às vezes, ponho-me a pensar, em como é quase impossível alguém sentir-se tão feliz quanto eu.
é verdade:
EU SOU EXTREMAMENTE FELIZ. é que eu
adoro todos os aspectos da minha vida.e claro que isto não significa que a minha vida é boa (apesar de eu achar que é). claro que também tem coisas más (todos temos os nossos problemas e cada um os sofre à sua maneira). não significa que tenha tudo o que quero. e também não significa que sou conformista e que me basta tudo o que sou/tenho neste momento: sou bastante sonhadora e quero sempre mais e melhor. isso é sempre bom, não é?
mas sinto que,
neste momento, estou bem como estou enquanto pessoa, com os meus sonhos sempre atrás, sempre perseguindo-os mas mantendo-me igual a mim mesma, sem tirar nem pôr. querer mais e pensar no futuro, sim, mas viver sobretudo no presente: hoje posso não ter tudo o que quero; mas tenho tudo o que preciso para morrer feliz se morresse neste momento. sinto que evolui tanto em termos pessoais nos últimos anos que, sinceramente, não mudava nada em mim, e os defeitos que encontro, acho que fazem parte. não seria eu mesma sem os meus defeitos. está incluído na embalagem,lol. e isto é ser convencida, presunçosa? não acho. egocêntrica, talvez. mas é, sobretudo, uma questão de amor-próprio e auto-estima:
se eu não gostar de mim, quem gostará?a minha vida nem sempre foi um mar de rosas. e apesar de saber que sim, há e sempre vai haver pessoas com problemas bem mais graves que os meus, também eu os sofri, à minha maneira. também já tive
depressões, ataques de choro; já me odiei, já me quis suicidar, já me quis cortar por dizerem que a dor física é mais suportável que a emocional. já quis entrar pela via dos
anti-depressivos (no entanto, o "pior" que já fiz foi fumar
ganzas e ter pegado num cigarro num momento mau da minha vida). já passei por aquela fase da adolescência em que as coisas mais mínimas eram dramas autênticos, já tive altas crises de identidade, até gótica eu já quis ser (!).
sempre tive problemas familiares, cresci num ambiente nada propício a um bom desenvolvimento, já vivi num buraco improvisado apenas com um quarto e uma sala, que dividia com a minha mãe, enquanto ela trabalhava 16 horas por dia e ainda limpava as escadas do prédio de onde era porteira, para ganhar uns extras, e eu, com 8 anos de idade, ajudava-a a fazer isso (depois de vir sozinha da escola primária, que sim, na primária já andava de transportes públicos, não era como os meus colegas que todos os dias tinham um carro com motorista à espera dos meninos), porque ela vinha super cansada e tarde do trabalho, enquanto que os namorados dela (meus padrastos) não faziam nenhum da vida, chegavam a casa bêbados, por vezes batiam-me a mim, eu, que chegava a casa e estava tudo coberto de vómito. isto tudo acompanhado com os dramas entre os meus pais, as discussões deles por minha causa, que não faziam questão em esconder, mas discussões mesmo à barraca, com direito a palavrões e tudo (que na altura, claro que me escandalizavam), e a minha mãe a mandar um balde de água fria ao meu pai porque ele me foi ver a casa um dia sem avisar porque já não me via há muito tempo (nunca mais me esqueci dessa cena), e depois cada um a tentar 'fazer-me a cabeça' contra o outro, ou seja, a usarem-me como objecto de competição um entre o outro. claro que depois no meio da cena toda entrava a minha avó, que quando quer consegue ser uma megera, e o resto da família, que nada abona a favor dela. sim, tive uma infância complicada, sofri de
bullying durante 12 anos e não me defendia,
era uma fraca, chegava a casa todos os dias a chorar, andei em psicólogos até praticamente aos 16 anos, altura em que desisti psicologicamente, altura em que apareceu na nossa vida um padrasto que dava porrada à minha mãe e às vezes a mim, altura em que não havia semana que não chamássemos a polícia, que não tivéssemos os vidros do carro partidos mesmo com uma ordem de restrição contra ele pedida ao tribunal. e estas são apenas algumas partes. (e é
uma das razões porque eu não gosto do Natal nem de festas de família).
