Queridos, mudei de casa. isso mesmo. não mudei a casa, mas mudei a casa. bom, também mudei a casa. a minha mudança de casa foi, no mínimo, pouco vulgar. os comuns mortais, quando mudam de casa, encaixotam tudo, contratam uma empresa transportadora e metem o resto das caixas no carrinho, entregam a chave da antiga casa aos novos donos e siga. depois, claro, há sempre aquele tempo de decoração, comprar algo novo, pintar alguma parede, desencaixotar, arrumar, empilhar, limpar, organizar. mas eu, não.
eu saí de casa, um dia, sem mais nem menos, quando a minha mãe chegou a casa um dia e disse "arruma algumas roupas porque esta noite vais para casa da tua avó". e, nas decisões da minha mãe, eu nunca tive muito voto na matéria. sei que isto soa a expulsão de casa - e eu juro, não engravidei nem me meti nas drogas, as razões para esta decisão repentina da minha mãe foram outras que, embora na altura não tivesse compreendido, hoje compreendo perfeitamente. foi a última vez que dormi naquela cama onde estava habituada a dormir há um ano - sim, porque entretanto eu, nos meus 19 anos de vida, já mudei de casa umas 10 vezes. a partir desse dia, nunca mais nada foi normal. vivi 6 meses - insuportáveis (e só quem me segue há, no mínimo, um ano ou um ano e meio é que sabe o significado da palavra "insuportável") - até não aguentar mais e fazer as malinhas e ir para casa do meu pai, onde vivi mais uma boa temporada de meses. esses já não foram tão insuportáveis, mas fáceis não foram concerteza.
isto tudo porquê? porque a minha mãe resolveu comprar uma moradia - A CAIR DE PODRIDÃO - a um velhote cuja esposa tinha morrido, e que estava muito doente, e que queria vender a casa à pressa, e ir morrer à sua terrinha (entretanto o velhote já morreu). por isso vendeu-nos a casa às 3 pancadas, em cima do joelho, com um preço demasiado baixo para uma moradia de dois andares em plena Lisboa.
a casa estava MESMO a cair de podre. a primeira coisa que a minha mãe fez (antes de se instalar confortavelmente em casa da minha avó, o que deu azo a muita merda familiar que agora não vem para o caso), foi mandar tudo abaixo e só deixar as paredes mestras em pé. sim, ela iniciou uma extreme makeover que nem na tv eu tinha visto alguma vez. ela destruiu TUDO quanto havia dentro da casa, fez com que algumas divisões desaparecessem e criou outras.
e eu, super entusiasmada com a ideia de ir viver para uma moradia em Lisboa (e eu sempre amei viver em Lisboa), estava a adorar a ideia, e achava que eu ter que estar em casa da minha avó ia ser no máximo 3 meses, e todos os meses a minha mãe me dizia "para a semana já tens quarto", ou "para a semana já vão lá os homens pôr as canalizações", ou "daqui a duas semanas já temos água quente". "para a semana já", "para a semana já", "para a semana já". juro que, se ouvisse mais alguma vez "para a semana já", batia com a cabeça nas paredes. semanas, dizia ela. quanto tempo passou? UM ANO E MEIO. sim, UM ANO E MEIO. eu bem que queria ir para cá e insistia que não precisava de net (bull sheet), nem tv (bull sheet), nem água quente, que era Verão e eu tomava de água fria (depois no Inverno mudava de ideias, sure), nem nada. só precisava da cama, basicamente! isto tudo porque não aguentava mesmo muito mais viver com a minha avó (e, mais tarde, com o meu pai, devido a razões totalmente diferentes das da minha avó mas igualmente válidas). mas claro que não dava. não dava para viver nas condições que a casa tinha.
e agora passando do blá blá blá ao mais importante: a Julho de 2009, ainda a faltar muita coisa por fazer cá em casa mas com as condições mínimas necessárias (cozinha e cama e água quente), I moved in. fiquei tão contente e entusiasmada que queria imenso tirar fotos para fazer umas montagens Antes&Depois, só que ainda faltava metade da mobília de casa e não fazia sentido nenhum, né?. sim, a sala era só um espaço vazio, por exemplo, e o meu quarto tinha as paredes todas brancas. só agora, em Março de 2010, é que, FINALMENTE, todas as obras e obrinhas e decorações possíveis que se poderiam fazer aqui é que ficaram concluídas, com a chegada da TV e dos sofás à sala.
esperei um ano e meio para ter uma estabilidade mínima (em certos aspectos sou uma pessoa que gosta de rotinas) e esperei 7 meses para poder fazer este posting.
e é assim que, com o maior orgulho (sobretudo da minha mãe, que trabalhou dia e noite para conseguir pagar e fazer tudooooo), vos apresento os resultados finais:
a casa vista por fora.
