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20 de agosto de 2011

' De dar demasiada confiança.

Já várias pessoas me disseram, e eu não posso discordar... eu sou uma pessoa que dá demasiada confiança. Para além do problema de ser permissiva, do qual já falei over and over, tenho aquele grande problema que é o de ser ingénua, acreditar em tudo e todos, e SÓ ver o lado bom das pessoas… Fico sempre à espera que nunca me desiludam, que gostam mesmo de mim, um gostar sem interesse, que têm sempre boas intenções. I buy whatever you want to sell to me, if you speak the proper words. Significa isto que é demasiado fácil levarem-me com cantigas, falinhas mansas e elogios.

Qualquer pessoa na minha posição acabaria este texto, dizendo “é por isso que só levo pontapés dos outros”, mas no meu caso, por mais fascinante que possa parecer, não é o que sucede… não estou em posição para me armar em vítima e dizer que sempre me desiludem, nem mesmo porque eu sou ingénua e acredito no lado bom de todo o mundo e nem todo o mundo é assim tão bom. Talvez seja mesmo uma questão de karma e energia… eu confio tanto nas pessoas, que essa confiança é, na maioria das vezes, retribuída, e não tenho grandes memórias de ter sido desapontada, ou da minha confiança ter sido traída.

O facto de ser ingénua e acreditar em tudo e confiar em toda a gente nunca me deu grandes problemas… talvez porque, de uma forma ou outra, as circunstancias e/ou ambiente e/ou pessoas à minha volta nunca deixaram que tal acontecesse. Mas tenho consciência de que vou para um país diferente, sozinha, on my own, e tenho de começar a perder toda esta ingenuidade. Foi um conselho que várias pessoas, que me conhecem bem, me deram, e nisso, eu tenho que concordar. Nem todo o mundo tem as melhores intenções.

22 de abril de 2011

' Da minha crise de meia-meia-idade.



Tenho a sensação que estou com uma crise de meia-meia-idade. Dois "meias" porque é a crise de meia da meia idade propriamente dita. Confusão, bem, também não interessa!

Tenho a sensação que estou a sair da adolescência, e não quero. Sinto que não a aproveitei como devia! Tive as minhas fases, saí muito, curti muito, fumei muito, bebi bastante, f*di muito, menti muito aos meus pais, brinquei muito, mas sinto que podia sempre ter feito mais.

Sempre fui responsável e nunca me consegui "livrar" disso. Por mais merda que fizesse, tinha sempre a cabeça no sítio e só me deixava fazer disparates q.b.. Gostava de ter sido completamente desmiolada por um só dia.

Agora, sinto que não aproveitei bem. Já não gosto de discotecas tanto como dantes. Já não aguento noitadas até de manhã, como dantes. Já não tenho a mesma pedalada. Já não acho piada às mesmas coisas. O meu corpo já se ressente quando chega ao fim-de-semana. Já não gosto de beber. Estou a deixar de fumar. Já não tenho tanto apetite sexual como dantes, que parecia uma coelha, já não tenho curiosidade - pelo menos em relação ao sexo oposto, masculino - já sei como tudo se faz, já sei como tudo é, já começa a ser tudo mais do mesmo. As minhas relações amorosas estão a ficar cada vez mais longas, em vez de coisas como um mês, uma semana, uma noite. Já não acordo às 16h ao fim-de-semana, a partir das 11h quase não consigo dormir. Já tenho mais noção das coisas que me fazem mal, à minha saúde. Comecei a fazer exercício. Shit! ESTOU A FICAR ADULTA.

O pior? É que ainda não tenho a mais pequena ideia de como vai ser a minha vida, ou de como eu quero que seja a minha vida, daqui para a frente. Claro, tenho projectos e objectivos, mas na realidade não sei bem. Imagino e sonho, mas sempre sem certezas. Estou mesmo a ver-me a ficar em casa da minha mãe até tarde, e isso era tudo o que eu não queria. Mas não me quero "lançar" já ao mundo real e ao mercado de trabalho sem saber o que quero realmente da vida. Porque a verdade é essa, eu não faço a mínima ideia do que quero da vida. Tenho paixões e coisas que gosto, mas não uma única coisa que me faça querer levantar da cama e conquistar o mundo e que me faça dizer "isto é o que me move e o que eu quero fazer na vida".

O ano passado, a lenga-lenga foi a mesma. Dos 19 para os 20 e ainda não sabia bem o que queria. Agora, é pior, porque agora vou atingir a 2ª maioridade, os 21 anos. E o pior? Este ano passou tão rápido, sinto que ainda ontem tinha 19, aliás, sinto que ainda ontem tinha 17.