pois não: a minha vida não foi um mar de rosas. mas, e então? eu prefiro vangloriar-me por ter
ultrapassado tudo e me ter usado de tudo para me fortalecer, e não ir abaixo. não gosto de me pôr a lamentar por coisas que aconteceram há anos, e que ainda hoje acontecem, que sim, me deitam abaixo, me deixam triste, depressiva. prefiro pensar assim: e o meu pai, que teve de sair de casa aos 15 anos por causa da guerra colonial, que teve que fugir para Portugal com "500 escudos" no bolso e recomeçar do zero, dormir as primeiras noites em Portugal em bancos de jardim? (sim, o meu pai já foi sem-abrigo). e ele, que voltou a ficar sem absolutamente nada, nem sequer a minha custódia, a seguir ao divórcio dos meus pais, e mesmo assim, arranjou forças e recomeçou, de novo, do zero? e ele, que com enormes dificuldades financeiras, a trabalhar de dia e a estudar à noite, fez altos sacrifícios para me pagar colégios privados até ao 12º ano? e ele, que passou por tudo isso e agora é uma pessoa bem formada, com um bom emprego, um bom ordenado, um quadro-chave na empresa onde trabalha, sempre a receber prémios pelo bom desempenho? e que, mesmo assim, continua a ser uma pessoa humilde, não anda por aí de fato e gravata só para se vangloriar? e a minha avó, que teve uma das vidas mais sofridas que eu já ouvi... que fugiu para se casar com um homem esquizofrénico (meu avô, que morreu tinha eu uns 4 anos), que, segundo consta, lhe batia, tinha alucinações, que um dia chegou a casa com uma arma, apontou-a à minha avó e, se não fosse a minha mãe a meter-se à frente (que na altura devia ter uns 10 anos), nem sei que acontecia? e os abortos espontâneos que a minha avó sofreu, EM CASA, sem qualquer auxílio por parte do meu avô, que se estava a cagar, só a usava como objecto sexual (violação)? e a minha avó, que passou por tudo isso, e hoje vive bastante bem (apesar de amargurada)? e a minha mãe, que saiu de casa da minha avó aos 15 anos para ir trabalhar, sem quaisquer estudos, muitas vezes a depender dos outros, a lavar escadas, despejar lixos, trabalhar à noite, aturar homens bêbados e abusivos? e ela, que sempre, sempre, sempre, se soube levantar, soube lutar pelo que queria? e ela, que juntou dinheiro, comprou um táxi, e hoje é proprietária de uma firma de táxis, comprou uma moradia a pronto pagamento em Lisboa, remodelou-a toda, que vive bem e podia pôr gente a trabalhar para ela, e mesmo assim continua todos os dias a levantar-se bem cedinho para ir trabalhar e lutar pelo que quer, sem se cansar? e ela?
e quando eles me contam estas histórias com LÁGRIMAS NOS OLHOS, as minhas quase a cair, eu penso... eu tive uma vida má? sim, eu sofri. mas comparada com a deles... eu tive uma vida muito, muito boa. e é por isso que eu digo: eu adoro a pessoa que sou hoje.adoro o saber dar valor ao que tenho sem deixar de sonhar com mais. porque - e agora tenho de frisar uma pessoa em particular - nem toda a gente tem ou teve ou alguma vez terá a possibilidade de ter tido a educação excelente que eu tive e que o meu PAI me proporcionou, à pala de muitos sacrifícios da parte dele, por achar que era a única forma de compensar o ambiente péssimo que eu tinha em casa da minha mãe, sendo que ele só me via fim-de-semana sim, fim-de-semana não.
ao meu PAI, esse grande senhor, ficarei sempre agradecida e sem saber como retribuir, apenas mostrar que o investimento dele deu frutos, que hoje sou uma pessoa bem formada, com os pés na terra e a cabeça no sítio. e posso dizer que já me queixei muito, fartei-me de queixar, daquele colégio onde andei 8 anos, que odiava, odiava as pessoas de nariz empinado, mas hoje, o que importa não é isso, mas sim o que ficou e o que permanece no tempo, aquilo que é realmente importante, uma das coisas mais importantes na nossa vida: a educação. o resto? as pessoas mesquinhas? essas, nunca saberão realmente o que é ter algo com valor e saber apreciar. sempre tiveram tudo o que queriam na palma da mão e como não tinham vida própria nem mais nada que fazer, resolviam implicar com as outras pessoas (90% das pessoas do meu antigo colégio). e apesar de eu ter sido mimada pelo pai e, da parte dele, sempre ter tido quase tudo o que quis, ele também me ensinou
a dar valor. e a não tomar nada por garantido. hoje está cá, amanhã pode já não estar. e as coisas custam a ganhar.enfim.
adoro saber que sou capaz de valorizar o momento presente, o aqui e o agora, com tudo o que tem de mau e tudo o que tem de bom.
adoro adorar-me, adoro gostar de mim mesma, não só a um nível emocional, psicológico e espiritual, como também a nível físico: adoro olhar-me ao espelho e adorar o que vejo com todos os defeitos. adoro acordar todos os dias com energia (nem sempre física mas psicológica sempre), energia para sair de casa, apreciar a chuva ou o sol, ir à minha vida, ter uma vida própria, lutar pelo que quero e todos os dias conseguir um bocadinho mais dos meus sonhos.