devo dizer que não era suposto a casa ter ficado com esta cor. era para ser mais escuro. tipo rosa fucsia. a minha mãe enganou-se na cor e depois disse que "havia coisas mais importantes em que pensar".
anyway, até nem ficou má de todo. o Sandro diz
"parece uma casinha de bonecas".
a sala de jantar (pegada à sala em si) - piso de baixo. aquela sala de jantar dantes era um quarto. tinha uma parede a dividir. mas era um quarto ridiculamente pequeno (só dava para uma cama de casal), cheio de humidade e completamente inútil. por isso a minha mãe deitou a parede abaixo e prolongou a sala. a decoração, para mim, não é a melhor. detesto aquele armário, e aquele espelho e aquelas cadeiras antigas lá atrás. mas a minha mãe anda numa onda
retro.
o outro lado da sala. tenho cá para mim que as paredes ficavam melhores com uma corzinha. mas só de ver aquele sofá. apetece-me ir lá deitar-me. esse sofá é provisório. na verdade vamos ter dois sofás iguais àqueles e em cor-de-vinho (acho) para dar mais cor à sala. mas não aguentava mais esperar para fazer este
posting. eheh.
a cozinha - piso de baixo. nada a dizer. do mais difícil de transformar.
o terraço de baixo. gosto de tudo menos da cor. odeio a cor azul. detesto mesmo xD e, claro, ali cabia uma piscinazinha daquelas pequenas (tem mais espaço só que não se vê na foto), mas a minha mãe não quer, diz
que é um disparate.
a casa-de-banho da minha mãe - piso de baixo. os ângulos pelos quais foram tiradas as fotos não são os mesmos. mas é um espaço muito pequeno que não dá muito espaço de manobra. o chão é preto. adoro.
o quarto da minha mãe - piso de baixo
a minha casa-de-banho - piso de cima (novamente, os ângulos não são os mesmos, mas só reparei nisso quando já estava a fazer a montagem... grrr)
o meu quarto rosa-fucsia (eeeehhhh...adoro). piso de cima
o meu quarto do outro lado.
o meu
closet - piso de cima. uma das minhas partes favoritas :D
o
"terraço de cima" (nunca sei que nome dar aquele espaço)
outras imagens que não tirei foto "antes" para comparar:
portanto, a modos que tenho um mini-apartamento, só faltava mesmo uma cozinha no meu piso de cima xD
sabes, nunca tive uma vida estável. nunca vivi em mais de um sítio por mais de 2 ou 3 anos. e nunca tive condições para levar ninguém a casa. ou porque não tinha condições (como uma casa que morei em Lisboa quando era mais miúda, cujo estado era decadente), ou porque morava longíssimo e ninguém queria ir, ou porque morava (e morei muito tempo, infelizmente em alguns aspectos) com a minha avó (onde nem sequer tinha quarto, dormia na sala LOL). hoje, sinto que tudo está no sítio. que a instabilidade acabou. que aquela coisa de andar sempre a trocar de casa, sempre com as coisas atrás, acabou. que aquela coisa de não saber onde ia dormir na noite seguinte acabou. que acabou dizerem-me (quem me conhece há muitos anos): "onde moras agora?" e eu dizer sempre um sítio diferente. acabou dizerem-me, em cima da hora, "hoje vais dormir a... e não interessa os planos que tenha". acabou o não poder levar amigos a casa. agora, posso, e faço-o com orgulho. ninguém imagina o significado que tem para mim estar num sitio ao qual posso referir-me como "em casa". um sítio para onde eu
quero ir no fim do dia, e não um sítio para onde eu
tenho de ir. um sítio onde me sinto segura, depois de um período em que senti que a minha vida estava a perder-se, e que eu estava a perdida na vida. sim, são apenas paredes e tecto e chão, que têm mais que o significado que têm em si mesmo. têm o significado de lar. pela quase primeira vez na minha vida, um lar.
sei que parece mesmo mau vir aqui esfregar-te na cara
o quão feliz estou (não só pela casa, porque uma casa não é motivo de felicidade - ainda que eu seja materialista (sou de touro de signo, está-me no sangue ser materialista e apegada às coisas lol) - mas por uma data de coisas boas que a vida me tem trazido nos últimos tempos, e esta grande mudança, que passou por diversas fases, foi uma dessas coisas boas), mas é mesmo assim que me sinto.
orgulhosa (sobretudo da minha mãe, mulher com M grande) e
feliz.
próxima da auto-realização.
Muaah @
e esta sessão de fotos serviu, no mínimo, para a minha mãe chegar a casa e ficar toda contente porque eu arrumei tudo e limpei tudo e até fiz a cama dela (que a deixa sempre desfeita) e vir em direcção a mim com um grande sorriso e uma nota de 5 euros na mão. tenho de considerar a hipótese de fazer a cama dela e arrumar a roupa e a cozinha mais vezes.. lolol.