Nevertheless, vou aproveitar os meus ainda jovens 21 aninhos, porque quando tiver nos 25 vou desejar tê-los aproveitado agora.

Eu sei que é cedo para dizer isto, mas acho que estou a ficar com medo de envelhecer.

Não quero fazer 21 anos.

E éjá depois de amanhã. Shit!

7 de fevereiro de 2011

' Decisões.



Devido aos últimos acontecimentos, hoje fiz mais ou menos um plano geral dos meus planos a longo-prazo para os próximos dois anos (e qualquer coisa, uns meses). Afinal, eu preciso dar um jeito na minha vida!

TRABALHAR (part-time que já arranjei) + AULAS (2º ano Licenciatura, que já começaram) - juntar dinheiro (de hoje até Julho/Agosto 2011) --> ERASMUS em HOLANDA (Setembro 2011) --> voltar a Portugal (Janeiro/Fevereiro de 2012): AULAS (3º ano Licenciatura) + TRABALHAR (o mesmo part-time, ou outro) - juntar dinheiro/repôr os estragos financeiros do Erasmus --> COMPRAR UM CARRO em 2ª mão com meu dinheiro (por volta do Verão de 2012) --> TRABALHAR MAIS + Acabar LICENCIATURA Psicologia (já decidi que vou tirar um ano extra para cadeiras que vou deixando em atraso e que de certeza que vou deixar em Erasmus, um ano a mais não me faz confusão e ainda me dá mais tempo para pensar no que quero realmente, que ainda não tenho a certeza) (portanto, até ao fim do ano lectivo de 12/13, em 2013) --> TRABALHAR + MUDAR-ME PARA CASA DA VERA (sempre quis partilhar casa com uma amiga, a Vera é a ideal (ela concorda), mas claro que isto só para daqui a coisa de ano e meio). Nessa altura já vou ter 23 anos. E eu que já me sinto velha e ainda não fiz os 21.

Mas claro que há um plano B: caso não seja colocada em Erasmus este ano, saltar essa etapa e fazer tudo o que está planeado para depois disso, e candidatar-me depois no último ano de Licenciatura.

Para além desses planos gerais, também decidi coisinhas mais pequenas, como por exemplo, vou começar a fazer exercício físico, não que queira emagrecer, porque adoro o meu corpo como ele é, mas sim por uma questão de saúde. Por isso queria inscrever-me em aulas de natação, e natação porquê? porque não me faz suar, e uma das razões por que eu detesto desporto/exercício é mesmo por isso, porque detesto sentir-me nanhosa cheia de suor.

TENHO UM MUNDO PARA CONQUISTAR!... não quero ficar para sempre na casa da mamã e a ter de pedir 15 euros todos os meses para comprar o passe do autocarro. estou muito farta disso. E também estou farta que ponham em causa e/ou contestem as minhas decisões e opções, ou que me digam o que "devia fazer". O que devia fazer só eu sei.

Quanto ao assunto de baixo, estou a dar-lhe o Silent Treatment e não falo com ele, não atendo as chamadas, não respondo às sms's. Para ver se é desta que ele acorda e que eu vou fazer pela minha vida, se ele não quiser fazer pela dele... eu tenho de continuar, acompanhada ou sozinha, no fim das contas a única pessoa com quem posso contar verdadeiramente é comigo mesma. Preferia acompanhada, por ele, claro, gosto tanto dele!... Mas não acredito em "amor e uma cabana", sinceramente, o amor não chega. Hoje vi que ele se inscreveu nalgumas cenas, mas vê-se logo que nem sequer leu: inscreveu-se para coisas na Venda do Pinheiro e em sítios que nem sequer ficam em Lisboa nem perto de onde ele mora. ele fez isso por causa do meu Silent Treatment, não porque quis realmente, não porque esteja realmente interessado, nem sequer leu a oferta. Não gosto de ser a má da fita, por isso vou lavar as minhas mãos desse assunto. O que quer que aconteça agora está nas mãos dele.

Custa muito, sinto-me angustiada. Andei o dia todo com um nó na garganta e um aperto no coração, porque não me faz sentido, neste momento, acabar com ele. Provavelmente, está na altura de começar a pensar em deixar esfriar as coisas por si mesmas. Mas ainda estão muito quentes, e já estou com saudades dele. Custa-me sequer pensar nisto, porque há coisa de um mês atrás, e apesar de tudo, eu achava mesmo que ia ser para sempre. Apetece-me chorar só de pensar que é cada vez mais possível, e nunca foi tão possível na minha cabeça, acabar com ele. É o que menos quero.

