24 de março de 2011

' Tenho a sensação que fui despedida.

A modos que o meu boss hoje de manhã diz-me "este sistema não está a funcionar, a Cláudia tem a sua vida e nem sempre tem tempo para isto, eu compreendo, pela minha parte eu estou com uns problemas graves e preciso ausentar-me e não poderemos trabalhar juntos durante um tempo", bla bla bla bla bla.

Não me despediu directamente, mas pagou-me o mês de Março (inteiro) e disse que teríamos de "fechar este capítulo e passar para outro", "fazer uma pausa", e "vou pensar numa solução para a Cláudia continuar a colaborar connosco, mas deste modo não, e por isso dê-me tempo para pensar que depois digo-lhe".

Foi injusto. O homem trata-me impecavelmente bem e sim, eu compreendo o lado dele, e sei que ele compreende o meu, mas foi injusto. Porque eu não tenho feito quase mais nada da minha vida que não trabalhar. Não é um trabalho que tenha que estar lá obrigatoriamente e "picar o ponto", mas é um trabalho que exige atenção. Como ele diz, é "um part-time a tempo inteiro". Que exige que eu esteja sempre, 24/7 atenta ao email, para ver se algum cliente enviou pedido de informação. E a minha obrigação é responder o mais rápido possível. Ou seja, pode ser até a partir de casa e uma coisa rápida e fácil - que é - mas posso ter que responder a um email tanto às 15h da tarde como às 5h da manhã, e obviamente, eu ainda preciso de dormir e comer e outras coisas, não posso estar sempre agarrada ao computador. Eu dei o meu melhor. Quando fiquei quase um mês sem portátil, "obriguei" praticamente o Bruno a ficar em minha casa para utilizar o pc dele, para trabalho. Quando ele foi embora, fui para casa da Vera para poder ter internet e trabalhar. Já para não falar dos furos na faculdade, ia sempre para um pc também ver se tinha alguma coisa. Não tinha vida, para além de ir às aulas. De resto tentava estar sempre em casa e ir sempre ver o mail, muitas horas ficava eu à frente disto. Uma noite que fui sair, só respondi a um email 12 horas depois de o ter recebido. Levei uma bronca, mas uma bronca, nada de gritos, apenas insinuações como "como posso confiar na Cláudia, se só responde a um email 12 horas depois". E este fim-de-semana, que não estive cá nem tinha acesso à internet, ele diz-me "eu precisava da Cláudia, por acaso". Andava sempre exausta, sempre sem paciência e irritadiça. E os erros? os erros da parte dele, que se engava moooontes de vezes, e depois dizia que era eu!! Apetecia-me abaná-lo e dizer "porra, eu tenho vida também! eu dou o meu melhor e mostro 100% de disponibilidade! e o senhor sabia desde o início que eu tinha aulas e trabalhos e disse que não haveria problema nenhum, que queria mesmo um estudante e que podia ser em part-time". Quer dizer. Ele disse-me, desde o início "isto não é complicado e dá para a Cláudia conciliar com a sua vida, que também a tem, obviamente", sempre respeitador do meu tempo, dos meus estudos, de tudo, sempre muito compreensivel. E depois diz-me isto?

Foi injusto e senti que levei um murro no estômago, mas verdade seja dita, não pude ripostar, resmungar, defender-me, porque vendo bem as coisas, apesar de ele precisar de mim (que ele diz que precisa, que com a idade dele não está para estar o dia todo à frente do computador), eu preciso mais dele e sempre é ele que me paga. E ele disse que ia arranjar outra forma de eu colaborar, por isso nem tudo está perdido.

Eu ainda me propus a comprar um daqueles telemóveis todos xpto (não percebo nada dessas tecnologias) que dá para aceder à internet e responder aos emails onde quer que eu esteja e a que horas for, nem sei o que me passou pela cabeça porque uma coisa dessas é mais cara que o meu ordenado inteiro. Há que gastar dinheiro para fazer dinheiro, mas ele pareceu ter-me ignorado em relação a isso e continuou na lenga-lenga.

Custou-me. Porque eu faltei a muitas aulas que tinha de manhã ou aulas extra que ficavam no horário de trabalho, deixei de ir a muitos sítios, trabalhei fins-de-semana incluindo domingos, já para não falar das vezes que deixei o pc ligado a noite toda para ir vendo se recebia emails e responder, e ele diz-me que eu não tenho dedicação suficiente, por palavras mais dedicadas.

E o mal disto tudo foi não ter contrato de trabalho. Ele pode despachar-me assim sem mais nem menos só porque lhe apetece. Queria tanto uma coisa sem contrato, mas já sabia que havia este risco.
Foi um murro no estômago e esta semana está toda a correr mal.

Pronto, agora vivo na incerteza, na ambiguidade, e como eu DETESTO viver na incerteza, stressa-me viver na espera, que ele me diga algo positivo, algo como "arranjei uma forma da Cláudia colaborar", algo que me dê a certeza que, der por onde der e seja preciso o que for, eu receba aquele X, ou até menos, desde que dê para pôr algum de lado, por mês, nem que fosse o suficiente para eu não ter que estar sempre a pedir dinheiro à minha mãe para as coisas do dia-a-dia, detesto isso, detesto sentir-me dependente dessa forma.

É fodido quando nos habituamos a ter uns trocos ao fim do mês para coisas triviais, comida, transportes, fotocópias, e depois chapéu.

Shit. Odeio isto.

5 comentários:

MartaP. disse...

que chatice. não sei o que é ser 'despedida'. mas tou solidária. espero que ele te ligue, apesar do tempo que te ocupa, sei que o dinheiro depois sabe muito bem ao fim do mes.

Jessica disse...

Sou da mesma opinião... isso de termos o nosso dinheiro e depois tarmos a pedinchar é mesmo chato. No verão ganhei uns trocos e agora detesto tar a pedir...

ADEK disse...

Pode ser que as coisas se proporcionem de forma positiva, e ele arranje mesmo essa maneira de colaborares brevemente. Estou a torcer por isso!*

Daniel Sousa disse...

Quase todos os telemóveis dão para aceder ao e-mail, tens é de pagar o acesso à Internet

Botas disse...

É só uma sensação.=)

<3