21 de julho de 2011

' Porque todo o mundo depende tanto de mim.



Eu sou uma pessoa bastante independente e desenrascada. Se tenho uma ideia, ou me lembro de que quero fazer alguma coisa, faço, sozinha ou acompanhada, mas sem quaisquer problemas de o fazer sozinha... Desenrasco-me, vou atrás, e acabo sempre por conseguir. Gosto de pedir opinião aos outros quando não tenho a certeza de algo, mas assim no geral sou bastante decidida e determinada, informo os outros que vou fazer, não peço... e, geralmente, são as próprias pessoas que me perguntam se preciso de ou quero ajuda, ao invés de ser eu a dizer "ajuda-me". Não por orgulho, mas porque estou habituada a fazer e a conseguir as coisas sozinha.

Já o contrário se passa comigo. Por vezes há alturas, fases, em que parece que todo o mundo precisa de mim e me pede ajuda. Vejamos: eu sou a pessoa que empresta os apontamentos, no fim do semestre, pois passo sempre a matéria toda e normalmente ninguém passa; eu sou a pessoa que envia num e-mail todos os documentos pedidos e necessários para ir em erasmus à rapariga da minha faculdade que, supostamente, também vai comigo, mas que deixou para a última da hora e não tratou de nada; eu sou a pessoa que arranja bilhetes para o super bock super bock em cima da hora, quando estava esgotado em todo o sítio, porque as pessoas com quem ia simplesmente deixaram para a última da hora também - e eu fui sempre a pessoa que teve o tempo todo a dizer "vamos comprar os bilhetes", "olhem que eles vão esgotar", e até mesmo no próprio festival, fui eu que tive o cuidado de levar comida e água, ainda que eles dissessem "ah eu não vou ter fome, nem sede", e, obviamente, que acabaram por ter - eu penso sempre em tudo; eu sou sempre a pessoa que dá alojamento gratuito, se alguém não tem onde passar a noite, no que depender de mim não fica sem tecto nem debaixo da ponte (e não me queixo de o fazer, faço com gosto e até costumo brincar com a situação e dizer que a minha casa é uma pousada da juventude gratuita com refeições incluídas); já para não falar na quantidade de dinheiro que empresto (1 euro aqui, 2 ali, 3 ali) quando é realmente preciso. Mais desenrascada do que eu, ainda, só mesmo a Carol, amiga e roomate da Vera, que é capaz de ir tocar à porta de todos os vizinhos para pedir caril, para fazer frango de caril, quando nos esquecemos de comprar. xD

Resumindo, concluíndo e baralhando, sempre que alguém está em apuros ou precisa de uma mãozinha, a Cláudia está lá para dar. Porque já sabem que sou desenrascada, organizada, e sou expert em gestão de tempo, e que geralmente consigo as coisas que meti na cabeça que quero, e que consigo escapar-me das situações e problemas de forma natural... e, principalmente, que me foco sempre na solução e nunca no problema.

Não é, de todo, minha intenção, queixar-me ao dizer isto. Gosto de ajudar, se alguém me pede ajuda e quando posso (e às vezes quando não posso ou não me dá jeitinho nenhum), gosto de ver as pessoas à minha volta bem. Digo isto com aquele intuito de que, às vezes, cansa. às vezes eu só quero não fazer absolutamente nada, daqueles dias em que acordo para voltar a dormir... e se ligo o telemóvel já tenho outra vez alguma msg a dizer "preciso de", "faz-me um favor", "podes ajudar-me", "já viste aquilo de". xD Há alturas em que isso é tão óbvio, que eu nem sequer ligo os telemóveis um dia inteiro.

Mas a culpa é minha. Porque eu sou permissiva e facilito demasiado a vida a todo o mundo. Digo sempre que sim, e nunca me consigo chatear. Emprestei o meu caderno e não o vi durante 2 semanas? Odeio, odeio isso, odeio escrever matéria em folhas soltas porque alguém levou o meu caderno emprestado supostamente por 1 dia, mas consigo chatear-me? Não. A culpa é toda minha, porque eu facilito demais.

Já me disse a mim própria tanta vez, e já me decidi tanta vez, que tenho de aprender a dizer que "Não". Ficam chateados quando, geralmente, digo que "não", por mau-hábito... E como detesto conflitos - evito-os ao máximo - e detesto discutir e que fiquem chateados comigo, ainda que eu tenha razão, acabo sempre por evitar esse tipo de situações... e digo sempre que "sim" a tudo.

E, depois, é como diz a imagem: ninguém repara no que faço, até que não o faço.
WHAT'S WRONG WITH ME?!

4 comentários:

Jessica disse...

Infelizmente também tenho esse defeito... Sim a tudo. Porque tal como tu, detesto conflitos, nem gosto de andar com má cara com alguém. Fico tão preocupada! Que feitio este...

_+*Ælitis in Paris*+_ disse...

"Welcome to the beautiful world of... me" - não gosto de pedir ajuda, sou uma sozinha, nasci assim, fui criada assim e tenho a certeza que se não me mexer, ninguém o fara por mim. Mas os meus superiores, no passado, ja me explicaram que isso pode ser um problema porque nenhum homem é uma ilha e temos de saber pedir ajuda (coisa que pareces fazer, dizes isso no post).

Quanto às pessoas que não agradecem, antes pensava que eram apenas ingratas até dar-me conta que... ha pessoas que nao sabem que pediram a nossa ajuda ou que tomaram o nosso tempo. Nao se dão conta, até, como de novo dizes acima, quando precisam de nos de novo e la nao estamos. E vao lembrar-se mais facilmente de quando nao tiveste la do que quando estiveste. Essa é a realidade.

***

aryabodhisattva disse...

Demora, mas quando é necessário conseguimos aprender a dizer 'não'. E ainda assim, ajudamos, estamos disponíveis, continuamos a ser pessoas de confiança. Mas os abusos acabam. Eh pah, um dia lá têm de acabar.
A história do teu caderno lembra-me uma minha: uma vez tive de tirar fotocópias de um livro inteiro porque não tiveram o cuidado de devolver o meu antes de um teste. Hoje em dia... isso já não aconteceria. Gastar o meu dinheiro num livro e depois em fotocópias do mesmo?! No que é que eu estava a pensar? Mas lá está, tinha vergonha de pedi-lo de volta, não queria parecer uma bruxa do retorno rápido de empréstimos.

Botas disse...

Isso acontece com muitas pessoas, só quando as pessoas deixam de fazer algo é que as outras reparam.

<3