Mas também me sinto com vontade de mudar a MERDA DE VIDA QUE TENHO TIDO. Ele tem sido a minha felicidade em quase tudo, mas e agora, que quero evoluir na vida? Não posso ficar presa a uma pessoa que não quer evoluir comigo. Até podia deixar andar, que é o que vou fazer por agora, e para de me preocupar com coisas que não é suposto ser EU a preocupar-me, mas estou numa fase em que não consigo deixar de pensar no meu futuro. Sinto-me triste mas com energia.

E se eu não começar a pensar na minha vida e a começar a construi-la AGORA, quando será?
Já não sou nenhuma criança e está na altura de tomar algumas decisões a sério, parar de ver a vida a passar-me ao lado e começar a vivê-la.

(mas queria vivê-la com ele... sou uma romântica incurável, não dá para mudar isso, o coração ganha sempre à razão).

2 de fevereiro de 2011

Estava na paragem à espera do autocarro, a ler Caim, de José Saramago, esse grande senhor, não o senhor de que o autor fala com uma ironia, uma crítica e um sarcasmo subtilmente geniais, mas sim esse grande senhor que era Saramago, e a preparar-me para tirar o cigarro-de-espera-do-autocarro, uma senhora com um ar simpático aparece e diz, Menina, posso falar um pouco consigo, enquanto espera pelo autocarro, ela tinha um ar simpático, eu acho as senhoras idosas extremamente fofinhas, apesar de saber que era uma testemunha de jeová não disse que não, e aí se deu o momento do dia que me vai servir de reflexão para o resto da semana. Ela diz, Menina, acredita em deus, Não, Mas acredita nalgum deus, Acredito no meu deus, sou espiritual, Acha que há um ser superior, portanto, mas não sabe qual é, Sim, Mas sabe que essa entidade superior tem um nome, Sim, Sabe qual é, Deus, Não minha querida, deus é um título, nomes só há um, Qual, Jeová, Hm, Quero dar-lhe a ler algumas passagens da bíblia, Está bem, e ela desfolha a bíblia, parece que sabe as páginas de cor, de trás para a frente e de frente para trás, não leva mais do que 2 segundos para chegar onde quer, dá-me a ler as passagens exactamente que descrevem o que ela me queria transmitir. Ela falou durante o tempo todo, sempre muito preocupada, Olhe o 745, não é este o seu autocarro, Não não, digo eu, com ar de quem não está muito preocupada, de 3 em 3 minutos ela diz, Olhe, não é este o seu autocarro, estava ela mais preocupada do que eu, eu que não tenho pressa para apanhar autocarro para lado nenhum, ela que acredita que eu tenho, no fundo, um destino, eu que não sei para onde vá, ela que acha que eu vou a algum lado. Claro que isto tem um sentido metafórico. Eu olhava para ela e pensava para comigo mesma, Ela tem um ar tão feliz, eu tenho um ar tão perdido, se calhar ela um dia já esteve como eu, revê-se em mim, não sabia em que acreditar, não sabia se havia de acreditar em algo ou se realmente havia algo para acreditar, não tinha nenhum autocarro para apanhar, encontrou a sua resposta na bíblia, a cara dela cheia de rugas dizem-me que muita experiência tem já, mas uns olhos brilhantes e resplandecentes de uma criança dizem-me que acabou de ver o mundo pela primeira vez e o acha maravilhoso, não consegue ver o mal, uma inocência de quem acredita profundamente naquilo que diz, numa ingenuidade profunda, feliz, uma alma completa foi o que vi naqueles olhos. Desafiei-a, Então diga-me lá, adão e eva foi quem deu origem ao mundo e ao que somos e conhecemos hoje, Sim querida, Eles reproduziram-se e tiveram dois filhos, Sim querida, E depois como é que os filhos deles se reproduziram para dar continuidade, tiveram de copular entre si, Sim, Então mas o incesto é um pecado, Sim querida mas naquela altura não era, não havia mais ninguém na terra, o senhor permitiu que assim sucedesse, como ele disse, crescei e multiplicai-vos. Não a contestei mais, apesar de achar esta uma das questões mais controversas da religião cristã, um pecado deu origem a tudo e agora é completamente condenado. Não quis destruir a ilusão nos olhos dela, mas resolvi desafiá-la novamente uns minutos mais tarde, enquanto ela falava no dia do juízo final, em que todos os maus iam morrer mas os fiéis iam ser salvos pelo senhor, e falando em todas as catástrofes mundiais, Então acha que a história do mundo se divide em fases, há pessoas, e depois há uma catástrofe, como a torre de babel que destruiu uma cidade inteira ou a inundação mundial que levou a que noé construisse a arca, e só um