adoro ser eu mesma e não ter medo de o ser nem de o mostrar. adoro sentir-me a crescer, cada vez mais, a sentir-me mais madura.
tendo, claramente, cometido as minhas loucuras e infantilidades - que continuo a cometer e ainda bem, deixar morrer a criança que há dentro de nós é o primeiro passo para a morte emocional, e que seria sem a diversão? - todos os dias cresço um pouco mais. a
doro sentir que todos os dias aprendo algo novo, mas que
sei filtrar a informação que é importante, guardar a que é boa e deitar fora a que é má. adoro saber fazer essa distinção.
adoro ser forte, adoro quando me magoo e consigo ultrapassar, quando me proponho a algo e alcanço, saber que tenho essa capacidade, e que a capacidade de se confiar em si mesmo, como eu confio, é o ponto de partida para quase tudo na vida. adoro saber relativizar: dar importância ao que é importante. é pequeno? é mesquinha? é de baixo nível? não liga: deita fora e vai em frente.
e no dia-a-dia, andamos sempre tão
"cansados" por tudo e por nada, deprimidos, cabisbaixos, queixosos, desacreditados, com um vazio de alma imenso. sempre a sobrevalorizar coisas pequenas, coisas que a longo prazo não têm grande importância. e então, se só tiver uns míseros 30 euros na conta bancária? e se aquela frequência me correu mal? e se aquele trabalho teve má nota? e se aquele rapaz de quem eu gosto (gostava), não gosta de mim da mesma maneira? e se a minha mãe chegou a casa mal-humorada e me deu um raspanete por uma coisa qualquer? e se os meus cães fizeram cocó dentro de casa? e se hoje na aula de condução o meu instrutor passou-se comigo porque não pesco nada de estacionamento? e então? que efeito tem isso a longo prazo? ao pensar sempre em coisas menores, esquecemo-nos do que é realmente importante.
hoje em dia, eu digo: que se lixe o passado. o que lá vai, lá foi. hoje, sou feliz. nos meus poucos anos e experiência de vida (19 anos), já percebi algumas coisas que me têm sido essenciais. caí, magoei-me, mas levantei-me, perdoei, mandei ressentimentos para detrás das costas e hoje, mesmo com todas as adversidades e obstáculos que se atravessem pelo caminho - que é sempre em frente, eu sou feliz. tenho uma boa saúde. tenho uma boa educação. tenho liberdade de expressão (um direito fundamental que nem sempre toda a gente teve). tenho amigos. tenho pessoas com quem contar. tenho uma casa quente e acolhedora para onde ir no fim do dia. tenho a minha mãe, a ela e aos seus cozinhados péssimos, à minha espera para o jantar. tenho um pai presente na minha vida, que me liga quase todos os dias para saber como estou. tenho uma avó que visito todas as semanas e que acabou de me ligar a chorar a dizer que me adora. tenho-me a mim mesma. tenho a felicidade mesmo ao meu lado - todos temos, às vezes não a sabemos ver. o essencial é invisível aos olhos, mas se olharmos com atenção, está tudo lá, tudinho. e eu, eu tenho tudo o que preciso para ser feliz. aqui e agora. e hoje, olham para mim e nunca diriam que já estive tão deprimida, que já tive uma vida de merda, porque hoje sorrio, não guardei ódios nem ressentimentos, foi como se tivesse renascido e percebido que a vida é, de facto - para uns mais do que para outros - belíssima.
e é por tudo isto e muito mais, que eu digo:
adoro-me. e devo dizer que, muito do que sou hoje, se deve aos meus pais e avó, e Cristiana (amiga de longa data do meu pai, minha amiga também. é daquelas pessoas a quem eu dedicava um livro meu se o escrevesse). podem ter atitudes de merda, às vezes (quem não as tem?), mas são autênticos exemplos vivos de coragem, força, confiança e tudo o mais. são exemplos autênticos de
como a vida deve ser vivida: vai em frente, erra, magoa-te, cai, levanta-te e recomeça as vezes que forem precisas. são exemplos que eu segui e vou seguir sempre.
(claro que é muito bonitinho estar a escrever isto sentada à frente do portátil que o meu pai me comprou e no quarto em casa da minha mãe, mas enfim, um dia ainda hei-de atingir a independência, lol. isto foi só um aparte estúpido).
enfim. que mais dizer? podem chamar-me de convencida ou o que quiserem.
who cares? eu sou, simplesmente, super, hiper, mega (mesmo à Floribella, LOL), APAIXONADA PELA VIDA E POR MIM MESMA.
e pelo blog.claro que também ajuda o facto de estar
extremamente apaixonada por um certo e determinado menino. (suspiro).
