23 de março de 2011

' I carry a giant suitcase with me.



O Leonel era o típico aqui-me-queres-aqui-me-tens. Não fazia nada da vida e também não queria fazer. A vida dele era dormir até às 18h e ficar na rua até às 6h com os amigos a fumar ganzas. Quando ele estava acordado, eu estava a dormir. Eventualmente, ele acabou por arranjar um trabalho, os pais não aguentavam mais dar-lhe rios de dinheiro para a boa vida. Mas ele continuava na mesma. Se fosse preciso nem dormia, para ficar com os amigos a noite toda, e depois ia trabalhar. Mas isso não me incomodava nadinha. Eu acabei por me adaptar ao estilo de vida dele, todas as noites íamos sair, comecei a fumar, posso mesmo dizer que estive 1 ano e meio seguido mocada. Quando mudei de casa (porque éramos vizinhos, e deixei de poder estar com ele tanto tempo), comecei a ver o verdadeiro carácter dele. Comecei, simbolicamente falando, a ficar “sóbria”. Deixava-me pendurada para ir ter com os amigos. Preferia os amigos a mim. Não me ligava nenhuma. Um dia, eu acordei e disse “não quero isto para mim, não quero uma pessoa que prefira estar com os amigos do que estar comigo, de todas, todas, todas as vezes”. E acabei tudo.

Os seguintes foram one-night stands. Eu estava naquela fase em que só me queria divertir e aproveitar a vida, sem compromissos. O sexo com o primeiro era extremamente mau, eu nem sequer gostava – acho que só aguentava aquilo porque estava sempre high, e também não tinha base de comparação porque perdi a virgindade com ele – portanto tal não foi o meu espanto quando descobri que havia algo melhor que aquilo, sem compromisso, ainda por cima. Apanhei de tudo, todos os estilos, feitios, orientações sexuais ocultas (!), fantasias e fetiches. Não me apaixonei por uma única vez. Tive crush’s, especialmente ao início, porque não sabia ainda separar sexo, ou “amigos com benefícios”, de emoções e namoros e paixão, mas rápido percebi que se estava a ser usada, mais valia eu usá-los também.

Depois, conheci o Tiago. Pelo Tiago, apaixonei-me loucamente. O sexo era muito bom – do melhor que tive na minha vida toda – e a conexão de personalidade, ainda melhor. O Tiago tinha um curso, mas trabalhava num supermercado. Na altura não queria saber disso também, ainda não pensava em construir um futuro com ninguém. E o Tiago nunca me trocava pelos amigos, algo que eu disse que nunca mais queria passar por. Eu era o centro das atenções, era o tudo, e isso era o melhor para mim. Mas o Tiago não me aceitava pelo que eu era. Não aceitava a minha personalidade, achava demasiado “out of the box”, achava que eu o ia trair, que eu ia acabar com ele mais dia menos dia, por isso, mais valia acabar ele comigo primeiro, dava demasiada importância ao que as outras pessoas pensavam. Claro que para mim não eram, e ainda hoje não são, razões válidas para acabar com o que nós tínhamos, porque tínhamos uma história fantástica e muito bonita, tanto que até mesmo depois de acabarmos continuávamos a sair juntos e a estar juntos e a ter vida de namorados. Mas, assim, sem compromisso, sem ser oficial, sem os outros saberem, o Tiago já não tinha medo das represálias de “ser visto” com uma miúda maluca, longe de ser virgem e pura, com fotos provocadoras no hi5 e ideias loucas escritas num blog público. Eu sujeitava-me a isso, não sei porquê, um dia acordei e pensei “não quero uma pessoa que não me aceite pelo que eu sou”. E acabou tudo.

Continuei a divertir-me e a ter os meus amigos coloridos, sempre foi a minha forma de esquecer desgostos amorosos.