número limitado de pessoas merecedoras sobrevive, Sim, Também acho. Este também acho não foi de total concordância, devo dizer. Acredito que a terra tem destas fases, durante milhares de anos existem civilizações, intercaladas por grandes catástrofes a nível mundial a que ninguém, nem os bons nem os maus, sobrevivem, depois destas surgem novas civilizações. Mas não quis entrar por esses caminhos. Esse pensamento levou-me instantaneamente à teoria do eterno retorno de nietzsche, tudo retorna, tudo se repete, todos os elementos, todas as explicações, todos os acontecimentos, todas as existências. Fiquei existencialista, senti-me tentada a perguntar, Então, se tudo um dia vai acabar, porque estamos aqui, qual o sentido da existência, qual o propósito de tanto sofrimento, tanta emoção, tanta exaltação por que passamos, porquê este absurdo imenso de tudo, mas contive-me, sabia qual seria a resposta dela, Um reino de paz e amor e vida eterna, que jeová nos vai trazer de novo, onde não haverá pecado. O meu autocarro chegou. Agradeci-lhe por aquele momento, ela agradeceu-me a mim, disse, Gostei de falar consigo, é uma boa menina, talvez não acredite ainda mas deus está a olhar para si, tenha um bom dia, felicidades, Obrigada, para si também. No autocarro não ouvi música, não li, vim simplesmente a pensar, Gostei da senhora, não tentou impingir-me nada, ao contrário das outras que por aí tenho apanhado, apenas me explicou, com a maior inocência que eu já vi na vida, aquilo em que ela acredita profundamente, e foi por isso que não lhe disse, Desculpe, não tenho tempo, na maior mentira do mundo, porque, convenhamos, não tenho pressa para ir a lado nenhum, mesmo que ache que estou sempre atrasada para tudo. Pensei, novamente, E eu, ando perdida, talvez fosse melhor ser assim, crente, cega, ignorante, mas feliz de uma maneira pura, apenas por saber que tenho algum destino, algo que me espera, algo verdadeiramente superior, senti qualquer coisa no limiar da inveja, e pergunto-me, Como posso invejar alguém cujas crenças são contraditórias às minhas, se é que tenho algumas. É mais que certo e sabido que a consciência é quase sinónimo de infelicidade e angústia, quanto mais conscientes estamos mais questionamos, e quanto mais questionamos menos respostas obtemos, e esta consciência, esta exagerada consciência da transitoriedade da vida, passa pelo fenómeno do conhecimento, afinal, e se queremos ir à essência da questão, foi o conhecimento do bem e do mal que, segundo a religião cristã, trouxe o pecado e o sofrimento ao mundo, e neste ponto não posso deixar de me questionar, mais uma vez, e o que é isso do bem e do mal, o que define o bem e o mal, quais os critérios, quem decidiu, como, porquê, as mesmas questões que se aplicam a tudo o que me rodeia. Por outro lado, a ignorância, ou ignorantia em latim, de sua definição estado da mente em que não se formula qualquer juízo acerca de um objecto, é quase sinónimo de felicidade no seu estado mais puro, não conhecemos o bem mas também não conhecemos o mal, logo, não o praticamos. Ao contrário do que seria de esperar, já que quem ouvia a forma como a senhora falava de um mundo tão perfeito de uma forma tão convincente por ela mesma acreditar no que dizia, pelo menos pelos mais crentes, ainda fiquei mais céptica, pensei e repensei, Ainda estou à procura da minha resposta, uma resposta que nunca mais vem, não a encontro, com certeza, na religião, mas oh, o que eu dava na vida para ter cedido à vontade de fraquejar que senti enquanto a ouvia, se isso significasse uma vida cheia de significado e felicidade, o que eu não dava para ser ignorante, crente, e livre de angústias existencialistas. Mas o conhecimento é daquelas coisas, é como o vício, uma vez experimentado, já não se sabe o que é viver sem o objecto de vício, nem se imagina como o resto das pessoas que não têm esse vício conseguem viver. Resolvi entregar-me de novo às coisas triviais da vida, aos pensamentos mundanos, ao próximo cigarro, à procura de part-time, à ganância por dinheiro, a entregar a minha candidatura para erasmus, ao desejo de diversão e evasão, ao prazer da satisfação dos prazeres imediatos.

É que isto, de pensar demais, dói. Não vivo, vou sobrevivendo, tapando buracos aqui e ali com cimento de 5ª categoria, tapam uns, abrem outros.

Já agora, e porque nunca é demais relembrar: http://almaemestadopuro.blogspot.com/