bem-vindas.

2 de abril de 2011

' Cada vez mais detesto trabalhos de grupo.

detesto ter que depender de outras pessoas para trabalhar. ter horas marcadas para reuniões. ser praticamente impossível estarem todos naquela reunião.

detesto pessoas que não fazem nada e se encostam ao trabalho dos outros. dão dicas sobre as cores do powerpoint e têm a nota toda.

detesto pessoas que são mandonas. acham que lhes foi delegado o papel de "eu dirijo o trabalho" e dizem aos outros o que fazer.

detesto quando não atinamos com as datas de apresentações e entregas. não dá jeito a uns, não dá a outros, mas por algum lado tem de se entrar, e há sempre alguém que fica insatisfeito. normalmente, é a pessoa mais permissiva. EU.

detesto que haja discórdias, não concordam com o que os outros fizeram e criam-se conflitos e mau ambiente. nisso, eu falho muito. como evito conflitos e detesto confrontos, quase nunca digo quando algo não me agrada. quando digo, fica um mau ambiente do caraças e eu detesto isso.

detesto que os trabalhos de grupo nunca sejam trabalhos de grupo, cada um sabe a sua parte e sobre o que vai falar na apresentação oral, e dos outros não sabem nada. acabamos por não aprender rigorosamente nada sobre o tema que estamos a tratar, só uma fatia do bolo.

detesto que o trabalho não fique a parecer que foi feito por um grupo, mas sim trabalhos individuais colados uns aos outros.

detesto colocar o meu nome num trabalho não feito inteiramente por mim.

detesto confusões e coisas feitas à última da hora. gosto de fazer as coisas com antecedência, é o meu ritmo, mas outras pessoas gostam de fazer à pressão, em cima da hora, dizem que funciona melhor para elas; depois, como o meu trabalho depende do delas, tenho de fazer à última da hora também, e detesto isso. faço as coisas com imeeensa antecedência e digo "já fiz". nunca ligam. na véspera, vêm falar comigo? e dizer que isto e aquilo está mal e podia estar melhor? really? eu já fiz. repararam? podiam ter-me dito o que acahavam mal há uma semana. não vou corrigir coisas na véspera.

detesto não poder fazer o que quero, quando quero e onde quero, tenho que estar sempre dependente dos outros para não ficar um trabalho incoerente.

detesto ter de ensaiar uma apresentação em grupo, sob pena de roubarem as partes uns dos outros - o que já me aconteceu, e sei que não foi por mal, mas quando chegou ao que supostamente era a minha parte, já tinham dito e a stora começou a dizer "já está a repetir". e o que é que eu ia dizer? inventar? nunca fui muito boa a improvisar, muito menos em frente a uma turma inteira.

detesto que se criem conflitos entre AMIGOS por causa de trabalhos. erro crasso que se comete, fazem-se grupos com base na amizade. erro crasso. até já pensei em virar-me para os meus colegas e dizer "isto assim não funciona, trabalho trabalho, amigos à parte, vou mudar para outro grupo qualquer em que não tenha relação de amizade com eles", mas já sei que iam atirar-me bananas e eu, como já disse, permissiva e estúpida, detesto confrontos, deixo-me estar.

detesto conflitos, em geral.

para que isto tudo fosse evitado, e os trabalhos de grupo fossem optimizados, era preciso que todos fizessem tudo e não só uma parte, que todos pudessem estar presentes nas mesmas reuniões, que não fossem amigos e não começassem a conversar sobre coisas que não interessam para nada quando é hora de trabalhar, que não houvesse brigas e discussões quando houvesse discórdia. mas isso é praticamente impossível. há sempre alguém que não pode, há sempre alguém que faz menos, e outro que faz mais, e um que escreve por palavras suas, e outro que faz copy paste.

por isso, detesto trabalhos de grupo. já cheguei a desistir de um trabalho - e fazer a cadeira por exame - por causa de um trabalho de grupo, porque não tinha tempo para reuniões (trabalho mesmo a sério, quando trabalhava todas as manhãs) e não gosto que façam as coisas por mim, preferi sair, sentia-me pressionada. se desse para fazer avaliação contínua por trabalhos individuais, era o que fazia. saem-me sempre melhor, sinto-me sempre mais motivada e acabo por entregar com antecedência e não fazer as coisas em cima do joelho. é tudo feito por mim, quando quero, onde quero, e o meu nome está lá por mérito meu, exclusivamente. sou extremamente independente, até a trabalhar.

já disse que detesto trabalhos de grupo? e, no meu curso, em cada 10 trabalhos, 9 são... de grupo. shit.

1 de abril de 2011