Depois, tive uma crush por um rapaz do meu antigo curso, não digo nomes, que há gente do meu antigo curso que lê isto. Foi uma coisa parva, começámos a namorar, namorámos 3 semanas. Foi engraçado que até me lembro que na noite em que começámos a “namorar”, foi uma noite em que eu tinha combinado ir jantar a casa do Bruno (meu actual namorado) e da irmã dele, através da irmã dele, obviamente, de quem era amiga na altura, e mandei sms à última da hora com uma desculpa parva a dizer que já não podia. O Bruno, mais tarde, contou-me que nessa noite teve péssima ideia de mim por causa disso, lol. Há coisas engraçadas. Adiante. Com esse rapaz, refiro-me a “namoro” entre aspas, porque foi uma coisa um bocado parva. Durante 3 semanas, se tivemos juntos 3 vezes foi muito. Só estávamos juntos quando estávamos com pessoal do curso. Não me vou referir a pormenores íntimos, que, como já disse, há gente que o conhece que lê isto. Vou saltar já para a parte em que eu vi que não fazia sentido nenhum, para além dos pormenores íntimos: para além da falta de interesse constante, ele estava sempre a dar-me barras, e uma noite, numa gala da faculdade, em que eu não tinha boleia para casa, ele tinha carro e saiu uma hora mais cedo do que eu para levar uma amiga dele a casa, e a mim deixou-me pendurada à espera que chegasse a hora de haver autocarros. Eu estava podre de bêbada – foi das poucas vezes que fiquei bêbada na vida, detesto beber na verdade – e na altura não liguei. Nessa noite, beijei com outro rapaz. Não considerei traição, sinceramente, porque foi um beijo, não foi uma curte, não foi nada mais, mas whatever, se foi traição, foi a primeira e única vez até hoje. No dia seguinte, acordei e pensei “não quero isto para mim, não quero uma pessoa que prefere levar uma amiga a casa em vez de a própria namorada, quando ele tem carro e ela não tem forma de ir para casa”. E acabámos tudo.

Esse rapaz com quem curti nessa noite acabou por ser a minha última amizade colorida, durante uns 2 meses, fantásticos, devo dizer.

Depois, veio o Bruno. O Bruno ainda cá está, há 1 ano e quase meio. Já nos conhecíamos há algum tempo e andávamos a picar-nos por sms e msn, mas a coisa só entrou em vias de facto na passagem de ano de 2009 para 2010. O Bruno é o melhor namorado que tive até agora, porque contraria todas as coisas que, acima, eu disse que “não queria para mim”: o sexo é óptimo, nunca me troca pelos amigos, adora estar comigo, nunca notei falta de interesse da parte dele, e aceita-me como sou. Além disso, não liga ao que os outros dizem – mesmo que lhe digam todo o tempo que eu sou uma vaca e o traio (not!). Enfim, pessoas que não me conhecem sequer. Mas o Bruno é, também, preguiçoso. Não tem sequer o 12º completo, não tem trabalho, e para arranjá-lo, é o ver se te vias. Não se esforça nada, não vejo nenhum empenho, parece que não quer mesmo saber. Isso, agora, pela primeira vez, sim, chateia-me. Porque cresci. Talvez chegue o dia em que eu acorde e pense “não quero isto para mim, não quero uma pessoa que não queira o mesmo que eu da vida, na mesma altura”. Será que esse dia vai chegar?

Eu espero que não porque, depois de ler esta estupidez pegada, que escrevi como se fosse um diagnóstico diferencial, chego à conclusão que, mesmo que o Bruno seja um preguiçoso-parasita da sociedade, é o melhor que encontrei até agora.

4 comentários:

Menina disse...

Gostei de ler =) eu devia estar na fase "curtes e amizades coloridas", mas nem nisso tem tido sorte lol (ou eu própria não crio a minha sorte!)

→ Calipso disse...

Gostei mto do teu texto mas o teu namorado nao se importa qe refiras constantmnt o facto de ele nao se empenhar ? O.O

Salsa disse...

Tu acordas muitas vezes a pensar: "não quero isto para mim".
Um relato dos últimos anos da tua vida, gostei, vou da-lo a uma amiga minha para ler.
Olha boa sorte na tua vida e vê lá se deixas de acordar com esse pensamento ou vais acabar como eu a correres o país em nove anos e chegas finalmente a conclusão que não é isto que quero para mim.

Botas disse...

Só falta aquilo para ficar mesmo no ponto.=)

<3